Archive for the ‘Imprensa’ Category
Servidores públicos, escândalos e falácias
Fica-se dizendo que funcionário público servidor público ganha bem, que servidor público tem aposentadorias e pensões nababescas, que tem privilégios, que ganha verba pra tudo, que desvia dinheiro público, que faz negociatas…
Toda vez que aparece um nome de servidor público envolvido em escândalo, o que é que se verifica? Que é assessor. Que detém cargo em comissão. Que não é concursado nem efetivo. Que é dirigente, diretor de algum órgão. A gente quase nunca vê servidores efetivos envolvidos em maracutaias. Às vezes tem, tanto quanto tem criminoso comum. Mas, quase sempre, os líderes dos esquemas, os servidores que estão levando um por fora, quase sempre é gente que foi nomeada para cargo em comissão, gente que não tem nenhum vínculo com o serviço, nem preparo, gente que é apadrinhada política daquele nosso clássico clientelismo. Essa gente (bem entendido: os criminosos. Não estou falando dos outros, tome nota) sabe que vai ficar no cargo só pelo tempo que ficarem aqueles que os nomeiam. Sabe que essa é sua oportunidade para enriquecimento rápido e fácil. Em regra, é gente que não trabalha, não chega realmente a exercer o cargo no sentido de trabalhar como se espera do ocupante do cargo, às vezes nem dá as caras no local de trabalho. É gente que faz pouco dos servidores efetivos com quem convive e a quem humilha quando pode, gente que tem uma percepção de cargo público bem diferente da de quem fez concurso.
Enquanto isso, os servidores efetivos, que são maioria, continuam ganhando pouco (especialmente no Poder Executivo e suas autarquias), sofrendo com péssimas condições de trabalho, sem ar condicionado nem a aguinha gelada ou o cafèzinho que vemos para os assessores e secretários.
Então, peço ao Leitor que preste atenção: toda vez que sai uma notícia de servidor público ganhando comissão para liberar obra irregular, preste atenção se não é um assessor, diretor, secretário de alguma coisa. Não são esses os representantes da classe, tá? Não são esses os trabalhadores, nem são maioria, que a maioria são servidores efetivos, concursados. Vampará de ficar demonizando os servidores públicos como se fossem os responsáveis pelos problemas do Estado brasileiro.
Aliás, é curioso. Todomundo falando mal de servidor público, todomundo criticando que é uma boca, mas todomundo querendo ser um, estudando pra concurso… Parece contraditório, né? É que, muitas vezes, a indignação não é pelo desvalor ético, não é uma crítica à conduta em tese. É, isto sim, uma queixa: “também queromeu, por que só eles têm e eu não?”, puro fruto de egoísmo mesquinho.
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Em outra notícia, vejo que, esses dias, em Belo Horizonte, uma carreta trazia XYZ mil toneladas de trigo a duzentos mil quilômetros por hora no meio do trânsito movimentado — o que, em si mesmo, já é uma insanidade de punir com marretadas na canela — quando, depois de uma curva, não viu o trânsito parado e saiu atropelando quinze veículos, o que resultou em cinco mortos e vários feridos, com direito a caminhão sendo jogado na vala entre pistas. A alegação do mentecapto motorista foi ter perdido o controle do veículo.
Putaquepariu. É nisso que dá entregar uma carreta na mão de um energúmeno analfabeto. A alegação é sempre essa, você já percebeu? A mais comum é ter “perdido o freio”. O paramécio oligofrênico não percebe que não dá pra parar uma carreta carregada até em cima com tijolos, vindo a duzentos por hora, na mesma distância em que se pára um caminhão vazio que venha a quarenta. Não estou pretendendo que esse animal tenha estudado Física básica, não é isso. Mas, se tivesse um mínimo do treinamento necessário pra subir no veículo, esse aborto viciado em anfetaminas perceberia que o freio, ao contrário do que supõe, não é mágico! Ao contrário do que se possa pensar, não é só pisar no pedal que o caminhão, pronto, instantaneamente pára.
Agora, uma sugestão. Se você olhar pelo espelho retrovisor e vir um mastodonte desses vindo na sua direção, sem ter para onde escapar, solte o freio de mão. Você reduzirá a transferência de energia cinética e ganhará uma minúscula chance a mais de sobrevivência.
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Quem copia-e-cola tem consciência cívica?
Vários dias atrás, saiu no El País que houvera um incêndio em um depósito na Nova Zelândia. Em decorrência do sinistro, havia sido perdido o equipamento destinado à filmagem de O Hobbit — que é aquela prequel do Senhor dos Anéis, tão aguardada pelos fãs dos livros. Uma pena.
Poucos dias depois disso, saiu nO Globo On que a Warner havia autorizado a execução do filme. Só. Meu primeiro pensamento foi que a Warner estava atrasada, “será que não sabem do incêndio?” Meu segundo pensamento foi que, se o jornalista dO Globo On tivesse tido alguma proatividade (é junto ou separado?) e querido agregar valorTM à reportagem, teria ressalvado o incêndio e comentado que a filmagem não fosse (“fosse” do verbo “ir”, acerte aí a gramática) … que não fosse acontecer tão cedo. Mas assim não fez. Não fez porque, tal como tenho constatado, cada vez mais este é um País de repassadores, de gente que, quando pergunto detalhes do que me entregam, responde com a clássica frase “aaah, não sei, estou só repassando”. São situações onde o intermediário não contribui; ao contrário, só retarda o processo. É só mais um consumindo recursos, então a vontade que me dá é de suprimi-lo, de tirar uma etapa que não acrescenta nada, de enxugar o procedimento, de ir direto na fonte onde se originou a informação que está sendo repassada.
E meu ódio cresce, sabe? Porque eu não simplesmente-repasso nada. Se me vejo intermediário em algum processo, logo crio meu próprio filtro, tento eu mesmo entender antes de mandar adiante, torno-me substituto da etapa anterior, não passo adiante enquanto não vier certo a mim. Assim no ambiente de trabalho, assim em tudo.
Eu não ia escrever sobre nada disso, mas, no domingo, 10/10/2010, deparei-me com notícia, aliás no mesmo Globo On, sobre evento de aviação em Santa Maria (cidade que abriga uma base da FAB de onde decolam AMX). Um dos parágrafos terminava assim:
Trata-se do maior evento aeronáutico da Região Sul do Brasil, que tem por objetivo incentivar a mentalidade aeronáutica e despertar a consciência cívica para o papel da Força Aérea Brasileira.
Mais adiante,
Durante o show aéreo, o público tem a oportunidade de conhecer as aeronaves militares e os demais equipamentos aéreos disponíveis, além do adestramento operacional do efetivo.
Na verdade, o que primeiro me chamou atenção foi esse “adestramento operacional do efetivo”. Esse linguajar lhe parece estranho? No mínimo incomum, não? Pois é. A mim não, porque o conheço bem. Essa forma de expressão é típica de nossos militares. Não gosto dela: é artificial, veiculando uma erudição que em geral não está presente. Mas isso não importa agora. O que importa é que jornalista não escreve assim; militar é que escreve. Outros exemplos são as expressões “tem por objetivo” (que militar sempre usa na abertura de qualquer texto sobre algum evento, como se fosse uma locução verbal), “mentalidade aeronáutica” e “consciência cívica”. Tenha certeza de que, toda vez que militar faz uma ACISO (ação cívico-social), vão aparecer essas palavras. A exposição é gratuita, mas tem sempre o propósito de aproximar o público civil (e não vejo problema nenhum nisso). Então, no contexto, “mentalidade aeronáutica” será aquele ânimo, incutido no jovem, de ele se manter pensando nas coisas da aviação militar, para mais tarde ingressar nos quadros da Força. Já “consciência cívica” é outra expressão-chave, de significado meio difuso, mas sempre ligado àquele positivismo nacionalista com o qual o indivíduo se sente, de algum modo, ligado a uma Pátria, cheio de deveres. Militares usam muito a palavra “cívica” para cerimônias que eles executam mas às quais o público civil também comparece. Tudo muito bonito, mas eu como meu chapéu se o jornalista tiver concebido esses termos ele mesmo. E olha que nem tenho um chapéu.
Você já entendeu o que houve, né? Essa é mais uma ocorrência do clássico copia-e-cola. Quando copiei o texto para vir comentá-lo aqui, a página dO Globo On mandou o popup de sempre: “é proibido copiar este texto para fins comerciais, senão você vai ser processado, preso e chicoteado” etc. e tal. Só que isso foi exatamente o que fizeram com o press release da Força Aérea! ObÒviamente, o estagiário (sempre ele, não é verdade?) …o estagiário deu um básico copia-e-cola no texto da FAB. Provàvelmente nem sabe o que é adestramento nem o que é efetivo.
Em tempo: no contexto, “efetivo” é o pessoal da Força Aérea. O evento serviria para demonstrar o quanto estivessem bem treinados.
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Agora foi a revista Veja
A revista Veja desta semana (datada 07/04/2010 e intitulada “O insuportável peso de voar”) traz sua matéria de destaque na página 68. Está lá, reclamando (a meu ver, com razão) da falta de infraestrutura aeronáutica no Brasil, de como os aeroportos não aguentam o tráfego nem as empresas estão preparadas.
Infelizmente, como de hábito, a matéria é pródiga em estatísticas de pouco significado e não indica ter feito muita pesquisa junto a especialistas de verdade. Bàsicamente, o ponto de vista apresentado é o do autor da matéria, sem outras vozes. Mas o mais interessante não é isso.
Entre as páginas 70 e 71, há uma suposta comparação entre os aeroportos de Guarulhos e Gatwick, com uma foto de cada um. Estive em Gatwick por duas vezes em 1998 e, motivado apenas pelo saudosismo, decidi olhar a foto com atenção, para reviver as memórias de tudo que reconhecesse.
Pois reconheci, alright. Chamou-me a atenção como o aeroporto era amplo e iluminado. Memórias agradáveis vieram, enquanto eu observava, “parece até o Terminal 5 de Heathrow…”.
Peraí. O janelão de vidro era igual ao do Terminal 5. Na verdade, a foto era idêntica a uma que tirei dois anos atrás, no Terminal 5; o ponto de vista era o mesmo da minha foto. Não é pra menos que me parecesse tão familiar: NÃO ERA GATWICK COISA NENHUMA, era o Terminal 5 de Heathrow.
Já nem tem mais graça, nem há mais novidade. Estava eu diante de mais um daqueles casos, que tantas vezes já vim relatar, onde o estagiário da revista NÃO SABE e, por isso, enfia qualquer foto mesmo. Afinal, ele não sabe a diferença, nem se importa; por que alguém deveria se importar, não é mesmo?
Não é que o estagiário seja obrigado a conhecer Gatwick. Ninguém é. Mas — mais uma vez, repita meu mantra –, SE NÃO SABE, NÃO CHUTA. Ele não está legalmente obrigado a apresentar uma foto de Heathrow dizendo que é Gatwick. Se não quer colocar uma foto de Gatwick, basta não pôr foto nenhuma! Deixa sem foto! Se faz questão de pôr uma foto dizendo que é de Gatwick, então arrume uma foto de Gatwick! Não é pra catar a primeira foto que aparece e, pronto, escolher que, agora, Gatwick é assim. A realidade não se molda à ignorância do estagiário, por mais que ele deseje.
As demais matérias da revista eram, em sua maioria, propaganda disfarçada de jornalismo. Felizmente não tenho a queixa de ter gasto meu dinheiro em propaganda: o exemplar não era meu.
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Casal Nardoni
O título desta postagem é o que Cardoso costuma chamar de Google bait.
A manchete do jornal dizia, enooorme: “FOI FEITA JUSTIÇA”.
Alguém vai lá e explica pro jornalista que sempre seria feita justiça, de um modo ou de outro. Quaisquer que fossem as decisões do júri (condenando ou absolvendo) e do juiz (estabelecendo o quantum da pena), estaria sendo feita justiça. Por definição, justiça é aquilo que eles decidem. É pra isso que existe Poder Judiciário. “Justiça” não é sinônimo de “condenar”.
Outra: “agora você pode descansar em paz, Isabella”. Outro desinformado. Alguém, por favor, vai lá e explica pra esse sujeito, que não sabe p*cas de processo penal, que não acaba aí. Qualquer um que já tenha lido qualquer notícia, sobre qualquer processo penal, sabe que, depois da sentença, ainda cabe recurso. Vocês podem tacar pedra à vontade, dizer que as hipóteses são mais restritas no júri, que o protesto por novo júri foi abolido, podem dizer o que quiserem. A defesa sempre vai entrar com o recurso que quiser, ou até com habeas corpus, e algum tribunal sempre vai ter que, no mínimo, dizer que o recurso não cabe. Mas nunca acaba ali.
Não adianta vir me dizer “ah, mas o jornalista não fez curso de Direito, não é obrigado a saber esses detalhes”. Realmente, não é mesmo. Mas, então, PERGUNTA, P#RRA. Insisto e insisto: SE NÃO SABE, NÃO CHUTA. Não é pra escrever sobre o que não sabe, nem é pra inventar. Advogado taí é pra isso mesmo, pra responder pergunta. Eu, por exemplo, não sou especialista em nada, mas não tem uma palavra que eu escreva aqui cujo significado ignore.
Conheço a tese: tudo é pra ontem, não dá tempo de consultar um especialista, o jornal tem que ir pra gráfica, se possível, ONTEM. Já sei, já sei. É, realmente vai cair o dedo se o sujeito pegar um telefone e ligar prum advogado antes de escrever besteira. Realmente, cinco minutos vão fazer uma diferença enorme para um jornal que leva 24 horas pra ficar pronto.
Ah, é só pra vender jornal mesmo, que se f*da. TNC todo o mundo.
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Helicópteros e sabotagem
Estava lendo no Globo On: caiu no Centro-Oeste um helicóptero do Batalhão de Aviação do Exército.
Como se só houvesse um. Na verdade, são quatro Batalhões de Aviação do Exército. A matéria até dá a entender que a aeronave era do 3o. Batalhão, mas será que vai cair o dedo se escrever certo?
Mas o mais importante é isto. A fotografia mostra um helicóptero Tigre, usado pelos exércitos francês e alemão e não usado no Brasil. E a legenda diz “Modelo de helicóptero que caiu no Pantanal /Reprodução TV Morena”. É evidente que o helicóptero caído não tem como ser do mesmo modelo do da foto.
É o que vivo dizendo sobre a absoluta preguiça de se pesquisar qualquer coisa, tão comum entre pseudojornalistas brasileiros. Ninguém olha nada. Fiquei sem saber qual é o modelo do helicóptero que caiu. E aí você começa a duvidar de tudo: sequer caiu?
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Panopticons da vida privada e outros da vida online
Acabo de ver um linque na Web, com uma chamada tão mal escrita que fiquei até curioso: que notícia obscura seria essa? Então cliquei e li que Tiger Woods bateu com o carro, ontem, anteontem, sei lá.
Ordinàriamente, eu não continuaria lendo, mas o que me deixou tão intrigado foi a extensão da reportagem. Comecei uma metaleitura, na intenção de descobrir o que esses jornalistas conseguem extrair de um mero acidente de trânsito. Sei lá, vai que tem alguma implicação mais séria, né?
Bom. Aparentemente, Woods bateu com o carro perto de casa, às 2 e pouco da manhã. A esposa ouviu, acudiu e teve que quebrar uma janela para tirá-lo do carro. O golfista estava sangrando e com a consciência indo e voltando, mas consta que já passa bem.
O que me chamou a atenção, mesmo, foi o seguinte:
“Left unanswered was where Woods was going at that hour.” – Ou, em língua lusa, “o que ficou sem resposta foi aonde Woods estava indo àquela hora”.
Como assim? Ora, pombas, quer dizer que, agora, um cidadão tem que dar satisfações sobre aonde vai a que horas? Não pode mais dirigir seu carro de madrugada sem se tornar suspeito? Tem toque de recolher, é isso?
“Pois não, policial?”
“O senhor estava dirigindo seu carro de madrugada. Aonde estava indo?”
Faz sentido essa conversa pra você?
NINGUÉM TEM NADA COM A VIDA DELE. Não é pra se meter, ficar fazendo inquérito, saber aonde ele ia com seu carro.
Eu, hein.
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Em uma nota não relacionada, vejamos.
Belogues, fóruns de discussão, email, listas de email, instant messaging, Google Translate, Orkut, Facebook, Google Docs, Google Maps, 4share, Rapidshare, Scribd, Flickr, Picasa, YouTube… Deixei alguma coisa de fora? Não, né?
Pois bem, ontem assisti a este vídeo de apresentação do Google Wave:
De início, fiquei apaixonado pela idéia. Juntaram tudo em uma interface só. Fundiram todos os modos de expressão que você tem na Web, de um modo intuitivo, como já aprendemos a esperar desse pessoal do Google. A programação deve ter sido animal, depois de sessões insanas de desenvolvimento da arquitetura, de modelagem, de brainstorms viajantes sobre as funcionalidades. A orientação a objeto salta aos olhos.
Ao mesmo tempo, não pude deixar de pensar: confuso, bagunçado, com um elevadíssimo potencial para ser mal utilizado pelas mentes analfabetas destes tempos de inclusão digital. Deu-me a sensação de uma ferramenta prematura – não uma ferramenta que está “adiante de seu tempo”, mas uma implementação prematura, talvez carecendo de ferramentas que ainda estão por inventar e tais que, na falta delas, fica desconjuntado. Em outras palavras: está tudo agrupado, mas não realmente agregado, não realmente consolidado.
Sei lá. Como costuma acontecer nesses casos, é muito fácil ficar acrescentando previsões ao hype, sejam elas otimistas ou pessimistas, e quase garantido que estarão todas erradas. Eu poderia dizer, “complicado demais, não vai dar certo”, mas isso é o que disseram de tudo que DEU certo em tecnologia da informação. Muitas vezes, a coisa acabou simplesmente ganhando um uso que não tinha nada a ver com o uso imaginado originalmente. Outras vezes, foi o contrário: fez-se uma comemoração insana de tecnologias “revolucionárias” que simplesmente não pegaram. Ou você conhece alguém que tenha um telefone Iridium? Eu poderia dizer, “é tudo que eu queria, todo o mundo vai adorar”, e as pessoas continuarem preferindo a simplicidade da compartimentalização entre os canais.
Mas que é supermaneiro, é.
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Já que estamos falando em Web 2.0: está no ar o belogue colaborativo da REDARTE/RJ. A Redarte é uma associação de bibliotecas especializadas em arte situadas no Estado do Rio de Janeiro. Nas palavras do próprio belogue,
“A Rede de Bibliotecas e Centros de Informação em Arte no Estado do Rio de Janeiro (REDARTE/RJ) é uma rede de instituições com acervos especializados na área de artes no Rio de Janeiro e em Niterói. Seu objetivo principal é ampliar, para o público em geral e os pesquisadores de arte em particular, as opções de acesso a todo um universo de informações disponível em um conjunto expressivo e representativo de acervos especializados em arte.
“Participam da Rede instituições públicas e privadas, como museus, universidades, arquivos, centros culturais, totalizando 36 integrantes. As instituições são representadas na Rede por gestores dessas unidades de informação, graduados em Biblioteconomia e áreas afins.
“OBJETIVOS
”- Facilitar aos pesquisadores e ao público em geral o acesso a informações na área de arte;
”- Divulgar suas instituições integrantes;
”- Oferecer serviços e produtos informacionais;
”- Promover o intercâmbio de experiências entre os profissionais da Rede e auxiliar sua atualização;
”- Promover o intercâmbio de informações em arte através da localização de itens e do serviço de empréstimo entre as bibliotecas integrantes;
”- Incrementar a permuta e a doação de itens entre seus membros.”
Até há pouco tempo, a existência online da Redarte era só um website com edição centralizada, que não se comparava às várias atividades que aconteciam no mundo real. Agora, com a iniciativa do belogue, já dá pra ver uma dinâmica onde tudo que acontece é atualizado ràpidamente. Como a Redarte é liderada por bibliotecárias, o belogue cumpre a vocação da classe: contém inúmeros linques para instituições, bases de dados e relatos de eventos. Com o tempo, as organizadoras pretendem disponibilizar os powerpoints das palestras, artigos e por aí vai.
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Ainda no teste de nerdidade:
31- Você já discutiu com um professor? – É possível, mas não que me lembre.
32 – Você venceu? – Não.
33 – Algum palestrante já indicou que alguém procurasse você como tendo mais conhecimento? – No contexto, não creio.
34 – Você já tentou admissão a alguma faculdade só para “ver se conseguiria entrar”? – SÓ para isso? Não.
35 – No seu SAT, a Matemática estava mais de 300 acima de seu verbal? – Nem conheço o teste, mas já vi que não se aplica no Brasil. Pulo.
Até agora, 20/33. Até que está melhorando (ou piorando, não sei).
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De censuras e pretextos
Veja bem. Tal como todo o mundo, entendo que todo político é corrupto, safado etc. Tal como todo o mundo, “fora, Sarney” etc. Tal como todo o mundo, estou entendendo que nosso querido presidente do Senado dá um espetáculo de truculência e falta de sutileza típico dos políticos do Norte e Nordeste deste amado Zilzilzil, coronéis que sabem que ninguém tem peito de enfrentá-los e vão fazendo na cara de todo o mundo.
Aí, você lê esta notícia e fica pensando, “é um absurdo, o juiz tá comprado, é um ataque à liberdade de imprensa, é censura, é ditadura, abaixo Sarney”…
E eu digo, calmaí. Pode até ser um absurdo, pode ser um ataque à liberdade de imprensa, censura e ditadura, tudo isso. Pode ser. Mas observe dois detalhes.
1) Você leu os autos do processo? Leu os exatos termos da decisão judicial? Sabe o que exatamente foi deferido pelo juiz? Nem eu. Não considero prudente falar mal de uma decisão judicial sem, primeiro, saber que decisão foi essa.
2) A notícia veio pelo próprio Estado de São Paulo. Então, em princípio, está maculada pelo interesse do jornal, sem a isenção que se espera da imprensa. Em princípio, pode estar manipulada e não necessàriamente os fatos são esses que estão noticiados.
É claro que pode ser que o jornal tenha razão. Só pedi calma. Apure e leia antes de julgar, que, ùltimamente, a imprensa anda muito perigosa em matéria de política. Aliás, sempre foi.
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Visitas recentes:
http://br.noticias.yahoo.com/s/10062009/48/entretenimento-gostar-rock-progressivo.html
http://news.yahoo.com/s/ap/20090724/ap_on_sc/eu_sci_spain_giant_telescope
http://cynthiasemiramis.org/
(em particular, http://cynthiasemiramis.org/?p=70)
http://aqueladeborah.wordpress.com/2008/11/14/depilar/
http://aqueladeborah.wordpress.com/2009/07/08/voce-sem-deus-nao-e-nada/ (muito, muito parecido com o texto que estou há meses pensando em escrever. Mas ainda não é o mesmo texto, só concorda com ele)
http://www.idelberavelar.com/archives/2009/07/cinco_truismos_que_querem_silenciar_o_debate.php
http://marjorierodrigues.wordpress.com/2009/05/11/da-frase-que-mais-me-irrita-nessa-vida/
http://viagemaleatoria.wordpress.com/2009/05/11/gosto-se-discute/
http://myamazingfact.blogspot.com/2009_01_01_archive.html
http://www.howcast.com
http://www.youtube.com/watch?v=ElGksWAbo1s&feature=related — Star Trek 2009: my action figures version (SENSACIONAL)
http://oubarbarie.blogspot.com/2009/06/aquilo-ali-e-homem-ou-mulher.html
http://dehreloaded.blogspot.com/2009/02/conversa-de-muie.html
http://news.yahoo.com/s/ap/20090802/ap_on_go_ca_st_pe/us_gulf_war_missing_pilot
http://news.yahoo.com/s/ap/20090802/ap_on_re_ca/cn_canada_helicopter_drugs
http://news.yahoo.com/s/ap/20090731/ap_on_re_ca/cn_canada_arctic_sovereignty_2
http://news.yahoo.com/s/ap/20090802/ap_on_re_us/us_idaho_aryan_stain
http://static.panoramio.com/photos/original/1686344.jpg — uma foto duca
http://www.youtube.com/watch?v=cTgJQRYAK24&feature=related — Bolsa-Família, vinte anos atrás
http://www.youtube.com/watch?v=URkuG0_unbA&feature=related — Birth Control!!
http://pae-dc.blogspot.com/2009/04/star-trek-serie-classica-onde-nenhum.html
http://www.youtube.com/watch?v=4VBxd9n1dSU (Firth of Fifth no teclado)
http://www.youtube.com/watch?v=8t83PL5Z8Gg&feature=related (Firth of Fifth no violão)
http://www.youtube.com/watch?v=MVAfxY10Ev0&feature=related (Time Table no violão)
http://www.youtube.com/watch?v=i2hGJF07BGE&feature=related (In the Cage no violão)
http://www.youtube.com/watch?v=XEEJqE2pe7I&feature=related (Cinema Show intro no violão)
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Superaquecimento da credulidade
Hoje, cerca das 09:00 h, houve incêndio no Metrô do Rio de Janeiro. Eu estava lá: a estação Saenz Peña ficou cheia de fumaça e de um cheiro forte de borracha queimada. Que eu saiba, não houve feridos. Infelizmente, tampouco há evidência de que o Metrô tenha reembolsado o dinheiro de quem já havia pago, estava dentro do trem e teve que evacuá-lo. Confusão, incerteza e seguranças (?) desorientados.
Lápelas 10:50 h, li no Globo On e no Extra que, segundo o Metrô, houvera superaquecimento dos trilhos e que, por precaução, evacuaram tudo e levaram o trem para manutenção.
Essa é a versão oficial. O jornal não apresentou outra, e duvido que apresente, porque o que mais se vê hoje em dia é jornal repassando versão oficial, sem investigar nada.
Então, deixe-me trazer um pouquinho de contraditório. Oquei, não sou especialista em ferrovia nem em metrô. Mas sou engenheiro mecânico. Até onde sei, trilho só “superaquece” se houver um trem freando em cima, contìnuamente. De resto, trilho fica lá, parado. Se houver apenas trens passando por cima, contìnuamente, trilho só aquece um pouco. Se houver trem parado em cima, trilho não aquece.
Como não tinha trem freando em cima do trilho, resta investigar outra causa possível para um “superaquecimento”. A única hipótese que me ocorre é um curto-circuito: algum cabo que não deveria estar em contato com o trilho tenha, afinal, fechado contato e deixado passar aquela corrente suave que tira uma composição do lugar.
Outra possibilidade é, para mim, muito mais plausível: o Metrô teria simplesmente MENTIDO para o público, mascarando um incêndio com um improvável (quiçá impossível) “superaquecimento de trilhos”. Escolha sua hipótese.
Isso me lembra a bronca que dei numa colega outro dia: acreditava na versão oficial divulgada pelo saite de uma empresa, sem questionar. Tive que explicar a ela: se o saite diz isso, é que a verdade é justamente o contrário, e aquilo que se diz que aconteceu, como bem se pode estimar, na verdade não aconteceu.
Aliás, é por isso mesmo que, por enquanto, estou convicto de que Dilma não tem câncer coisa nenhuma. É claro que, nos próximos meses, veremos profissionais muito sisudos, todos de jaleco branco e mostrando consternação, apresentando os últimos desdobramentos no jornal da noite. Mas não acreditarei nem que ela morra.
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E essa é a cidade que pretende sediar jogos olímpicos.
Psicose jornalística
Eu vivo resmungando dos retardados voluntários* que jamais escrevem seus próprios textos. Gente que, diplomada e tudo, prefere ctrl+c-ctrl+v no trabalho dos outros — afinal, é muito mais fácil.
Aqui, indícios de que certas respeitadas revistas também aderem a essa prática maligna:
http://stoa.usp.br/walrus/weblog/48338.html
E, aqui — dica do Cris Dias –, uma revista igualmente respeitada admite, abertamente, que não está nem aí para qualquer correspondência entre suas reportagens e a realidade:
http://scienceblogs.com.br/brontossauros/2009/04/revista_veja_fail_ao_quadrado.php
*Retardado voluntário: tipo de pessoa que, apesar de possuir um cérebro organicamente funcional e íntegro, optou pelo retardamento mental.
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