Caixa de sabão do Sr Atoz

Archive for Abril 2010

Atualizados meus comentários a Babylon 5

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Acabo de atualizar meus comentários a Babylon 5, com alguns parágrafos sobre “Into the Fire” (da quarta temporada).

Obrigado pela atenção.

Written by sratoz

26/04/2010 at 00:01

Na categoria Babylon 5, Nerdices

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Some more comics annotations

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All information here is garnered from the Brazilian translations of these issues, which were published in Superalmanaque DC no. 2 (June 1991). They are listed here in the order in which they appear there, which is the order in which they are supposed to be read as part of the Janus Directive storyline.

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Checkmate! #16 (May 1989) — pencils by Rick Hoberg

In page 3, panel 6, a helicopter attack is represented on Project Atom which is the exact selfsame attack depicted in Suicide Squad #27 — an issue immediately preceding this one here. In Checkmate! #16, the helicopter can be identified as a twin-engine Bell AH-1 Cobra. Curiously, in SS #27, the helicopter was no current type, instead being some generic design contrived by the penciller. I would suggest they coordinate somewhat better if they wanted to appear so ingenious in showing continuity.

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Checkmate! #17 (Jun 1989) — pencils by Steve Erwin

In pages 4 and 5, the helicopters are respectively a long-cabin Bell 206 and a Bell 212. If I could venture a guess, I would say that the penciller was resorting to some Bell calendar to draw his pictures from.

Page 9, panel 3; page 14, panels 4 and 7 — The spaceship is Starblade, directly from the pages of Spacecraft 2000-2100 AD, by Stewart Cowley.

Page 16, panels 3 and 4 — The helicopter is a Hughes 269 (TH-55 Osage).

Page 19, panel 5; page 20, panel 3; page 23, panel 3; page 24, panel 1 — The helicopter appears to be an Aérospatiale AS 365, even though its first appearance gives it the front of an SA 360.

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Suicide Squad #29 (1989) — pencils by John K. Snyder III

Page 16, panel 1 — The Starblade features prominently at a picture that is a near-replica of the original from Spacecraft 2000-2100 AD.

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Checkmate! #18 (Jun 1989) — pencils by Steve Erwin

Throughout this issue, the USAF fighters are clearly those seen in An Illustrated Guide to Future Fighters and Combat Aircraft, by Bill Gunston, as the British Aerospace P.1214-3. The Brazilian edition of Gunston’s work (Aviões do futuro) has them on volume II, page 43. In Checkmate! #18, the same picture can be seen on page 17, with the major difference that the single, fuselage-mounted engine has been replaced by four engines under the wings. Other depictions are seen on pages 1, 12, 18 and 19.

Likewise, the Starblade is featured throughout, notably on pages 14, 15, 18, 19 and 20.

Page 21 — The landing on the Starblade’s cargo bay was unlikely enough, to say the least. Now they compound it with a charge very much resembling one of those from the silly G.I. Joe cartoon, which, to be sure, was contemporary to this issue.

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Suicide Squad #30 (1989) — pencils by John K. Snyder

Page 19, panel 2 — Starblade again.

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Mais anotações a quadrinhos

Toda a informação aqui foi apanhada das traduções brasileiras destas edições, que foram publicadas em Superalmanaque DC no. 2 (junho de 1991). Elas estão listadas aqui na ordem em que aparecem lá, que é a mesma ordem em que devem ser lidas como parte do arco Conspiração Janus.

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Xeque-mate #16 (maio de 1989)– desenhos de Rick Hoberg

A página 3, quadro 6, representa um ataque de helicóptero ao Projeto Átomo que é o mesmo e exato ataque mostrado em Esquadrão Suicida #27 — uma edição imediatamente precedendo esta aqui. Em Xeque-mate #16, pode-se identificar o helicóptero como um Bell AH-1 Cobra bimotor. Curiosamente, em ES #27, o helicóptero não era qualquer tipo atual, sendo, em vez disso, de algum formato genérico imaginado pelo desenhista. Eu sugeriria que eles se coordenassem um pouco melhor se quisessem parecer tão engenhosos em mostrar continuidade.

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Xeque-mate #17 (junho de 1989) — desenhos de Steve Erwin

Nas páginas 4 e 5, os helicópteros são, respectivamente, um Bell 206 de cabine longa e um Bell 212. Se eu pudesse arriscar um palpite, diria que o desenhista estivesse recorrendo a algum calendário da Bell de onde tirar suas figuras.

Página 9, quadro 3; página 14, quadros 4 e 7 — A nave espacial é a Starblade, diretamente das páginas do clássico Naves espaciais 2000 a 2100, por Stewart Cowley, livro tão fácil de se encontrar nos sebos do Rio de Janeiro e, até há uns anos, na promoção dos encalhes da Sodiler.

Página 16, quadros 3 e 4 — O helicóptero é um Hughes 269 (TH-55 Osage).

Página 19, quadro 5; página 20, quadro 3; página 23, quadro 3; página 24, quadro 1 — O helicóptero parece ser um Aérospatiale AS 365, apesar de sua primeira aparição lhe dar a frente de um SA 360.

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Esquadrão Suicida #29 (1989) — desenhos de John K. Snyder III

Página 16, quadro 1 — A Starblade aparece com destaque em uma figura que é quase uma réplica da original de Naves espaciais 2000 a 2100.

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Xeque-mate #18 (Jun 1989) — desenhos de Steve Erwin

Por toda esta edição, os caças são claramente aqueles vistos em Aviões do futuro, de Bill Gunston, no volume II, página 43, como o British Aerospace P.1214-3. Em Xeque-mate #18, pode-se ver a mesma figura na página 17, com a grande diferença de que o motor único, montado na fuselagem, foi substituído por quatro motores sob as asas. Outras representações são vistas nas páginas 1, 12, 18 e 19.

De forma semelhante, a Starblade aparece ao longo da edição, notavelmente nas páginas 14, 15, 18, 19 e 20.

Página 21 — O pouso no compartimento de carga da Starblade era improvável o bastante, para se dizer o mínimo. Agora, eles o compõem com uma carga que em muito se assemelha a uma daquelas dos infantis desenhos animados dos Comandos em Ação, que, note-se, eram contemporâneos desta edição.

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Esquadrão Suicida #30 (1989) — desenhos de John K. Snyder

Página 19, quadro 2 — Novamente a Starblade.

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O Garoto da Camisa Dourada não morre mais

with one comment

Já deve fazer uns quinze anos que William Shatner só interpreta um personagem: William Shatner.

Desde o início da carreira, ele sempre disse que estava interpretando a si mesmo, que se comportava no palco e na tela como se comportaria na vida real diante daquela situação, e que tentava trazer de si mesmo, e de sua vida, para dentro do personagem. Tenho certeza de que isso foi verdade para o Capitão Kirk, que é indissociável dele (a despeito de Chris Pine — um filme em 2009, por melhor que seja, não apaga 44 anos de História).

Por variadas razões, Shatner é o meu herói — a começar por ter sido o grande Rapa-Trilho da Galáxia, assim denominado em priscas eras de JETCOM por minha colega Leila Kalomi. Nos anos 70, qual moleque de doze anos não queria estar no lugar dele, no comando da Enterprise e de suas 400 almas, desbravando o espaço com um phaser numa das mãos e alguma tripulante gostosona a tiracolo na outra? E ainda sendo mais esperto do que o Spock e enganando os inimigos e a morte por mais um dia?

Só que, de meados dos anos 90 para cá, o homem largou qualquer pretensão ao fingimento. É escancarado mesmo: toda vez que aparece na mídia, ele faz a si mesmo, e faz de si mesmo um personagem, uma paródia constante de todos os seus papéis canastras do passado. Nem parece o ator substituto ovacionado por Henrique V, de Shakespeare, ou o sério passageiro assustado de “Terror a 20.000 Pés”, no Além da Imaginação.

Sua biografia traz evidências de que ele tenha sido um canalha, e é bem possível mesmo. Gente com um ego do tamanho do dele costuma deixar uma trilha de corpos e corações partidos atrás de si. Mas o sujeito nos entretém tão bem que não vou julgá-lo (de todo modo, não estava lá pra saber). Você fica em dúvida sobre quanto é sério em seu discurso, até que lembra que ele tem consagrado sua vida à diversão, ao teatro e à pândega. NADA é sério. Aquela disputa aparentemente mesquinha com George Takei, onde pede desculpas e convida Takei a vir a seu programa quando quiser — não dá pra levar a sério tampouco. É muito provável que ele mesmo não esteja dando importância a nada disso, que respeite Takei mais do que diz e que não se importe com ele nem uma fração do que declara. Na verdade, não parece importar-se com ninguém, nem pode: se um sujeito na condição de Shatner tiver qualquer pudor, não faz um décimo do que ele vem fazendo.

O mesmo vale para tudo que Shatner faz em cima de um tablado ou na frente de uma câmera. Aos 79 anos, o cara aparenta mais hiperatividade e jovialidade do que muita subcelebridade de dezoito. E não é que “esteja sempre se reinventando”, como é moda dizer, mas fazendo sempre o mesmo: William Shatner.

Veja bem: ele pode. Olha o tamanho da filmografia do malandro. Então, com esses créditos, ouso afirmar que, hoje, esteja permanentemente se divertindo, importando-se zero com o que a audiência vai pensar, e, na verdade, de certo modo, divertindo-se à nossa custa. Basta observar qualquer coisa que ele tenha feito na televisão nos últimos quinze anos. Exemplos ilustres que conheço: How William Shatner Changed the World, de 2005; seu personagem Big Giant Head, onde satiriza o Capitão Kirk e a si mesmo (inclusive em Twilight Zone) em 3rd Rock From the Sun; e Free Enterprise, onde declama Júlio César, de Shakespeare, em ritmo de rap. Especial destaque merece sua participação em Boston Legal: aquilo não é Denny Crane coisa nenhuma, nem é realmente atuação em qualquer sentido da palavra. Aquele ali é William Shatner sem nenhum disfarce, inclusive se declarando senil para não ter que responder por nada do que faz ou diz. E a mulherada ainda morre pelo cara!

Agora ele confirma todo esse histórico. Depois de ter gravado o clássico álbum The Transformed Man nos anos 70, declamando Lucy in the Sky e destroçando Mr. Tambourine Man, agora Shatner retorna a sua veia não-exatamente-musical e faz este dueto de Total Eclipse of the Heart com o fenômeno instantâneo Lin Yu Chun:

Dá pra disputar? O Oscar eterno vai mesmo para The Shat, com u’a mão nas costas!

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Written by sratoz

23/04/2010 at 01:45

Eu adoro a Web 2.0 (quando bem feita)

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Estou há um tempão para escrever sobre a parte boa da Wikipedia. A ruim a gente já sabe: não confiável, subjetiva, sujeita a flamewars etc. Mas tem o lado bom também, que eu queria enfatizar. Ainda não é desta vez, estou sempre sem tempo, e coisa e tal. Mas acabei de ver um exemplo muito legal da boa Web 2.0 que queria compartilhar com você.

Estou lendo um artigo sobre Penda, que foi rei de Mércia no século VII. Mércia era um dos reinos que, quando se juntaram no século IX, formaram a Inglaterra. Na página de discussão sobre o artigo, várias pessoas se preocuparam que não havia um retrato de Penda. Aí vem um e retruca, óbvio que não; o cara se perdeu na aurora dos tempos, é quase mítico feito o Rei Artur, não tem quadro, iluminura, nada. Mas, aí, outro lembra que não importa, o artigo está longo, tinha que ter uma figura: um mapa da Inglaterra naquela época, uma foto de armadura do século VII, uma moeda, qualquer coisa. Um terceiro vem e sugere: mapa não costuma ficar bom; será que não podemos usar o retrato de algum evento? Uma batalha, talvez?

Aí é que fica interessante. Primeiro, um usuário tem a ideia de usar a foto de um vitral da catedral de Worcester, que representa a morte de Penda. A foto estava em um texto online sobre a Idade Média, cujo Autor se ofereceu para VENDER os direitos de reprodução. Que que o usuário sugeriu? “Alguém que more perto de Worcester pode ir lá com a câmera e trazer uma foto para nós aqui.” Assim dito, assim feito.

Várias vitórias aconteceram aí. A primeira é óbvia: alguém foi criativo em usar a foto da catedral e está de parabéns. A segunda também é óbvia para quem está atento aos benefícios da Web colaborativa: várias cabeças pensando juntas, sugerindo, todas orientadas de boa fé ao melhor resultado possível, mostram as enormes vantagens que tendem a melhorar o conteúdo. O resultado fica sempre melhor do que o de uma só pessoa, limitada, batendo cabeça e não conseguindo uma solução. É quase um brainstorm documentado de mútuo socorro.

A terceira vitória não é tão fácil de ver. Perceba que um sujeito, que pode estar a bilhares de quilômetros, que podia ser eu aqui na América do Sul, vai lá e posta a sugestão de que outrem, morando perto da catedral, possa fazer o que o sul-americano não pode: simplesmente ir à catedral e pôr a foto para todos verem. No mundo online, a distância não faz a menor diferença, estão todos convivendo um ao lado do outro no mesmo ciberespaço. Quando é necessário voltar ao mundo físico, não tem problema; quem estiver mais perto vai lá e faz. Se eu quiser saber como está o tempo na Nova Zelândia agora, procuro o twitter de alguém de Auckland e simplesmente pergunto.

A quarta vitória mostra como a economia da Web 2.0 quebra os paradigmas. O sujeito offline pretendeu cobrar pelo uso de sua foto. Ele tem esse direito; a foto é dele, ninguém pode usar sem sua permissão. Entretanto, embora a foto esteja protegida por direito autoral, ele não enxergou que o objeto da foto não estava e que era muito fácil alguém simplesmente ir lá e fazer outra. Quis vender, ficou sem o crédito; puseram a foto sem ter que pagar um penny a ele ou reconhecerem sua ideia prévia. Tá todo mundo maluquinho tentando descobrir um jeito de monetizar a Web 2.0, e não consegue por causa dessas coisas.

Eu achei a história ótima.

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Written by sratoz

15/04/2010 at 23:53

Cena excluída de Star Wars Episódio IV (o original)

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Isto ficou no chão da sala de edição de George Lucas. Agora, com o poder da remasterização, está recuperado especialmente para você.

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Written by sratoz

12/04/2010 at 22:46

Na categoria Nerdices, Vídeos

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… e agora Iron Man

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Hoje parece ser o dia de pôr minhas notas em dia. Acabo de subir uma nova página, em princípio a não ser atualizada: os comentários do Sr Atoz ao primeiro filme do Homem de Ferro.

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Written by sratoz

11/04/2010 at 19:03

More dull annotations on comics

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These are my annotations on some comics issues I have read not too long ago. They are not meant to be interesting to the general public, but only to myself and to those who google for them.

Batman #500 (Oct 1993)
Page 7, panel 2; page 8, panel 5; page 23, panel 6; and page 24, panel 1 — Jordan B. Gorfinkel, Assistant Editor.
Page 23, panel 6 — Does the sign not remind you of Geoforce?
Page 52 — The car’s impact was reused in 2005’s Batman Begins.

Superman: the Man of Steel #26 (Oct 1993)
Page 19 (Brazilian edition), panel 3 — The Cyborg’s eye and teeth are reminiscent of Swamp Thing‘s Anton Arcane as seen after death in Alan Moore’s run.

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Estas são minhas anotações a algumas edições de quadrinhos que li há não muito tempo. Elas não pretendem interessar ao público em geral, mas apenas a mim mesmo e àqueles que googlarem por elas. A numeração das páginas e dos quadros segue a das edições originais.

Batman #500 (Oct 1993) — publicada em Batman no. 4 (junho de 1995)
P. 7, quadrinho 2; p. 8, quadrinho 5; p. 23, quadrinho 6; e p. 24, quadrinho 1 — Jordan B. Gorfinkel, Editor Assistente.
P. 23, quadrinho 6 — O símbolo não lembra o do Geoforça?
P. 52 — O impacto do vagão foi reutilizado em Batman Begins, de 2005.

Superman: the Man of Steel #26 (Oct 1993) — publicada em O retorno do Super-Homem no. 3 (novembro de 1994)
P. 19 (edição brasileira), quadrinho 3 — O olho e os dentes do Superciborgue remetem aos de Anton Arcane após a morte, conforme representado no período em que Alan Moore escrevia o Monstro do Pântano.

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Written by sratoz

11/04/2010 at 17:31

Babylon 5: comentários de março e abril

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Acabo de atualizar meus comentários a Babylon 5, com acréscimos sobre “Z’ha’dum”, “The Hour of the Wolf”, “Whatever Happened to Mr. Garibaldi?” e “The Summoning”. Também já vi “Falling Toward Apotheosis”, mas nada tenho a acrescentar.

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O fantasma de São Diogo

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Até o século XIX, havia no Rio de Janeiro um prolongamento da baía da Guanabara, chamado Saco de São Diogo. Os registros divergem, mas, pelo que entendi, o Saco ocupava a região onde, hoje, ficam parte da região portuária, a estação Leopoldina, a avenida Francisco Bicalho, o Trevo das Forças Armadas, e pedaços da Cidade Nova. Um debate sobre sua extensão aqui.

Durante o século XIX, aquela área foi toda aterrada. Naturalmente, nem por isso se tornou muito mais alta. Ali chegam o Rio Comprido, o rio Joana, o rio Maracanã, o Trapicheiro e outros cursos d’água que drenam o terreno de nossa cidade desde o tempo da última glaciação. O canal do Mangue é prova de que, por ali, um bocado de água ainda corre para o trecho de baía junto à rodoviária Novo Rio. O Saco de São Diogo foi-se, mas sua macro-influência na hidrografia do Rio permanece, feito um fantasma que se recusa a ser derrotado.

Quanto à Praça da Bandeira, històricamente sempre foi alagada. O terreno ali é desconfortavelmente baixo, era dominado por um manguezal e estava ìntimamente ligado ao Saco de São Diogo, com toda a sujeição às marés que caracteriza esse tipo de situação. O traçado topográfico variava fortemente conforme o Saco estivesse mais ou menos cheio de água e, mesmo que hoje haja uma praça por cima, os rios ainda passam ali por baixo. Mesmo hoje, se chover forte durante a maré alta, a desembocadura dos rios fica mais baixa do que o nível do mar, a água não tem pra onde ir e é alagamento na certa.

Acho que isso explica por que é que, em tempo de chuvas como a desta semana, não convém ficar muito perto de São Cristóvão e Maracanã. Agora há pouco, eu estava assistindo ao Jornal Nacional online, e tem o vídeo de um ônibus em frente ao CEFET, com água na altura da janela!

E diz a previsão do INPE que vai continuar chovendo nesta quarta-feira e além…

Na cobertura jornalística do G1, tem um meteorologista dizendo que “não é possível associar [a chuvarada desgraçada dos últimos dois dias], que classificou de ‘atípico’, com o aquecimento global, mas também não se pode descartar sua influência”. Em outras palavras, o homem não sabe o que diz. Mas deixe-me acrescentar alguma coisa, eu, que não sou especialista em p**ra nenhuma. Primeiro, concordo que seria ignorante e leviano associar uma específica chuva, em uma específica semana, a um fenômeno mundial de longo prazo, como é o aquecimento global. Não dá pra fazer esse vínculo, como alguns palpiteiros poderão tentar amadorìsticamente. Em matéria meteorológica, existe um zilhão de fatores envolvidos, e não é a primeira vez que chove forte no Rio.

Mas, segundo a mesma reportagem, a causa da chuva forte seria o calor brabo dos últimos dois meses, que provocou uma umidade incomum no ar sobre a cidade. Com a chegada de uma frente fria, caiu o mundo em cima da gente. Ora, com base nisso, arrisco-me a identificar uma tendência para o futuro sim, por mais que eu prefira estar errado: com o aquecimento global, mais vezes veremos o ar ficar úmido além do que era habitual durante o século XX. As chuvas torrenciais, que aconteciam a cada vinte anos, vão passar a acontecer a cada quinze, dez, cinco, dois anos; já não vai ser algo incomum, mas perfeitamente previsível. Com a chuva, virão a falta de luz, o caos nos transportes, isso tudo.

Então taí. Como Esposa estava comentando comigo ontem: vai acabar esta nossa mamata de ter tudo fácil, eletricidade, telefone, água potável. Vamos ter que conviver com escassez sim, e a vida de nossos filhos não vai ter os luxos da nossa. Quero dizer, para quem é rico assim como para quem é pobre, o padrão de vida vai cair e as agendas vão ter que considerar mais contingências do que as nossas. Tudo vai mudar em nossa civilização. E não descarto a falta de comida.

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Pra quem ainda fica glorificando a guerra

with 2 comments

Li há pouco a notícia: ontem foi divulgado um vídeo que era mantido em sigilo pelo exército americano desde 2007. O vídeo está aqui. Essencialmente é o seguinte: dois repórteres, câmeras na mão, acompanham um grupo de sete homens no Iraque, dos quais dois me parecem estar armados (mas posso estar enganado). O vídeo foi feito da câmera do canhão de um helicóptero Apache, que filma tudo que acontece no lado para onde está apontado o canhão. O artilheiro do helicóptero identifica uma das câmeras como uma RPG (arma antitanque muito comum entre guerrilheiros por todo o mundo) e, depois de obter autorização, abre fogo contra o grupo inteiro, gastando 82 cartuchos (basta ver o contador no canto inferior direito: 252 decresce para 170). Oito morrem na hora. O nono, por coincidência o fotógrafo, consegue se arrastar, ferido. Um veículo pára para resgatá-lo e o helicóptero põe mais 120 projetis em cima dele, finalmente matando o ferido.

Você pode assistir ao vídeo tranquilo, porque não tem aquela sangueira que deve ter imaginado, nem dá para ver corpos despedaçados. É tudo muito abstrato, e o helicóptero está longe. Não se escuta nada do que deve estar acontecendo no chão.

Mas várias coisas me impressionaram. Uma delas é a precisão com que o artilheiro consegue identificar os alvos. Outra coisa — e isto é importante — é que o canhão do Apache é o M230, um monstro de 30 mm, projetado para furar blindagem de tanque. Os projetis são explosivos ou incendiários. Ou seja: são mais do que overkill para acertar gente, certamente muito piores do que os cruéis projetis de 5,56 mm dos fuzis que os traficantes e os exércitos do mundo usam por aí.

Outra coisa que me impressiona é a remoção emocional dos militares envolvidos, o profissionalismo de alguém para quem aquilo é só mais um dia de trabalho. Na verdade, em mais de um momento eles comemoram o sucesso dos disparos, e tem um que até ri quando, mais tarde, um veículo blindado de infantaria, também americano, acidentalmente atropela um dos corpos. Considerando que os atiradores estavam na confortável proteção do helicóptero enquanto os alvos estavam indefesos em campo aberto, é muito fácil censurar os soldados e chamá-los de ianques covardes e brutais. Só que há um fenômeno fàcilmente esquecido por quem nunca foi à guerra, que é a gradual desumanização, o embotamento de quem se acostuma a matar sem uma censura por parte do sistema. O cara nem percebe que está errado e, de todo modo, no meio da guerra onde está, muitas vezes ele tem mesmo que matar para não ser morto. Então ele se acostuma e, para ele, puxar o gatilho é tão corriqueiro quanto este teclado aqui para mim.

Tem também o par de segundos transcorridos entre o momento em que começamos a ouvir os tiros e o momento em que vemos os impactos na terra. É demorado mesmo. Por aí se pode ver a distância a que estava o helicóptero. E as vítimas não saem correndo antes de a terra começar a voar à sua volta, o que indica que nunca ouviram os disparos: os projetis são supersônicos. Também aí podemos perceber a precisão do M230. Considerando que, pelas especificações de projeto, provàvelmente bastava que o canhão fosse capaz de acertar veículos à distância, claramente ele atende à exigência, porque dá para acertar um homem, escolhido individualmente.

Estou mostrando esse vídeo com um propósito. Tem gente que se empolga com armas de fogo, que se impressiona com sua capacidade de destruição. Alguns são militares, outros são adolescentes; alguns são apenas entusiastas da História das guerras. Conheci várias pessoas assim em meu tempo de vida, embora hoje não conviva com nenhuma, e todas — verdade seja dita — sempre foram minoria nesses grupos aí. Às vezes vemos vídeos de guerras, tanques rolando pela pista, soldados desembarcando, aviões largando bombas, mas é sempre com aquele distanciamento de mostrar o lado de quem atira, ou cenas que não são de combate. O lado da vítima só costuma aparecer nas obras de ficção. Por mais realista que seja, sempre rola um sangue de mentirinha, e você sabe que não é real. Pois o que este filme mostra é como realmente fica a vítima que leva tiro de canhão. Não é nada divertido, não é algo a que se assista para se ficar empolgado. É bem despojado, sem música nem drama. E é para ver como é.

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Written by sratoz

06/04/2010 at 22:21

Um aguaceiro olímpico

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Você já sabe o que eu vou dizer, né? É um absurdo, UM ABSURDO que uma cidade, qualquer cidade, pare por causa de uma simples chuva de algumas horas. Mais ainda uma cidade que pretende sediar jogos olímpicos e copa do mundo. Não é possível que a infra-estrutura (tem hífen?) pare de funcionar, e não haja hospitais, nem planos de contingência, nem mais transporte público. Eu soube que, no apagão do início do ano, tinha hospital que não tinha gerador e gente morreu por causa disso. Não é possível que seja tudo no improviso, não é possível descobrirmos isso só quando falta luz. TÁ TUDO ERRADO.

Ontem à noite, várias localidades ficaram inundadas no Rio de Janeiro, todo o trânsito parou, os ônibus pararam de circular, bombeiros militares tiravam gente de seus carros na Praça da Bandeira, minha rua ficou sem luz (a única na Tijuca, aparentemente), o Metrô parou de funcionar durante um intervalo de tempo. Hoje de manhã, quase ninguém no meu local de trabalho, a luz só voltou quase às dez da manhã, e a Defesa Civil pede que ninguém saia de casa. Nos hospitais e quartéis dos bombeiros, os plantonistas dobraram, e eu não me surpreenderia se alguém me dissesse que os jornalistas na tevê são os mesmos de ontem à noite, que não conseguiram ir pra casa e cujos substitutos não chegaram. Nos quartéis do Exército, tenho certeza de que todo o mundo também teve que dobrar o serviço, mas para esses estou pouco me f*dendo e estou até rindo, já paguei o que devia à força, já fiz ronda de madrugada, fiquei de serviço debaixo de chuva no réveillon do milênio.

Ninguém fez nada para resolver nada, e aí me incluo; a crítica vale também para mim mesmo. Eu não sabia se meu síndico havia tentado contato com a Light para trazer a luz — como se o caminhão da Light fosse conseguir chegar a nossa rua no meio do dilúvio –, então tentei contato. Descobri todas as linhas da empresa ocupadas, e tome ouvir musiquinha. Dessa vez, não posso culpá-los.

Enquanto isso, meu telefone fixo é um fax Panasonic que só funciona se estiver ligado na tomada, de modo que fiquei também sem telefone. Passei a contar com o celular, cuja bateria já não estava no máximo e, portanto, tinha que ser usada com parcimônia. Esposa lembrou que temos dois no-breaks (o do computador e o da TV), ambos com carga, e perguntou se poderíamos carregar os celulares neles. Suponho que sim, mas é aquilo: você só tem meia hora de carga — use-a sàbiamente! Aí, lembrei que, dois dias antes, eu havia carregado a bateria da máquina fotográfica. Quer dizer, ainda tinha essa carga com que contar. Me senti o próprio Magáiver*, restabelecendo a luz da rua só com a bateria de lítio de 2,4 Wh da Sony.

E como é que eu soube que a luz tinha voltado? O infeliz do meu vizinho já tinha botado o rádio no máximo. O mesmo e repetitivo disco, over and over again.

* A formulação correta da frase seria “Senti-me o próprio McGyver”, mas não teria o mesmo gosto.

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Written by sratoz

06/04/2010 at 12:05

Agora foi a revista Veja

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A revista Veja desta semana (datada 07/04/2010 e intitulada “O insuportável peso de voar”) traz sua matéria de destaque na página 68. Está lá, reclamando (a meu ver, com razão) da falta de infraestrutura aeronáutica no Brasil, de como os aeroportos não aguentam o tráfego nem as empresas estão preparadas.

Infelizmente, como de hábito, a matéria é pródiga em estatísticas de pouco significado e não indica ter feito muita pesquisa junto a especialistas de verdade. Bàsicamente, o ponto de vista apresentado é o do autor da matéria, sem outras vozes. Mas o mais interessante não é isso.

Entre as páginas 70 e 71, há uma suposta comparação entre os aeroportos de Guarulhos e Gatwick, com uma foto de cada um. Estive em Gatwick por duas vezes em 1998 e, motivado apenas pelo saudosismo, decidi olhar a foto com atenção, para reviver as memórias de tudo que reconhecesse.

Pois reconheci, alright. Chamou-me a atenção como o aeroporto era amplo e iluminado. Memórias agradáveis vieram, enquanto eu observava, “parece até o Terminal 5 de Heathrow…”.

Peraí. O janelão de vidro era igual ao do Terminal 5. Na verdade, a foto era idêntica a uma que tirei dois anos atrás, no Terminal 5; o ponto de vista era o mesmo da minha foto. Não é pra menos que me parecesse tão familiar: NÃO ERA GATWICK COISA NENHUMA, era o Terminal 5 de Heathrow.

Já nem tem mais graça, nem há mais novidade. Estava eu diante de mais um daqueles casos, que tantas vezes já vim relatar, onde o estagiário da revista NÃO SABE e, por isso, enfia qualquer foto mesmo. Afinal, ele não sabe a diferença, nem se importa; por que alguém deveria se importar, não é mesmo?

Não é que o estagiário seja obrigado a conhecer Gatwick. Ninguém é. Mas — mais uma vez, repita meu mantra –, SE NÃO SABE, NÃO CHUTA. Ele não está legalmente obrigado a apresentar uma foto de Heathrow dizendo que é Gatwick. Se não quer colocar uma foto de Gatwick, basta não pôr foto nenhuma! Deixa sem foto! Se faz questão de pôr uma foto dizendo que é de Gatwick, então arrume uma foto de Gatwick! Não é pra catar a primeira foto que aparece e, pronto, escolher que, agora, Gatwick é assim. A realidade não se molda à ignorância do estagiário, por mais que ele deseje.

As demais matérias da revista eram, em sua maioria, propaganda disfarçada de jornalismo. Felizmente não tenho a queixa de ter gasto meu dinheiro em propaganda: o exemplar não era meu.

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Acidente da Fumaça em Lages

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Vá ao YouTube e você encontrará inúmeros vídeos do acidente havido ontem com um Tucano da Esquadrilha da Fumaça. Dos que vi, o melhorzinho é este.

Estes aqui também são bem completos.

Mais uma vez, os auto-intitulados especialistas vão apresentar suas óbvias causas do acidente. Já vi um comentário no mesmo YouTube, de um sujeito que diz ter acompanhado telemetria do avião e, com isso, percebido pane, assim como ouvido o piloto, a dizer no rádio que o motor tinha falhado. Pode ser verdade, pode ser mentira. Não sei.

Tenho uma pergunta. O avião estava òbviamente perto do chão, apontado para o chão e não para o público, e  nivelado com o cockpit para cima. Não vejo motivo para o piloto precisar ficar a bordo até o último instante (embora talvez ele tivesse). Que eu saiba, os assentos do Tucano são zero-zero: funcionam a zero velocidade e zero altitude. Por que, então, ele não ejetou?

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Written by sratoz

03/04/2010 at 02:28

Bad Yahoo!

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Ontem, primeiro de abril, o Yahoo! pôs no ar a seguinte desportagem:

http://yahoo.minhavida.com.br/conteudo/11119-Voce-sabe-identificar-quando-alguem-esta-mentindo-para-voce.htm

No final, vem um teste: você consegue identificar um mentiroso? São dez perguntas, cada uma com três opções, e você vai escolhendo a que lhe parecer correta. Assim, por exemplo:

1) Quando conversa com alguém e desconfia do papo, você presta atenção:
a) nos olhos da pessoa.
b) no jeito como ela fala.
c) na forma como ele está sentado.

Respondi às dez perguntas e pedi o resultado. Veio:

É difícil te enganar. Você é capaz de farejar uma mentira a quilômetros de distância. Além de ficar atento aos aspectos físicos, você é capaz de perceber as intenções de quem as conta por seus traços comportamentais.

Quem não gosta de ler isso? Inflaram à beça meu ego!

Só que me dei conta de um detalhe: eles não disseram quantas perguntas eu havia acertado. Então, fiz o teste de novo, e mudei todas as respostas.

DEU O MESMO RESULTADO.

Depois, mudei para a terceira opção de cada pergunta. Mesmo resultado, de novo!

Percebe o que houve? Não é teste coisa nenhuma! O Yahoo! conta com o ego do leitor. Todo o mundo adora se sentir inteligente, capaz, arguto e sagaz. O leitor NUNCA vai desconfiar que o Yahoo! só disse o que disse para puxar seu saco! O que o Yahoo! quer, na verdade, é que seu leitor veja a “credibilidade” do portal, que se sinta paparicado, que queira voltar mais e mais vezes por causa disso.

SÓ MESMO RETARDADOS MENTAIS.

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Written by sratoz

02/04/2010 at 01:55

Na categoria Smoke and mirrors

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