Archive for the ‘Leituras’ Category
Isto não é uma resenha dOs Vingadores
Cada vez parece que tenho menos tempo, então não vou fazer uma resenha do filme dos Vingadores. Vou só fazer o que já fiz para Homem de Ferro 2 e As Aventuras de Tintim: comentar de algumas coisas em que reparei.
O filme é muito bom. Muito divertido. Vale a grana do ingresso.
Filme em 3D fica escuro.
Explosões! Efeitos! Essa parte está MUITO boa.
Aeronaves utilizadas no filme:
- helicóptero Agusta A109, provàvelmente o modelo civil mais usado em filmes de ação desde os anos 90. Não sei por quê, já que é pequeno e não muito agressivo. Pode ser (1) por causa da aerodinâmica que lhe dá uma aparência de veloz ou (2) porque é sempre a mesma locadora que os cede para filmagens;
- Quinjets da S.H.I.E.L.D.: fictícios e me lembrando os APC da excelente e saudosa Space: Above and Beyond;
- jatos de treinamento Alpha Jet, do modelo francês (não do modelo alemão), fornecidos pela Air USA (como dizem os créditos do filme) e usados em cima do Helicarrier;
- jatos de ataque Harrier, em forma de maquetes sobre e dentro do Helicarrier;
- jato de caça F-35, usado como escolta do Helicarrier;
- jato executivo da Stark Industries, fictício, o mesmo de Homem de Ferro 2, lembrando o projeto conjunto de jato executivo supersônico que a Gulfstream e a Sukhoi iniciaram e abandonaram nos anos 90.
A parte de baixo do Helicarrier lembra muito a Enterprise-E.
Como sempre, Tony Stark, maior do que o mundo, domina a cena, mesmo em presença de deuses e monstros verdes. Inclusive por causa da atuação de Downey Jr., mais uma vez perfeita, maior do que o mundo e dominando a cena. Pergunto-me se ele não faz como Shatner, que não atua, simplesmente é ele mesmo diante das câmeras.
Mark Ruffalo, o ator que faz Bruce Banner, é muito bom em representar o estado emocional de permanente controle de uma raiva que está sempre querendo emergir.
Tudo a ver com Tony Stark: o momento em que ele espeta Banner pra ver se vira monstro.
As falas de Downey/Stark são engraçadas.
Os diálogos do filme são todos previsíveis, óbvios, ralos. Mas que se dane; se eu quisesse ouvir diálogos, teria procurado algum “filme de arte” europeu. Fui ver o filme por causa dos efeitos e esses, sim, corresponderam ao ingresso que paguei.
Excelente a representação do Hulk, bem conforme os quadrinhos: uma força incontível e indiscriminante.
Engraçada a referência: “Hulk — smash.”
Participação de Stan Lee: não vou estragar para quem prefere procurá-lo. Já se você prefere que eu conte, basta selecionar o texto na linha abaixo, que escrevi com fonte branca:
Stan Lee aparece após o clímax, quando as televisões estão mostrando o povo nas ruas a comemorar a atuação dos Vingadores. É o velho que vira pra trás e diz que não acredita em super-heróis em Nova Iorque (o que é uma tremenda ironia, já que o que ele mais fez em sua carreira foi criar super-heróis em Nova Iorque).
Desta vez você não precisa ficar até o final dos créditos. Eu fiquei, não tem nada. Mas tem que ficar até acabar a parte inicial dos créditos, que tem animação.
EOF
“Eu tô aí com um projeto…”
Aí, né, tem este seriado novo da Mulher-Maravilha. Amigo meu, fã da personagem, resumiu sua crítica:
PROXIMO SERIADO A SER CANCELADO RAPIDAMENTE
A NOVA MULHER MARAVILHA É HORROROSA
O UNIFORME ( NINGUEM MAIS RESPEITA PORRA NENHUMA) É RIDICULO…LEMBRA UM DESTAQUE
DA UNIDOS DA TIJUCA…
TOMARA QUE AFUNDE…PARA ESSES BABACAS APRENDEREM…
http://www.youtube.com/watch?v=r9swHb3v0XU&feature=relmfu
Eu não podia ser mais ponderado, simplesmente porque concordava com ele. Mas acrescentei o seguinte:
Eu concordo…
A atriz não tem presença, não tem porte, não tem garbo, não tem tamanho, NÃO PARECE UMA AMAZONA, o uniforme está errado (CALÇAS? AHSIFUDÊ), …
A Lucy Lawless teria sido uma Mulher-Maravilha muito melhor.
Pelo visto, eles acham que qualquer baixinha de peito grande servia. Então que se afundem.
Mas demos também o benefício da dúvida. Smallville consta que era uma m*rda no início, mas que depois ficou boa… Não sei, não vi. Vai que a moça é boa atriz?…
De todo modo, ouvi no YouTube: “… at least it’s not Beyoncé… Enough of that Halle Berry Catwoman fiasco…”
Realmente, né. Eu não sei o que há que a DC, pra cada um que acerta, tem errado outros tantos. O filme do Superômi ficou parecendo um emo com a cueca pra fora da calça, que até Kevin-Coisa fez um Lex Luthor mais interessante do que o herói. Depois é esse tal filme do Lanterna Verde onde o intrépido piloto se comporta feito um geração-Y deslumbrado, com uma roupa brilhante que mais parece anúncio de sabão em pó para sapos. Por enquanto, só se salvou o Why-So-Serious das Trevas, e mesmo assim não foi incólume.
Enfim. Não quero ser um hater reclamão, não. Se o filme do Lanterna passar no Brasil, eu vou (parece que não vai mais passar, que a DC entendeu que não tem público Update: Esse “parece que” foi relato trazido por um colega meu que não tem Jesus no coração. Resulta que ele confessou ter mentido para mim. Ora, gato escaldado não dá crédito a versão ouvida na feira: eu só escrevi “parece que”, disclaimers apply, o Leitor tem que pesquisar sempre).
Mas é que o próprio estúdio não ajuda no discurso de fanboylagem. Por exemplo: outro dia, saiu matéria no Los Angeles Times sobre a suposta intenção da Warner de fazer um filme da Liga da Justiça.
O Globo On traduziu a matéria e a ela acrescentou alguns comentários bem típicos de fanboy:
DC Comics desafia Marvel
a Marvel corre na frente
E outra que vi por aí na Web, “DC bate de frente com a Marvel…”
Mas que infantilidade. Não há desafio nenhum, nem corrida, nem disputa. Imagina só: o bilheteiro põe o dedo na sua cara, “Escutaqui! Você só pode gostar de um! Ou Marvel ou DC! Se for pego entrando no filme da outra, vai ficar de castigo!”
Ou, então, você imagina dois trens, um da Marvel, outro da DC, numa colisão em alta velocidade, BUM, e só sai uma da poeira, e a outra fica proibida PARA SEMPRE de fazer seus filmes… Porque perdeu a disputa…
Não faz sentido! É uma disputa que não existe! Fã de um não deixa de ser fã do outro, é igual àquelas disputas idiotas de “quem é o melhor capitão de Star Trek, Kirk ou Picard” (Kirk é melhor, óbvio), ou “qual é melhor, Star Trek ou Star Wars“… É a velha visão com antolhos daqueles haters que o @Cardoso tanto comenta, que só conhecem o mundo em preto-e-branco e não admitem que se possa gostar de duas coisas diferentes; você só pode gostar de uma, uma só, e tem que ODIAR tudo mais. Fãs da Marvel e fãs da DC não poderiam encontrar-se na porta do cinema, que seria igual àquelas brigas de gangue de rua de filme americano — com as óbvias diferenças de que só poderiam brigar até a hora em que a mamãe os quisesse em casa, e que as armas seriam anéis de Lanterna Verde da caixa de sucrilhos.
Mas olha só. A reportagem é só hype mesmo, é só para agitar as águas turvas, para que gente como eu fique dando visibilidade. Porque ela mesma deixa pistas de que não há nenhum projeto de filme da Liga da Justiça. Parece ser só uma tentativa do entrevistado de roubar atenção da Marvel, que está com filme do Capetão América, do Thor e dos Vingadores saindo do forno, enquanto a DC tem só esse Lanterna verde-novato e o terceiro Voz Rouca da Escuridão bem mais para a frente.
(Em um aparte, isso me lembra muito uma sequência que o Pânico na TV! fazia: chegava para um ex-BBB numa festa, “e aí? O que você está fazendo depois que saiu do BBB?” “Ah, eu tô aí com um projeto…” “Ah, mais um que tá com um projeto… Quer dizer, não tá fazendo p*rra nenhuma, nem tem projeto nenhum… Tá legal.”)
Se duvida, preste atenção em algumas frases:
“But Robinov said a new Justice League script is in the works.” (Desnecessário enfatizar para assegurar de uma verdade se ela fosse mesmo verdade: transpareceria por si só e inevitàvelmente com o correr do tempo.)
“Also being written for Warner are scripts featuring the Flash and Wonder Woman, who could be spun off into their own movies after Justice League.” “Roteiros sendo escritos” é o mesmo que dizer “não existe nem o cheiro de um projeto ainda”. Além do mais, “could” é expressão muito vaga, e a frase mostra bem que não sabem mesmo se querem fazer algo com os personagens… Como se fizesse sentido haver um Flash ou uma Mulher-Maravilha quase como elenco de apoio em um filme cheio de astros, sem investimento próprio — logo eles, que nunca foram meros figurantes.
“Though Wonder Woman is also in the works as a television pilot for NBC produced by Warner, Robinov dismissed that as a sticking point.” Certo. Como se o estúdio estivesse mesmo disposto a ver fãs comparando, medindo e, afinal de contas, não entendendo nada se o filme não bater com a série.
“We have the third Batman, but then we’ll have to reinvent Batman…” Quer dizer: ele nem lançou o filme de 2012 (que faz parte da atual reinvenção do Batman) e já está dizendo que vai ter que reinventar o personagem de novo. Sei. Excelente maneira de dizer que o investimento atual não vai ter continuidade. Realmente é isso que gostam de ler as pessoas que vinham gostando do resultado (que, aliás, hoje são maioria).
Afinal de tudo isso, fã de DC que sou, não me preocupo não. Essa palhaçada está sendo cogitada para 2014. Até lá, muitos fracassos de bilheteria ainda podem acontecer.
EOF
Cronologia do Lanterna Verde até maio de 1994
A história do Lanterna Verde dos Lanternas Verdes é extensa e complexa. Recentemente, um colega fez-me diversas perguntas, que resolvi responder pesquisando e enviando-lhe um email. Mas por que ele tem que ser o único beneficiário? O trabalho já está pronto, então posso dividir com você, com quem googlar e comigo mesmo — já que é referência à qual eu mesmo posso querer voltar.
A cronologia abaixo é intencionalmente supersimplificada. Há farto material na Web, em saites como glcorps.dcuguide.com e todos os de quadrinhos indicados aí ao lado. A Wikipedia é suficientemente boa, e o Google vai te trazer ainda um montão de informação sobre inúmeros personagens, planetas, histórias, poderes, características… Não pretendo suplantar nada disso. Esta cronologia é só para ajudar o nobre Leitor a contextualizar as histórias que ler e que sejam ambientadas no período coberto.
De 2006 até agora, aconteceu MUITA coisa em torno do Lanterna Verde. O título ganhou enorme destaque nos EUA sob a batuta de grandes artistas (inclusive Ivan Reis, premiado por isso) e atualmente, no Brasil, com retardo de um ano, está passando de um abrangente arco (Blackest Night, A noite mais densa) para outro (Brightest Day, O dia mais claro). Não estou cobrindo nada disso, porque não li nada disso. Nem o período 1994-2005, onde também aconteceu muita coisa na vida de Hal Jordan. Neste momento estou em junho de 1994 e é só até aí que vou. Intencionalmente, estou omitindo referências a Alan Scott, zamorianas, e vilões além de Sinestro. Para manter simples.
CRONOLOGIA DO LANTERNA VERDE DA TERRA-1 (DEPOIS TERRA ÚNICA) ATÉ JUNHO DE 1994
Showcase #22 (Oct 1959) – Primeira aparição do Lanterna Verde Hal Jordan.
Green Lantern #1 (Aug 1960) – Primeira aparição dos Guardiões.
GL #6 (Jun 1961) – Primeira aparição de outro LV (Tomar-Re, do planeta Xudar).
GL #7 (Aug 1961) – Primeira aparição e origem de Sinestro: LV que usava o anel para dominar, humilhar e explorar os habitantes de seu planeta, Korugar. Julgado, perdeu o anel, foi banido para Qward e tornou-se renegado.
GL #9 (Dec 1961) – Primeira aparição do anel amarelo de Sinestro, que extrai energia dos anéis verdes.
GL #40 (Oct 1965) – A história de Krona, que investigou a origem de tudo, espalhou o Mal no universo e foi banido. Os oanos, tentando compensar o dano causado ao universo, tornaram-se os Guardiões e criaram a Tropa dos Lanternas Verdes.
GL #59 (Mar 1968) – Primeira aparição de Guy Gardner, destinado a ser substituto eventual de Hal Jordan.
GL #76 (Apr 1970) – Primeira história de Dennis O’Neil: Hal Jordan questiona a ordem sem justiça dos Guardiões.
Nas histórias de Dennis O’Neil, a parceria de LV e Arqueiro Verde inicia a Era de Bronze dos quadrinhos, questionando a ética dos super-heróis.
GL #81 (Dec 1970) – Dennis O’Neil conta como os Guardiões saíram de Maltus para Oa.
GL #87 (Jan 1972) – Guy Gardner incapacitado por acidente com ônibus. Primeira aparição de John Stewart como LV substituto eventual.
1972-1976 – Com baixas vendas, a revista GL é suspensa em 1972 mas retomada em 1976, seguindo normalmente a numeração.
GL #123 (Dec 1979) – Culminando uma linha de histórias, Guy Gardner entra em coma.
GL #151 (Apr 1982) – Hal Jordan exilado no espaço por dar atenção demais à Terra. Continua LV, cumprindo missões por um ano. John Stewart fica como LV da Terra?
GL #181 (Oct 1984) – “Take This Job — and Shove It”: Hal Jordan pede as contas. Guardiões nomeiam John Stewart o LV permanente da Terra.
John Stewart casa-se com Katma Tui (sucessora de Sinestro em Korugar e sua treinadora). Durante a Crise nas Infinitas Terras, John Stewart é o LV da Terra.
Crisis on Infinite Earths revela que, quando investigou a origem de Tudo, Krona criou o multiverso. Que os oanos ficaram divididos sobre a forma de mitigar o mal. Os mais passivos tornaram-se os Guardiões; os mais intervencionistas foram embora de Oa e tornaram-se os Controladores.
Crisis on Infinite Earths #9 (Sep 1985) + GL #195 (Dec 1985) – Guy Gardner curado e convocado pela facção brigona dos Guardiões.
GL #198 (Mar 1986) – Tomar-Re morre em combate; Hal Jordan fica com seu anel e volta a ser LV.
Millennium (Jan-Fev 1988) – Guardiões vão embora do Universo, e a Tropa fica abandonada à própria sorte. Só fica para trás um Guardião, Appa Ali Apsa, que havia perdido a imortalidade como punição por seu comportamento nas histórias de Dennis O’Neil. Em Maltus, A.A. Apsa começa a treinar Guy Gardner, que se rebela. Apsa tenta retomar o anel de Gardner, mas Jordan livra a cara dele.
Secret Origins #22 (1988) – Revelado que, antes do GLC, os Guardiões haviam criado os robôs Manhunters. Quando os MH se rebelaram, os Guardiões fundaram o GLC.
O título GL torna-se Green Lantern Corps. Arisia, Ch’p, Kilowog, Katma Tui e Salakk vêm morar na Terra.
GLC #222-223 (Mar-Apr 1988) – A Tropa decide matar Sinestro. Em reação à morte de Sinestro, a Bateria Central é destruída. A maioria dos anéis perde o poder. (Na verdade, Sinestro não morreu; sua essência foi parar dentro da Bateria.)
GLC #224 (May 1988) – Último número da série. Lanternas Verdes passam a aparecer em Action Comics Weekly.
Action Comics Weekly #601 (Jul 1988) – Safira Estrela mata Katma Tui.
ACW #635 (Jan 1989) – Última aparição do GLC em ACW.
GL: Emerald Dawn #1-6 (Dec 1989 – May 1990). Reconta a origem do LV. Reboot do personagem.
GL: Emerald Dawn II #1-6 (Apr-Sep 1991) é continuação imediata de Emerald Dawn conforme a cronologia dos personagens, contando do treinamento do novato Hal Jordan pelo experiente Sinestro. Também reconta o banimento de Sinestro, que, nesta versão, é um tirano em Korugar, mas por ser obcecado com ordem e achar que está fazendo a coisa certa.
GL #1 (Jun 1990) – Imediatamente após o reboot de GL:ED, a DC inicia novo título do LV. A história continua do ponto onde havia parado ACW.
Os oito primeiros números de GL compõem a história GL: the Road Back, onde Hal Jordan, não mais LV, está em busca de uma finalidade na vida. Enquanto isso, A.A. Apsa enlouquece e começa a sequestrar para Oa as cidades que visitou em vários planetas. Jordan, Gardner, Stewart e outros vão combatê-lo. Entre os voluntários que auxiliam os LV está Tomar-Tu de Xudar. Quando os LV estão a ponto de ser derrotados por A.A. Apsa, os Guardiões retornam (GL #8, Jan 1991).
Em GL #8, a Bateria Central é restaurada e os Guardiões distribuem tarefas:
- Guy Gardner passa a ser o LV da Terra;
- Hal Jordan vai recrutar novos membros para recompor a Tropa;
- John Stewart fica incumbido de cuidar das cidades trazidas a Oa.
Após GL #15, inicia-se a série GL: Mosaic, onde Stewart é o protagonista e que dura 18 edições. Ao fim da série, Stewart torna-se o primeiro Guardião mortal.
GL #25 (Jun 1992) – Hal Jordan retorna à Terra para reassumir a antiga função. Guy Gardner desafia-o e perde o anel na porrada.
Guy Gardner Reborn #1-3 (1992) – Gardner recruta o auxílio de Lobo e recupera o anel amarelo de Sinestro em Oa.
Guy Gardner #1 (Oct 1992) – Início da série, que foi até o #44 (Jul 1996).
Superman #80 (Aug 1993) – Coast City destruída.
GL #48-50 compõem o arco Emerald Twilight.
GL #48 (Jan 1994) – Hal tenta recriar Coast City para trabalhar seu luto, mas é convocado a Oa para ser julgado por abuso do anel.
GL #49 (Feb 1994) – Jordan matando LV diversos, tomando seus anéis.
GL #50 (Mar 1994) – Hal mata Kilowog e Sinestro, destrói Bateria Central, mata os Guardiões. O último Guardião deixa anel para Kyle Rayner.
GL #51 (May 1994) – Primeira história onde Rayner é o novo LV.
Darkstars #21 (Jun 1994) – Com o fim do GLC, Stewart torna-se um Darkstar. Os Darkstars foram criados pelos Controladores.
A SEGUIR: ZERO HORA!
Minha resenha sobre os primeiros números de GL desde 1959 estava publicada no falecido Geocities e não fiz nenhum esforço para preservá-la. Algumas almas caridosas, porém, fizeram. Várias páginas estão recuperadas nos domínios www.reocities.com e www.geocities.ws, inclusive esta, que é minha: http://www.geocities.ws/jpcursino/ScPGLv1.htm
EOF
“Quando uma mente se expande, nunca mais volta ao tamanho original.”
Estava eu ontem conversando com uma amiga no almoço, contando-lhe de como assisti a Cosmos na infância. Para você que nasceu atrasado, Cosmos foi uma série em treze capítulos, escrita e apresentada pelo brilhante Astrônomo Carl Sagan, baseada no livro de mesmos nome e Autor. Foi exibida no Brasil na mesma época em que passou nos EUA: início dos anos 80. O assunto eram as maravilhas do mundo da Ciência, e Sagan procurava divulgar a beleza e o senso de descoberta e de admiração que a gente sente quando começa a estudar as ciências naturais e a Matemática. Havia capítulos sobre a biblioteca de Alexandria, sobre como Eratóstenes raciocinou que a Terra devia ser redonda e até calculou seu raio com precisão melhor do que 1%, sobre o disco da Voyager, sobre o googol (não o saite, o número)… Tudo de forma muito didática.
Graças a Cosmos, muitas crianças brasileiras e americanas passaram a se interessar por Ciência, foram tornar-se pesquisadores, biólogos, matemáticos, físicos, nerds. Os depoimentos abundam na Web. Ainda hoje muitos têm saudade, pouca coisa semelhante foi feita desde então, nada que superasse a original. Há quem suspire por uma versão atualizada, mas acho que não precisa (embora o próprio Sagan, pouco antes de morrer em 1996, tenha feito uma versão com adendos onde ràpidamente comenta os desenvolvimentos dos quinze anos anteriores, confirmando ou negando previsões).
Cosmos retratava muito bem a visão do ateu Sagan, na qual não é necessário um deus criador para que o universo exista, tenha seu próprio valor em si mesmo e seja muito mais mind-bogglingly overwhelming do que a mente humana possa alcançar. Sagan, o humanista, também dispensava um deus justiceiro como paradigma ético necessário para você se preocupar com o planeta e com seu semelhante e para ser gentil durante sua curta passagem pela Terra; haja vista o texto que acompanha esta foto: http://www.skyimagelab.com/pale-blue-dot.html. Sagan, o especialista em climas de outros planetas, mostrava que, mesmo sem “vida após a morte”, já estamos em sintonia com o universo na medida em que nossos corpos são feitos de poeira de estrelas (porque os átomos de nossos corpos se originaram na fornalha de um núcleo estelar) e se perpetuarão na eterna e cíclica conservação da matéria. Sagan, o filósofo, mostrava como a vida é preciosa, como é um bem tão improvável no universo que deve ser valorizada e preservada acima de tudo. Foi um dos grandes ativistas contra a corrida armamentista da Guerra Fria, alertando-nos sobre o risco de um inverno nuclear.
Em 1983, Cosmos foi exibida pela primeira vez no Brasil, nas manhãs de domingo da Rede Globo. Eu não queria perder um episódio, com sua inspirada trilha sonora de Vangelis imperturbada pelo silêncio matinal enquanto o sol entrava pela janela. Mas, em 1983, toda a minha turma faria primeira comunhão no colégio religioso. Como parte da preparação, teríamos que ir a tantas (sei lá quantas, umas vinte) missas dominicais ao longo do ano. Até que fui a várias. Mas o problema é que a missa era no mesmo horário de Cosmos. Aí eu tive um problema. As duas prioridades se chocavam em minha mente e o melhor compromisso a que pude chegar foi alternar domingos: num eu via Cosmos, no outro ouvia as histórias do deus misericordioso que podia enviar a todos para o Inferno se pensassem por conta própria ou vissem a vizinha tirar a roupa na janela.
Na época eu não percebi, nem por muito tempo depois, mas você observa agora o quanto esse embate era simbólico? Eu não sabia, mas, nas convoluções de meu cérebro pueril, havia uma decisiva batalha campal pelo domínio de minhas crenças. Duas trilhas, dois caminhos a seguir na vida, disputavam minha atenção: uma, mediante o senso de dever imposto por Dom Plácido (que até que era gente fina, mas, em retrospecto, tão fundamentalista quanto se poderia esperar de um monge dando catecismo à terceira série primária). A outra, através da paixão que me despertava pelo mundo do deslumbramento, do método científico, da exploração cética exercida pelas mentes curiosas. Absolutamente incompatíveis! Era uma briga de pólos radicalmente opostos! (Acho que essa última frase teve não um, mas dois pleonasmos; conte aí.)
Naquele ano, não fiz primeira comunhão com minha turma.
Mas naquele ano fui encaminhado, firme e inevitàvelmente, a percorrer o mundo com o olhar não do místico apavorado, mas do cético maravilhado, do cientista apaixonado.
O obscurantismo lutou bravamente, ainda fiz primeira comunhão no ano seguinte e fui crismado alguns anos depois. Mas, no final das contas, o relógio do relojoeiro cego já estava em movimento e não podia mais parar. Hoje minha dúvida é só quanto ao rótulo adequado.
EOF
DC annotations, January 1994
Superman: the Man of Steel #29 (Jan 1994), page 15 (as translated in Brazil in Super-Homem no. 128), panel 1, shows a lighted panel with the name “Mignola” on it. This is certainly a reference to penciller Mike Mignola, who had worked on Superman before.
EOF
Another collection of boring annotations
Again, these are my annotations on some comics I have read in the not too distant past, aiming mostly at myself and googlers. But you are welcome to enjoy them.
In items 1 through 6, the page numbers refer to the Superman: Krisis of the Krimson Kryptonite trade paperback.
1. Superman #49 (Nov 1990)
Page 9, panel 4: of course, “J.L. Byrne” is penciller and writer John Lindley Byrne, the artist who has had the most influence on Superman since 1986.
Page 10, panel 1: “alter-ego booster” is certainly a reference to Superman being Clark Kent in disguise.
2. Starman #28 (Nov 1990)
Page 60, panel 5: “Hanna” refers to inker Scott Hanna.
Page 61, panel 2: Time magazine has Batman on the cover. Of course, DC belongs to the Time-Warner group.
Page 61, panel 3, shows a cover from National Periodicals — DC’s old name.
3. Action Comics #659 (Nov 1990)
Page 78, panel 1: the kid on the left is wearing a Hulk T-shirt. This is a possible reference to both writer Roger Stern and penciller Bob McLeod’s previous work on The Incredible Hulk.
4. Superman #50 (Dec 1990)
Page 102, panel 2: “don’t let your current situation color the decision” probably refers to the red kryptonite.
Page 102, panel 5: “Dennis” is artist Dennis Janke.
Page 103, panel 2: “not so windy these past few days” because Superman is powerless, so he has not made the newspapers fly around as usual.
Page 106, panel 4, and page 107, panel 6: Kevin Dooley, editor.
Page 108, panels 2-5: nice, realistic dialogues. My favourite in this edition.
Page 112, panel 1: note an elongated Mr Fantastic, the Thing conveniently hiding his appearance under the pink fluid, and the Human Torch’s flames in the air. The Invisible Woman is nowhere to be seen…
Page 112, panel 2, refers to “fantastic new friends”.
Page 121, panel 1. Emphasis is put on the number of friends: four.
Page 121, panels 2-3 refer to the Impossible Man, an annoying but harmless foe (sort of) of the Fantastic Four.
Page 121, panel 4. The Fantastic Couple wears blue (clearly the right-hand one is a woman), and we can also see the Human Torch’s wake and the Thing, still under the pink slush.
Page 123, panels 1-3. After the 70s, villains are not in black & white. You come to understand that Luthor is a human being also, with virtues, and you come to understand some of his side, the life history that leads him to act as he does, his motivations. You see his reasons, which make all sense in his point of view — he is not necessarily “wrong”, and there is no wrong. Furthermore, Luthor’s dignity and reputation are unmarred by these revelations, since they are made by another person while he is unconscious, and, at that, by a maternal woman who cares for him, who understands him, and who has compassion for him.
Page 127, panel 2. Clark Kent’s novel has been published by Warner Books.
5. The Adventures of Superman #473 (Dec 1990)
Page 131. You can see an Elvis impersonator in the background.
Page 133, panels 4-6. This, added to Superman #49, page 10, panel 1 (see above), leads me to wonder. Has Lois already found out about Superman’s secret identity? After Action Comics #662 (where he reveals it to her), I have not read the followup Superman #53, so I would not know whether there Lois admits to having deducted it a while before. If she has by now, then Superman #49, page 10, panel 1, amounts to her teasing him, whilst this here instance in Adventures #473 is her way of allowing him the dignity of keeping the secret while unprepared to reveal it and saving face at the same time. Will have to check.
Page 140, panels 2 and 4; page 141, panels 1-2; page 142, panels 2-3; and page 143, panel 1: the USAF has never operated F-14s, none has ever been operated in Wyoming, F-14s have never been painted in camouflage, and the camouflage does not match any USAF standard, though these are accurate depictions of F-14s.
Page 143, panel 6, is a refreshing attempt at humour where the comics do not take themselves too seriously.
6. Action Comics #660 (Dec 1990)
Page 158, panel 2, provides for an interesting comparison between the customs of 1990 and those of 2010. Twenty years ago, no one who had their wits about them would think of bringing a mobile phone to a date. It was impolite to others and a bulky nuisance to self. Twenty years later, no one thinks of not bringing the mobile wherever. Reading this page in 2010, it is a stark contrast that, though I had thought that so little had changed, some things can already be traced as markedly different. Readers’ assumptions are clearly supposed to be significantly different in this respect between the two decades.
In another note, panel 2 goes to show how much of a workaholic Lois is, going to the extreme of bringing her mobile along on a date.
Page 158, panel 3. Look at the size of this gadget! Those are batteries for you!
7. Doom Patrol #47 (Sep 1991)
As published in Doom Patrol volume 4, page 159, panel 2, reads “DP inker – new dad!”, which should lead me to assume that inker Mark McKenna (who probably filled those headlines) had just become a father. Likewise panel 4 reads “Congrats”.
8. Detective Comics #659 (May 1993)
As published in Brazil in Liga da Justiça e Batman no. 8, page 8, panel 1: “Simpson Flanders” seems to be an obvious joke on the Simpsons’ neighbour Ned Flanders. Dr Flanders appears again in Robin #1 (Nov 1993).
9. Flash #76 (May 1993)
As published in Flash: the Return of Barry Allen, page 60, panel 4, refers to a certain Broome Building. John Broome was the Flash’s main penciller during the Silver Age.
10. Justice League America #80-83 (Sep-Dec 1993)
Evidently, the two alien fugitives’ names, Blake and Corbett, are references to those old scifi TV series, Blakes 7 and Tom Corbett, Space Cadet.
11. Action Comics #692 (Oct 1993)
As published in Brazil in Super-Homem no. 126, page 47, panel 3, the oldest reference on Doctor Occult is a passage from the Daily Planet dated 1935. I take this as an homage to DC’s oldest character, Doctor Occult, who first appeared in New Fun Comics #6, October 1935, thus predating even Superman (whose Action Comics #1 is from June 1938).
12. Superman: the Man of Steel #28 (Dec 1993)
Conforme publicada em Super-Homem no. 127, página 3, quadro 1, e página 25, quadro 1: “Jotapê” é Jotapê Martins, da equipe de tradutores do Estúdio Art & Comics, que fazia a tradução dos títulos da DC em 1995.
As published in Brazil in Super-Homem no. 127, page 8, panel 2, the pizza carton from “Titano’s” is a reference to Titano, the giant monkey from Superman Annual # 1 (1987).
13. Batman #502 (Dec 1993)
As published in Brazil in Batman no. 5, page 44, panel 4, Mad magazine appears on a rack, presumably with Alfred E. Neuman on the cover (obviously). Mad is published in the US by DC Comics.
14. The Adventures of Superman #507 (Dec 1993)
Conforme publicada em Super-Homem no. 128, página 3, quadro 2: novamente, “Jotapê” é Jotapê Martins.
Página 7, quadro 1, contém uma referência a Superboy no. 2 dando a entender que conta a história da morte de Adam Grant. Entretanto, a última edição antes de Adventures #507 é Superman #84 (Dec 1993), que saiu em Super-Homem no. 127 e que é a que mostra essa morte. A história que saiu em Superboy no. 2 (junto com outras que não vêm ao caso) é a de Superman #85 (Jan 1994), que, na verdade, é posterior a Adventures #507 e lida com as consequências imediatas do evento, mas não é onde ocorre o próprio.
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Swamp Thing annotations to Greg Plantamura
Agora há pouco, enviei este texto ao Greg Plantamura. Estou dividindo com potenciais googladores. Não é necessariamente com você.
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Hello. I keep on perusing your Swamp Thing pages. Quite a job, may I insist.
Earlier today I was reading New Titans from 1993. There is a sequel to Swamp Thing #60 there!!!
Cyborg went catatonic some ten or twelve issues before New Titans #103 (Nov 1993), losing his memory and, in fact, all ability at communicating. In this issue, he is at the S.T.A.R. Labs, where Team Titans’ Prester Jon is attempting to interface with his inner circuits. Late in this issue, the cause of tampering is found to be a group of aliens who are the avatars of beings from a machine planet.
In New Titans #104 (Early Dec ’93), the Titans are brought to the aliens’ planet — lo and behold, that’s the machine planet from “Loving the Alien” (Swamp Thing #60). It transpires that Swampy’s visit, years before, brought the planet out of a stagnation state. Some of its “life” forms learned then of new ways and became curious about this “life”. As a consequence, they left their cradle and went out into the stars, seeking understanding, which ultimately led to Cyborg being hacked. I am still at this point in my reading, so I do not know where this leads, but there you have it.
In NT #104, Marv Wolfman attempts to describe the machines’ world in much the same way as Alan Moore had, but fails. Just as in ST #60, panels are disjointed from one another, and the text floats in off-narration with sentences that are not to be much understood. Anyway it lacks Moore’s spark (which, it is my feeling, was also missing from the original #60, which was very poor in my own POV — still, that was Moore, for better or for worse).
In fact, NT #104 has a two-page spread panel where the Titans arrive at a gate to the machine planet’s core. It pretty much imitates Spock’s venture into V’Ger in Star Trek: the Motion Picture — and, instead of a fixed, aloof Ilia figure, what do we have? Four Swamp Thing figures, which I believe correspond precisely enough with the Green’s four avatars selected by the Parliament of Trees for the Regenesis/Spontaneous Generation storyline — you know, Ghost Hiding In the Rushes, Kettle-hole Devil and their likes.
In my opinion, NT #104 sucks. Still, I think it a worthy reference and one you might like to purchase from online second-hand retailers such as Mile High Comics, My Comic Shop etc. etc. so you can check it for yourself. And you will have the benefit of checking the original, for I have so far only had access to Brazilian translations, which leave out some of the text.
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On another note, I made a mistake years ago when I wrote to you on Swamp Thing #70. You wrote up an annotation and credited it to me (thank you), but in fact I should have referred to issue #71, and so should you. Please check! The annotation is part of the issue #70 annotations and goes like this:
“PAGES 22-23:3 João Paulo Cursino pointed out to me that the sound effects “SHLOEL BSSTTE TTLBN” sound like the artists names Bissette and Totleben. But who is Shloel?”
… except I should have referred to issue #71, where those pages were printed.
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On a third note, please check Swamp Thing #34, included in the beautiful storyline of volume 2. Page 20 (to be sure: I refer to the page with text “With me.”, “With him.”, “…”) — does page 20 not depict a woman’s vulva, very clearly in front of you? You can clearly distinguish the labia, the clitoris, there’s even a lot of hair around it. I think this was the intent there. It is a beautiful piece of art by Bissette and Totleben, who managed to disguise it from moralists by making it look like a piece of plant. The things those guys managed to get away with, the madness of Moore, the best hiding of things in plain sight…
Another vulva, I think, can be found in issue #70 (“The Secret Life of Plants”), in page 17 (the one where Abby lies down on some orchids), albeit in a more symbolic sense. Please take note of the orchid’s shape.
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And issue #65, page 14, panel 5 — Take note of a tire at the bottom right corner. Is the brand not “Alcalá”? :-)
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Issue #66, page 2 — “Len and Berni were here 1972″. Indeed. Len Wein and Berni Wrightson created S.T. in 1972. Apparently they did so as they sat in Arkham Asylum. That explains it. :-)
Would you please check these and add them to your notes?
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Cliff’s Notes para Os Sertões
Euclides da Cunha foi aquele escritor celebrizado pelo episódio global em que foi corneado pelo cineasta Guilherme Fontes. Seu grandiloquente relato Os sertões é considerado uma das grandes e clássicas obras da literatura brasileira. Infelizmente, também é considerado um livro intragável, porque, além de longuíssimo, usa de um vocabulário mais rebuscado que igreja barroca.
Mas, agora, seus problemas acabaram! O Sr Atoz, em um serviço de utilidade pública, oferece abaixo um resumo de Os sertões em apenas um parágrafo! A saber:
Multidão de fudidos vai morar numa enorme favela no sertão da Bahia para seguir as profecias de um lunático que diz que o fim do mundo está próximo. O Exército cerca a área e sobra pipoco pra todo o mundo. Fim.
Não sei por que ainda ficam botando dificuldade naquilo que é simples.
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Os superpoderes de Sniper Serra
Sei que não fica bem kibar o belogue dos outros. Mas é que esta aqui do Sniper Serra é tão boa, mas tão boa, que tenho que passar adiante assim.
Porque é muito nerd! O primeiro que vier aqui na caixa de comentários e acertar a ligação entre as figuras e a frase no final ganha um prêmio!
E tem esta aqui também, que já me convenceu da Jovemnerdice de Sniper Serra. Vou ter que adicioná-lo a meus feeds!
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Sobre a experiência de ir assistir a Homem de Ferro 2
Não vou falar sobre o filme. Não precisa. É muito bom, etc. Armaduras que voam, muitas metralhadoras, projéteis perfurantes e explosivos. Pode ler tranquilo, não vou revelar detalhes que estraguem surpresas pra ninguém.
Vou falar sobre como foi ir ao cinema desta vez.
Quando você compra ingresso para o Kinoplex, você escolhe o lugar com antecedência. Fui à Internet na última sexta-feira à noite e me pus a escolher no Shopping Tijuca, sala 6. Como tenho feito desde 2006 (ou antes, não estou certo), preocupei-me em ficar o mais colimado possível com o centro da tela. Infelizmente, a representação da sala no computador é apenas esquemática, de modo que não se pode ter certeza de nada. Medindo com régua, o meião da sala ao longo da horizontal eram os assentos 14 e 15, mas e na vertical? A única certeza que eu tinha era que a fileira bem no meio não correspondia ao meio da altura da tela. Meio no chute, imaginei que a fileira ideal fosse um pouco acima da metade, entre M e Q. Alguns assentos na periferia da sala estavam ocupados, mas a maioria não. Aí, observei que O14 e 15 também estavam ocupados. Mas que incrível coincidência: dois dias antes da sessão, alguém comprara ingressos bem no meio da horizontal e na zona que parecia ser o meio da vertical. Deduzi que os ocupantes deviam ser cinéfilos profissionais que sabiam o que estavam fazendo.
Como dizia o Chapolim Colorado, “sigam-me os bons”, então fui na aba dos connoîsseurs, escolhendo a segunda-melhor fileira, que seria a P. E fiz uma nota mental de manifestar minha apreciação pela nerdice ao encontrar a figura sentada à minha frente.
Aaah, tá, vou falar do filme. Mas só um pouquinho, tá?
Bem no comecinho, você descobre que o vilão é um klingon. Se souber por quê, por favor, diga aqui nos comentários que, se acertar, eu prometo que ganha um prêmio. (Não vou pensar em qual. Um problema de cada vez.)
O laboratório de Tony Stark continua tendo um telão com o noticiário. Tal como no primeiro filme, onde fizeram product placement esperto da Dell, desta vez as beneficiadas foram a LG, a Kodak, a Oracle (mencionada explicitamente pelo menos duas outras vezes), a Sega (que, suponho, deve ter lançado o VG do filme) e a Audi — que também ganha um painelzão de vários metros de altura e, claro, é a marca que Stark dirige. Kodak aparece novamente em velhos rolos de filme. Quando fores assistir, faz favor, vê se deixei algum nome de fora.
Na primeira cena com Scarlett Johansson, Tony Stark está treinando com Happy Hogan e a chama para subir aonde ele está. Segue-se uma tomada em close do rosto da moça. Tão em close que dá para ver as espinhas por baixo da maquiagem. Photoshop FAIL.
Vamos às aeronaves. As deste filme não fugiram ao padrão do anterior, mas são menos numerosas. Aparecem um C-17 no começo e B-1, B-2, C-17, F-16 e F-22 na base aérea de Edwards. Os F-16 têm o esperado código de cauda ED, assim como o traje do Máquina de Guerra, que, pelo que eu tenha reparado, não é mencionado pelo nome. O esquadrão VX-25 identifica uma das armaduras, mas, pelo que pesquisei, não existe. Novamente, o jato executivo de Stark não é nenhum que exista, mas me parece um projeto que a Sukhoi desenvolveu por um tempo nos anos 90, parecido com uma versão espichada do turboélice Piaggio Avanti.
Aqui cabe um comentário sobre a tradução que legendou o filme. Quando Rhodes pergunta a Stark se o equipamento é “supposed to smoke”, a tradução correta é perguntar se era para estar saindo fumaça — e não se era “para fumar”, como se o paládio do peito de Stark fosse uma caixa de charutos. No finalzinho do filme, “stable-ish” não é “estável”, mas “quase estável”. Isso foi o em que reparei. Estava muito concentrado no filme para observar legendas, mas essas me chamaram a atenção.
Naturalmente, em um filme desses ninguém espera que se vá respeitar completamente o fundamento científico. Nem teria graça, òbviamente. Por isso, vou observar só um detalhe impussívi, que é o seguinte. É verdade que a raça humana tem a capacidade prometeica de sintetizar novos elementos químicos: todos os que vêm depois de 92 na tabela periódica são prova disso. Também é verdade que o jeito de fazê-lo é usar um acelerador de partículas para jogar núcleos atômicos um contra o outro. Só que o que não é verdade é que um tal acelerador caiba em um laboratório doméstico — na vida real, estaria mais para o LHD (se bem que esse também é um monstro de exagero). Menos ainda o método seria jogar um raio pra cima de uma pecinha triangular presa em um torno e menos ainda se esperaria que, miraculosamente, a pecinha deixasse de ser feita de seu material (whatever seja) para passar a estar constituída do tal novo elemento químico. Aliás, quanto mais novo o tal elemento, mais fuderoso tem que ser o acelerador, e o do filme é uma piada. Por fim, na vida real a primeira coisa seria jogar a pecinha num espectrômetro de massa para se ver do que é feita e se realmente se trata do tal novo elemento, sem achismos. Afinal, método científico é isso. A tentativa poderia ter dado errado; tem que submeter a testes pra saber. E não “congratulations, sir, acabou de criar um novo elemento”, como se Ciência se construísse no improviso, por mais prodigioso que seja o intelecto starkiano. Mas relevemos. Adiante.
Agora, existe uma inconsistência em que tenho reparado em todos os filmes que envolvem computadores-que-controlam-coisas e personagens-que-sabem-driblar-criptografia-e-invadir-sistemas-alheios. Já faz 25 anos que estamos usando Windows, em uma ou outra encarnação. Mesmo assim, você já notou que, nesses filmes, os especialistas em segurança de informação NUNCA usam o mouse? Aliás, as máquinas nem têm o ratinho! É tudo feito via linha de comando, desde o tempo de Tron e Jogos de Guerra. A impressão que dá é que todo o mundo, do Pentágono às Indústrias Stark, passando pela Batcaverna e pelos alienígenas de ID4, todo o mundo ainda está rodando alguma interface de UNIX ou MS/DOS, a mais primitiva que conseguir!
(Suponho que seja mais dramático assim. Afinal, você sempre escuta o bater frenético dos dedos sobre as teclas, bastante aumentado em relação à vida real, enquanto o foco normalmente está no rosto do ator. Já com o mouse, você teria que acompanhar o ponteiro na tela, e os cliques seriam poucos e silenciosos, quebrando o ritmo e alienando os alienados que não usam computador — e que talvez ainda sejam maioria, apesar dos esforços de Bill e Steve.)
Mais uma vez, a trilha sonora encaixou direitinho. São oportunas Another One Bites the Dust, do Queen, e todas as inserções de metal pesado, tal como as do primeiro filme. Uma faixa que me surpreendeu — por não ser exatamente um exemplo de popularidade — foi Pick Up the Pieces, pràticamente igual à versão do disco A Hot Night in Paris, da Phil Collins Big Band, de 1999. É a musiquinha instrumental que aparece na cena em que o personagem Justin Hammer faz uma dancinha em cima de um palco.
Antes de eu passar à cena final, chamo sua atenção para a indefectível participação de Stan Lee. Bem que eu estava achando que o Larry King não fosse tão magro.
Mas vamos à tão esperada cena final. Esperada, certo? Claro! Porque, depois que as letrinhas subiram no primeiro filme do Homem de Ferro, todos vimos a verdadeira última cena, com Nick Fury na mansão de um perplexo Tony Stark, sem dizer como conseguiu entrar e começando um discurso sobre a Avenger Initiative.*
O quê??? Você é um daqueles trouxas que se levantam quando as letrinhas começam? Você perdeu a cena mais maneira do primeiro filme? Ah, mas não vai dar esse mole de novo, né. Afinal, você teve dois anos para saber o que havia perdido, e até alugou o DVD para conferir. Ou também é daqueles que dão stop assim que começam as letrinhas no DVD?
Pois é. Desta vez aconteceu de novo. As luzes nem se haviam acendido e já tinha mogalera fugindo do cinema, parece até que tem formiga na cadeira. É fobia, só pode ser! Não sei o que é tão repulsivo, mas a impressão que dá é que o cinema vai irromper em chamas se não estiverem todos do lado de fora quando acabar o rol dos atores.
Mas tenho a impressão de que havia muitos gatos escaldados também, porque um número incomum de nerds ficou sentadinho esperando subir todas as letrinhas. E olha que tem letrinha pra caramba! Passaram os nomes de todos os pintores, gesseiros, jardineiros (não estou brincando, pode conferir) e, básico, aquele mundão de gente que trabalhou nos CGI do filme, que é o que mais toma os créditos hoje em dia.
Antes do fim dos créditos, rolaram agradecimentos a John Byrne, Romita Jr., Romita Sr. e — desculpe, esqueci quem era o outro quadrinhista. Provàvelmente pelas diversas ideias que foram sendo usadas ao longo do filme.
E afinal não nos decepcionaram. Veio a última cena e foi bem legal. É óbvio que não vou contar nada dela, mas os conhecedores de Marvel (ainda que beeeeem superficiais) vão reconhecer. É fugaz, somente um segundo de filme ou dois, os últimos antes do escurecimento definitivo. E me faz pensar… Não vi o segundo filme recente do Hulk (não se preocupe, a cena não tem nada a ver com ele; eu disse que não ia contar o que era e mantenho a palavra); mas algo me diz que tenho que alugar o DVD, nem que seja só pela eventual cena pós-créditos, que nem sei se tem. Só pelo gosto, porque nem há um quebra-cabeças a ser montado. Sabemos no que vão dar essas ceninhas, temos lido.
Ah, sim, o cinéfilo do assento O15 mostrou que tinha escolhido O de otário. Foi embora assim que os créditos começaram a subir. Como disse minha companhia, não era especialista coisa nenhuma: deve ter escolhido o assento porque a mulher dele se chama Olga e 15 foi o dia em que ele se casou.
* Não sei traduzir isso. Iniciativa dos Vingadores? Iniciativa Vingadora? Iniciativa Vingadores? Leitores de Marvel, sugiram.
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Some more comics annotations
All information here is garnered from the Brazilian translations of these issues, which were published in Superalmanaque DC no. 2 (June 1991). They are listed here in the order in which they appear there, which is the order in which they are supposed to be read as part of the Janus Directive storyline.
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Checkmate! #16 (May 1989) — pencils by Rick Hoberg
In page 3, panel 6, a helicopter attack is represented on Project Atom which is the exact selfsame attack depicted in Suicide Squad #27 — an issue immediately preceding this one here. In Checkmate! #16, the helicopter can be identified as a twin-engine Bell AH-1 Cobra. Curiously, in SS #27, the helicopter was no current type, instead being some generic design contrived by the penciller. I would suggest they coordinate somewhat better if they wanted to appear so ingenious in showing continuity.
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Checkmate! #17 (Jun 1989) — pencils by Steve Erwin
In pages 4 and 5, the helicopters are respectively a long-cabin Bell 206 and a Bell 212. If I could venture a guess, I would say that the penciller was resorting to some Bell calendar to draw his pictures from.
Page 9, panel 3; page 14, panels 4 and 7 — The spaceship is Starblade, directly from the pages of Spacecraft 2000-2100 AD, by Stewart Cowley.
Page 16, panels 3 and 4 — The helicopter is a Hughes 269 (TH-55 Osage).
Page 19, panel 5; page 20, panel 3; page 23, panel 3; page 24, panel 1 — The helicopter appears to be an Aérospatiale AS 365, even though its first appearance gives it the front of an SA 360.
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Suicide Squad #29 (1989) – pencils by John K. Snyder III
Page 16, panel 1 — The Starblade features prominently at a picture that is a near-replica of the original from Spacecraft 2000-2100 AD.
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Checkmate! #18 (Jun 1989) — pencils by Steve Erwin
Throughout this issue, the USAF fighters are clearly those seen in An Illustrated Guide to Future Fighters and Combat Aircraft, by Bill Gunston, as the British Aerospace P.1214-3. The Brazilian edition of Gunston’s work (Aviões do futuro) has them on volume II, page 43. In Checkmate! #18, the same picture can be seen on page 17, with the major difference that the single, fuselage-mounted engine has been replaced by four engines under the wings. Other depictions are seen on pages 1, 12, 18 and 19.
Likewise, the Starblade is featured throughout, notably on pages 14, 15, 18, 19 and 20.
Page 21 — The landing on the Starblade’s cargo bay was unlikely enough, to say the least. Now they compound it with a charge very much resembling one of those from the silly G.I. Joe cartoon, which, to be sure, was contemporary to this issue.
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Suicide Squad #30 (1989) — pencils by John K. Snyder
Page 19, panel 2 — Starblade again.
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Mais anotações a quadrinhos
Toda a informação aqui foi apanhada das traduções brasileiras destas edições, que foram publicadas em Superalmanaque DC no. 2 (junho de 1991). Elas estão listadas aqui na ordem em que aparecem lá, que é a mesma ordem em que devem ser lidas como parte do arco Conspiração Janus.
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Xeque-mate #16 (maio de 1989)– desenhos de Rick Hoberg
A página 3, quadro 6, representa um ataque de helicóptero ao Projeto Átomo que é o mesmo e exato ataque mostrado em Esquadrão Suicida #27 — uma edição imediatamente precedendo esta aqui. Em Xeque-mate #16, pode-se identificar o helicóptero como um Bell AH-1 Cobra bimotor. Curiosamente, em ES #27, o helicóptero não era qualquer tipo atual, sendo, em vez disso, de algum formato genérico imaginado pelo desenhista. Eu sugeriria que eles se coordenassem um pouco melhor se quisessem parecer tão engenhosos em mostrar continuidade.
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Xeque-mate #17 (junho de 1989) — desenhos de Steve Erwin
Nas páginas 4 e 5, os helicópteros são, respectivamente, um Bell 206 de cabine longa e um Bell 212. Se eu pudesse arriscar um palpite, diria que o desenhista estivesse recorrendo a algum calendário da Bell de onde tirar suas figuras.
Página 9, quadro 3; página 14, quadros 4 e 7 — A nave espacial é a Starblade, diretamente das páginas do clássico Naves espaciais 2000 a 2100, por Stewart Cowley, livro tão fácil de se encontrar nos sebos do Rio de Janeiro e, até há uns anos, na promoção dos encalhes da Sodiler.
Página 16, quadros 3 e 4 — O helicóptero é um Hughes 269 (TH-55 Osage).
Página 19, quadro 5; página 20, quadro 3; página 23, quadro 3; página 24, quadro 1 — O helicóptero parece ser um Aérospatiale AS 365, apesar de sua primeira aparição lhe dar a frente de um SA 360.
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Esquadrão Suicida #29 (1989) — desenhos de John K. Snyder III
Página 16, quadro 1 — A Starblade aparece com destaque em uma figura que é quase uma réplica da original de Naves espaciais 2000 a 2100.
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Xeque-mate #18 (Jun 1989) – desenhos de Steve Erwin
Por toda esta edição, os caças são claramente aqueles vistos em Aviões do futuro, de Bill Gunston, no volume II, página 43, como o British Aerospace P.1214-3. Em Xeque-mate #18, pode-se ver a mesma figura na página 17, com a grande diferença de que o motor único, montado na fuselagem, foi substituído por quatro motores sob as asas. Outras representações são vistas nas páginas 1, 12, 18 e 19.
De forma semelhante, a Starblade aparece ao longo da edição, notavelmente nas páginas 14, 15, 18, 19 e 20.
Página 21 — O pouso no compartimento de carga da Starblade era improvável o bastante, para se dizer o mínimo. Agora, eles o compõem com uma carga que em muito se assemelha a uma daquelas dos infantis desenhos animados dos Comandos em Ação, que, note-se, eram contemporâneos desta edição.
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Esquadrão Suicida #30 (1989) – desenhos de John K. Snyder
Página 19, quadro 2 — Novamente a Starblade.
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More dull annotations on comics
These are my annotations on some comics issues I have read not too long ago. They are not meant to be interesting to the general public, but only to myself and to those who google for them.
Batman #500 (Oct 1993)
Page 7, panel 2; page 8, panel 5; page 23, panel 6; and page 24, panel 1 – Jordan B. Gorfinkel, Assistant Editor.
Page 23, panel 6 — Does the sign not remind you of Geoforce?
Page 52 — The car’s impact was reused in 2005′s Batman Begins.
Superman: the Man of Steel #26 (Oct 1993)
Page 19 (Brazilian edition), panel 3 — The Cyborg’s eye and teeth are reminiscent of Swamp Thing‘s Anton Arcane as seen after death in Alan Moore’s run.
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Estas são minhas anotações a algumas edições de quadrinhos que li há não muito tempo. Elas não pretendem interessar ao público em geral, mas apenas a mim mesmo e àqueles que googlarem por elas. A numeração das páginas e dos quadros segue a das edições originais.
Batman #500 (Oct 1993) — publicada em Batman no. 4 (junho de 1995)
P. 7, quadrinho 2; p. 8, quadrinho 5; p. 23, quadrinho 6; e p. 24, quadrinho 1 – Jordan B. Gorfinkel, Editor Assistente.
P. 23, quadrinho 6 — O símbolo não lembra o do Geoforça?
P. 52 – O impacto do vagão foi reutilizado em Batman Begins, de 2005.
Superman: the Man of Steel #26 (Oct 1993) — publicada em O retorno do Super-Homem no. 3 (novembro de 1994)
P. 19 (edição brasileira), quadrinho 3 — O olho e os dentes do Superciborgue remetem aos de Anton Arcane após a morte, conforme representado no período em que Alan Moore escrevia o Monstro do Pântano.
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Capanema, doutores de Coimbra, educação e ideologias
Neste País tropical, abençoado por Deus, onde em fevereiro tem Carnaval e o J. Ben tem uma nêga chamada Teresa (palavras dele, não minhas), temos algumas concepções paternalistas e clientelistas que extraímos desde Roma, passando por Portugal medieval e chegando aos dias de hoje.
Como resultado dessas concepções, nossas elites sempre enviavam seus filhos a se instruírem em Coimbra e a se tornarem “doutores”, mesmo que nunca fossem usar o conhecimento. No período republicano, insuflados pela ilusão de que mobilidade social existe, somos levados a crer que você não é ninguém se não tiver estudo. Bem, não exatamente. Você não é ninguém se não tiver um título. Não faz diferença se domina o assunto ou não.
Então, antes de vir administrar os negócios da família e a compra e venda de escravos, o jovem de tradicional estirpe tinha que ser médico, engenheiro ou advogado. De preferência, advogado, que assim você conhece as fórmulas que obtêm o favor dos deuses. O advogado torna-se uma espécie de pontífice, de sacerdote, com todos os privilégios associados à função. Vêem-se (porque a sociedade os vê) acima dos demais mortais, sabedores dos sortilégios sagrados das artes ocultas, revelados somente a iniciados. Mais ou menos feito os alquimistas.
Com o tempo, a saturação dos mercados e fartas doses de mediocridade, preguiça e hipocrisia, disseminou-se uma noção mais vaga, de que, de qualquer forma, você tem que ter um diploma universitário, qualquer diploma universitário, para conseguir qualquer coisa, para ser alguém, para ter dignidade. Não importa diploma de quê, nem onde. Você acaba forçado a fazer faculdade, mesmo que ìntimamente não queira, porque ninguém te aceita de outro modo. Agora, então, que a Lei de Diretrizes e Bases facilitou a obtenção de diploma para cursos de nível superior em menos de três anos, é como se ninguém mais tivesse desculpa.
Uma noção completamente falaciosa. As pessoas ficam achando que o papel da universidade é servir de curso profissionalizante, como se só houvesse profissões se de nível superior. Algumas viram cursinho para passar em concurso. Chega-se ao absurdo de se supor que todo o mundo tem que ter feito faculdade. Um País de doutores. Sabemos com que qualidade. Sei de doutores que não conseguem soletrar o próprio nome.
Ficam desprezados todos os técnicos, e essa gente esquece que, sem técnicos, não se constrói um país. Não dá pra ter só engenheiro; alguém tem que saber operar no chão de fábrica. Não dá pra ter só cirurgião dentista; alguém tem que saber cuidar do instrumental. O técnico é fundamental.
Mas conhecemos a visão que impera. As pedagogas de voz áspera, aquelas que nunca entraram numa sala de aula mas não deixam de comparecer a um debate na TVE, realmente acreditam que, se você não faz uma faculdade, você automàticamente é um fracassado.
Não há de ser outra a mentalidade que motivou certo artigo que encontrei na Revista de História da Biblioteca Nacional, edição no. 2, de agosto de 2005.
A matéria é uma biografia de Gustavo Capanema em quatro páginas. Já começa por uma ambivalência: na chamada, afirma que Capanema “foi um ministro renovador e idealista”, citando carta de Lúcio Costa que elogia o arrojo do prédio do MEC no Centro do Rio e o atribui à visão do mecenas; mas, poucos parágrafos adiante, esclarece como esse intelectual mineiro chegou a ministro:
Capanema acompanhou os mineiros, quer na fase da campanha eleitoral, quer na da conspiração, tornando-se oficial de gabinete de Maciel, por sinal, seu primo. Vitoriosa a revolução [de 1930], o presidente de Minas foi o único a não ser afastado do cargo pelo chefe do Governo Provisório. Seu oficial de gabinete tornou-se o secretário do Interior e Justiça (…) Campos e Capanema articularam um plano para ‘liquidar’ a liderança do mais poderoso político mineiro, Artur Bernardes (…). Uma briga de cachorro grande (…) que aproximou Vargas de Capanema, pois foi ele que intermediou as sigilosas conversações entre poderes estadual e federal. (…) Maciel morre e Capanema assume, interinamente, o cargo de interventor federal, postulando uma efetivação.
Os grifos são meus. Mas quer dizer: a Autora abre o texto enaltecendo o ministro visionário, mas mostra como ele armou para subir a escada do poder à medida em que se instalava uma ditadura no País.
Já ministro da Educação e Saúde, Capanema estava encarregado de sistematizar o ensino em todo o Brasil. Havia um debate entre correntes leigas e religiosas, entre estatizantes e liberalistas.
Essa discussão se prolongou, sendo interrompida pelo golpe de 1937, que deu ao ministro a liberdade de encaminhar suas propostas conforme as diretrizes autoritárias, nacionalistas e centralizadoras do Estado Novo.
Não é que eu seja fundamentalmente contra o modelo educacional. Provàvelmente ele estava correto, considerando que a geração que foi à escola nos anos 40 não é tão ignorante quanto as posteriores — ressalvado, aí, seu viés por vezes doentio, exageradamente positivista, nacionalista, integralista até; por culpa mais do Estado conformador do que dos próprios alunos. O lance é que, seja que modelo for, não é assim que se implementa. O cara é incensado como gênio da educação, mas parece não ter se pejado em simplesmente mandar cumprir o que achava que estivesse certo. Grande exemplo estava dando.
Bom, mas eu me estendo em digressões. Esse nem era para ter sido o foco principal. O que mais chamou minha atenção foi a seguinte passagem:
a reforma também criou cursos profissionalizantes, voltados para os que não seguiriam carreiras universitárias. Como é fácil perceber, eles se destinavam aos jovens menos abastados, o que se contrapunha aos ideais de uma educação pública única e de boa qualidade.
Esse trecho está tão errado que nem sei por onde começar. Deixe-me seguir na ordem da leitura.
Primeiro: por que a Autora considera que os cursos profissionalizantes sejam voltados a quem não iria para a faculdade? Veja só que ela escreve por exclusão: “os que não seguiriam carreiras universitárias”. Presume-se que o padrão seja você fazer faculdade e que os demais se definam por não seguirem a regra. O pressuposto é que a universidade seja o certo, o óbvio, e que os refugos vão fazer escola técnica. Como se não houvesse a opção de não fazer universidade; como se não pudesse parar no primeiro ou segundo grau. A escola técnica surge como opção de quem perdeu, de quem é excluído, ráuli.
Segundo: “como é fácil perceber” — fácil para quem, cara-pálida? Há uma certa arrogância no texto: para ela, tudo que for dito depois são verdadeiras obviedades e, em princípio, o Leitor que não concordar tem dificuldade de perceber algo que está na cara.
Terceiro: “eles se destinavam aos jovens menos abastados” — ah, quer dizer então que escola técnica é pra pobre, é isso? Se escolho ser técnico, é porque sou um proletário limitado, emburrecido talvez pelo simples fato de ser pobre e, portanto, incapaz de alcançar um ambiente intelectual mais elevado — é essa a mensagem? Depois do primeiro grau, não convivi mais com gente rica, mas, desde então, já conheci várias pessoas que fizeram escola técnica e que não tinham dificuldade nenhuma de se sustentarem com isso.
Quarto: “o que se contrapunha aos ideais de uma educação pública única” — hein? Quer dizer que as escolas técnicas não têm como se inserir num sistema de ensino? O Senhor Ministro não sabe onde encaixá-las, elas não se destinam a formar doutores — então, estão fora do sistema unificado, é isso? Estão entregues ao descontrole, estão à margem, é essa a ideia? E o que que eu digo pra quem acabou de entrar no CEFET?
Quinto e talvez pior de todos: “o que se contrapunha aos ideais de uma educação pública (…) de boa qualidade”. Então, quer dizer que as escolas técnicas são todas ruins, é isso? Só está certo quem seguiu o caminho virtuoso da universidade; todos os demais são desqualificados e, se o curso é técnico, então automàticamente o curso é ruim — é isso? Por que a Autora não diz logo que tinha que acabar com o SENAI e rasgar o diploma de todos os soldadores, mecânicos e técnicos em Radiologia? Será que ela realmente acha que conseguiria sequer ter luz e água encanada em casa sem esse pessoal? O que o texto está dizendo é: “você nunca vai ter educação pública de boa qualidade se continuar formando técnicos”. Vá perguntar o que um russo, o que um alemão acha disso. Vá ver o que estão fazendo na China.
E era aqui que eu queria chegar. Nota-se aí mais uma das manifestações desta nossa ideologia do diploma. A Autora absolutamente despreza quem não tem é doutor em Ciência Política pelo IUPERJ ou pós-doutor pela Sorbonne. Essa é a exata visão da nossa cultura dos bachareis de Coimbra, do grau universitário como único reconhecimento de valor social. Uma cultura de opressão, onde alguns arrotam erudição e “falam difícil” para outros ficarem impressionados e temerosos, ignorando que os primeiros, muitas vezes, são tremendos enroladores que sequer aprenderam o básico das primeiras disciplinas da graduação, quiçá do próprio segundo grau. Uma cultura que não conhece o conceito de accountability (e por isso não tem nome para ele), onde professores titulares não aparecem para dar aula “porque estão acima disso”, onde a ocupação de qualquer sinecura autoriza o alto bradar da pergunta, “você sabe com quem está falando?”
Eu sei. Sei muito bem.
E estou de mau humor. MAU HUMOR COM “U”, PELO AMOR DE NEWTON!
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Boçais e ladinos
Hoje havia uma notícia no jornal: um homem foi executado pelo tráfico porque havia dito “é nóis”.
Pensei, que maravilha! Finalmente os erros de português estão sendo punidos como merecem!
Lendo o restante da matéria, descobri o verdadeiro motivo: “é nóis” era o lema da facção criminosa inimiga da dos homicidas. Aí não tem graça.
Mas bem que ajudaria se minha primeira impressão tivesse sido real. A Companhia de Comédia Melhores do Mundo fez uma peça de teatro (vídeo aqui) onde o sequestrador avisava à polícia que ia matar um refém para cada erro de português. Pleonasmo eliminava dois reféns. A peça tinha o seguinte diálogo:
– Vou ligar para uma autoridade aqui pra resolver o problema!
– Liga para um delegado, para um deputado, sei lá. Liga pro Presidente Lula!
– P***a, “Presidente Lula”?! Cê quer uma chacina aqui??!!
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Pode ser que você tenha lido um de meus textos sobre os intreináveis. Se não leu, faz favor: vai lá e depois voltaqui para ler o que segue abaixo. Eu espero.
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Já leu? Então tá bom. Só mais uns espacinhos, e aí entra meu texto novo.
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É o seguinte. A Revista de História da Biblioteca Nacional, edição no. 2, de agosto de 2005, traz um interessante comentário em matéria não assinada, intitulada Vende-se gente e constante da página 89:
Os comerciantes de escravos classificavam suas mercadorias como usadas ou novas, sendo ‘boçais’ os [escravos] sem habilidades ou treinamento, (…) e ‘ladinos’ os escravos africanos assimilados.
Você aprende duas coisas daí. Primeiro, que essa é a origem do uso que fazemos da expressão “ladino”, que significa, basicamente, “safo”, “esperto”, “atilado”, “malandro”.
Segundo, que os intreináveis se enquadram na exata definição de “boçal”. Com a diferença de que jamais podem vir a se tornar ladinos.
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Trailer do Lanterna Verde!
Quando vi a chamada, Green Lantern trailer, pensei mesmo que fosse de verdade. De todos os super-heróis (ainda tem acento?), pelo menos de todos os super-heróis principais, o Lanterna é talvez o único que nunca ganhou filme. E é justamente aquele que mais me interessa ver em filme. E não estou sòzinho nisso; faça uma enquête e você vai ver que muita gente também gostaria. Até já imaginei conceitos para não um, mas vários filmes do LV, com base nas histórias dos quadrinhos.
Antes de clicar, reparei no aviso: “this is a fan-made trailer”. Não tem nada de real. Na verdade, nem a ideia é original, porque a gente já conhecia aquele excelente fake trailer dos Thundercats (se você não conhece, saiba que está perdendo. É uma obra de arte). Imitando o caso dos Thundercats, o trailer do Lanterna é uma óbvia colagem de cenas de ID4, da série Enterprise (o andoriano tornado Guardião), do trailer do Star Trek de 2009, de falas do Senhor dos Anéis (tem acento?)… Mas não importa. É maneiro:
É verdade que o filminho segue as mesmas obviedades de todos os trailers de filmes de ação: feitos para quem sofre de DDA, potencialmente induzindo espasmos epiléticos na audiência, com dez cenas por segundo, sem dar tempo de você sequer saber o que está vendo, com o mesmo tipo de música, todos aqueles portentos visuais… Aliás, ele prova que qualquer garoto, usando ferramentas que estão em domínio público (ou não deveriam… “fotoshop-jogos-coréu”, alguém?), qualquer garoto consegue fazer a mesma coisa que custa milhões aos estúdios. Quer dizer, a tecnologia e a indústria do entretenimento nivelaram a todos.
Não me queixo não. Se você observar quanto dinheiro vai para esse ramo da economia, mais tudo que é lançado ao consumidor de tecnologia, entre telefonia celular, banda larga, smartphones, netbooks… Ainda é melhor do que gastarem em guerras, que é outro ramo que movimenta muito dinheiro.
Há um toque do trailer que será melhor apreciado por quem é fã dos quadrinhos: entre os membros da Tropa dos Lanternas Verdes, dá pra identificar Kilowog, Tomar-Re e até mesmo Ch’p. Naturalmente, ficaram faltando Katma Tui e Arisia, que, aliás, em tempos polìticamente corretos, necessàriamente teriam que ser inventadas se não existissem. Nada que não se possa corrigir.
O juramento dos Lanternas também caiu bem. Não dá pra escutar direito, e parece até uma tropa de borgs falando, mas ficou bem como encerramento.
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Resenhas: os livros de Tony Buttler
Recentemente, terminei análises detalhadas de dois livros que havia comprado em 2005. São eles British Secret Projects: Jet Bombers Since 1949 e Soviet Secret Projects: Bombers Since 1945. Não ganho um centavo por esses linques à Amazon, mas tampouco me importo. Os Autores merecem vender tanto quanto puderem, porque os livros são MUITO bons.
Conforme a abertura do texto que segue abaixo, sempre tive especial interesse nas obras não realizadas: o episódio não filmado, o livro não publicado, a versão alternativa do quadro, a forma que as naves da Frota Estelar poderiam ter tido. Também gosto de História alternativa, das histórias Elseworlds da DC Comics, e das variações não adotadas das coisas que conheço.
Felizmente não sou o único. Tony Buttler é um metalurgista inglês que trabalhava na High Duty Alloys, especializada em peças para aviação. Seu especial interesse em aviões fez com que completasse um mestrado em Biblioteca e Ciência da Informação e, em seguida, saísse desenterrando arquivos do governo, dos museus e de empresas sobre a evolução dos aviões militares. Desde o final dos anos 90, ele tem publicado diversos livros sobre a variedade de projetos para as forças aéreas do Reino Unido, da União Soviética e dos Estados Unidos, gastando especial quantidade de tinta nos aviões que não foram construídos.
O co-Autor do segundo livro é Yefim Gordon, que tem uma quantidade absurda de livros sobre a História da indústria aeronáutica soviética e russa, sempre fartos em informação obtida de seus numerosos e preciosos contatos no meio.
Eu já havia comprado outros livros de Buttler. Não sei se foi só desta vez que prestei especial atenção, mas esses dois a que me referi acima são tão bons que me motivaram a resenhá-los na Amazon.co.uk, que mos vendera.
Para meu próprio rastreamento, segue cópia do texto com que descrevi o primeiro livro aí em cima. Os parágrafos sobre o segundo são pràticamente iguais; só mudei uma frase e omiti outra.
“I have always been fascinated by ‘what if’ scenarios. In aviation, this translates as aircraft that never got off the drawing board. So, when I bought Tony Buttler’s British Secret Projects: Bombers Since 1949 and Soviet Secret Projects: Bombers Since 1945, I was aiming at numerous descriptions of unbuilt projects.
“Was I in for a treat. Yes, these books bring lots of text and drawings about endless scores of aircraft that never got built. However, their greatest strength is where they describe the development of airplanes that did in fact get a first flight. In both books, Buttler outlines the evolution in defence thinking of the relevant country at Ministry level, its impact in the doctrine for strategic defence and the consequent requirements and specifications of combat aircraft that should fit said doctrine. Each book then goes to show the industry’s approach to the specifications, explaining each manufacturer’s technical solutions to the problems posed: wing shapes, engines to be adopted, undercarriages, weapon loads, crew, why and how they would or would not be adequate, etc. The reader gets to see how aircraft designers think and how diverse aircraft features affect in-flight behaviour, cost and effectiveness. Then the Author retells of the military’s view on each project and the reasons for their adoption or rejection, the changes in requirements and therefore in specifications, contemporary views about in-service limitations, engine concerns, development cost, time to service entry, upgrades and the like. The political implications are also described (cases in point: the tortuous road that led to TSR.2 and its sad demise, and the AFVG discussions between the UK and France before commitment to Tornado). As a result, each chapter follows the backstory of development of well-known types, from the point of inception to detail design, with a comparison to the competitors up to the point when each fell by the wayside. The reader gets to see the whole gamut of projects that were mused before final adoption (or cancellation, as applicable) of Canberra, the three V-bombers, Buccaneer, Shackleton, Gannet, Seamew, TSR.2, Harrier, Jaguar and Tornado.
“All of this in a text that is fluent and light to read while, at the same time, the books are generous in technical specs, line drawings, and pictures of wood models, mockups, wind-tunnel models and actual prototypes.
“I recommend Buttler’s books to a variety of readers: those keen on the evolution of strategic thinking behind the military aircraft industry, those that want background on the requirements, development and reasons behind features of aircraft effectively built, and those that want to know more about the aircraft that remained stuck on the drawing board. At any rate, a good, solid, information-laden read — page turners with plenty of eye candy to boot.”
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Hitler finds out Michael Jackson has died
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Compre o CD e leve 100 kg de papel
Esta história aconteceu a uma bibliotecária que conheço. Ela tem uma coleção completa da enciclopédia Barsa, que é maravilhosa mas ocupa vinte volumes daquele tamanho. Como o espaço em casa é pouco, ela procurou a Barsa em CD, para substituir mesmo. Foi a uma feira sobre bibliotecas, onde encontrou a vendedora.
Pois acontece que existe. De acordo com a vendedora, o CD vem de brinde na compra de uma Barsa completa em vinte volumes.
Mas, vem cá — pergunta a Bibliotecária Sem Espaço em Casa –, não dá pra eu levar só o CD? Diz a vendedora que não: você só leva o CD se comprar tudo mesmo, o que, aliás, custa um número de quatro algarismos.
E aí vem a pérola: a vendedora explicou que a editora tem o propósito de estimular as crianças à leitura e é por isso que não vende o CD separadamente.
Arrã. Estimular as crianças à leitura. As crianças vão ler uma ENCICLOPÉDIA, ainda mais uma sisuda feito a Barsa, que tem letra miúda e pouca figura, e vão passar a gostar de ler.
Aliás, pára. Antes de a criança ser afastada da leitura pela Barsa, primeiro ela teria que PEGAR a Barsa pra ler, o que já não vai acontecer. Aliás, antes de pegar a Barsa pra ler, os pais teriam que comprar pra ela, o que não aconteceria NEM se só custasse um reau. Vinte volumes? Sem figura?
Aí: temos uma novidade no linguajar da editora. “Encalhe de exemplares que ninguém mais compra” virou “estímulo à leitura”.
TNC todo o mundo.
As mensagens que você passa
Refletindo sobre o episódio da menininha no metrô, fui lembrado de perguntar por que ela me pediu para ler a revista. Até agora, pensei em meus próprios termos, julgando que a revista tivesse algo em si mesma que despertasse o interesse da menina. Como a revista estava comigo, ela teria que pedir acesso.
Mas contei a história ao Raposo, que é pai de um menino mais ou menos da mesma idade e que me fez observar alguns meta-aspectos que eu estava deixando de lado. Segundo ele, provàvelmente a menina não estava tão interessada em algum conteúdo que tivesse percebido na revista. Acontece que ela viu um sujeito de terno, gravata e pastinha de couro, provàvelmente voltando do trabalho, com toda a aparência de seriedade mas lendo revistinha. Ora, certamente ela associa quadrinhos a infância (é o que faz a ignorante maioria das pessoas), mas viu um sujeito adulto lendo quadrinhos. Então, terá ficado curiosa, primeiro com o aparente contrassenso; segundo, com essa revista que devia ter algo de muito especial. É nesse ponto que ela quereria saber o quê.
Até ali, eu, sem saber, já havia deixado algumas mensagens para ela: que é lícito ler quadrinhos em idade adulta; que a leitura é algo tão bom que a gente a pratica sempre que tem um tempinho, até no metrô; e que, por mais atarefado e profissional que se seja, sempre se consegue um tempo para essa gratificação, mesmo que seja no metrô.
É claro que também se pode entender que eu seja um pobre-diabo tão atarefado que só mesmo no metrô vá ter tempo para a leitura.
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Sintomas de um mercado editorial incipiente
De vez em quando eu resmungo que este é um povo de pouca instrução, pouco dado à leitura. Pelo que leio por aí, parece que estou sendo injusto quanto a essa segunda parte, porque BAxt e pacamanca já me convenceram de que a aversão à leitura dever ter algo de universal.
De todo modo, é um povo pouco instruído, sim. O tratamento que os livros recebem no Brasil é quase o de algo proibido. De fato, alguns anos atrás, um amigo de meu irmão ficou espantadíssimo quando, visitando-nos em nossa casa, surpreendeu-me lendo durante as férias, como se eu fosse maluco de estar desperdiçando meu tempo com uma tarefa que só deveria cumprir se fosse obrigado.
Então, eu passava agora há pouco em frente à livraria Eldorado da Tijuca, quando uma capa chamou minha atenção. Vários homens jovens, com traje de vôo, sentados na asa de um avião inglês da II Guerra Mundial, em uma fotografia em preto e branco típica da época (incidentalmente, dá pra dizer que o avião é inglês pela forma do motor que aparece no canto). O livro era Há muito o que contar… aqui, de A.L. Kennedy. Fiquei imaginando que fossem histórias de aviação durante a guerra, tema que sempre me atrai. Como não gosto de comprar um livro só pela capa, fui pesquisar por aí.
Primeiro, procurei A.L. Kennedy na Amazon. Encontrei Day, que tem a seguinte descrição:
Kennedy’s contemplative, stylized sixth novel (after Paradise) follows former Royal Air Force tail gunner Alfred Day as he relives his experiences in a WWII German prison camp. It’s 1949, and (…) He volunteers as an extra on the set of a war documentary, (…) The film set experience grows darker as Alfred begins reliving his time in the prison camp (…)
A capa era diferente da que eu tinha visto. Para confirmar que o livro fosse o mesmo, fui ao saite da Saraiva, a conferir a descrição. Olhe só o que encontrei:
A historia de um homem que foi piloto de um bombardeiro da Força Aérea Britânica durante a segunda Guerra Mundial.
Após a guerra, em 1949, ele participa como figurante num filme em que revive sua experiência de prisioneiro de guerra.
Está notando algo diferente? No original, ele era tail gunner: artilheiro de cauda, aquele cara que vai dentro de uma jaulinha no rabo do avião, dando tiro nos alemães que vêm atacar por trás. No comentário brasileiro, ele se tornou piloto.
Relevando o ataque à ortografia (“historia” sem acento) e a impropriedade dos nomes (“Força Aérea Britânica”, em vez de “Real Força Aérea” ou de “Força Aérea britânica”, como se o “Britânica” fizesse parte do nome, o que não faz; e “segunda Guerra Mundial”, com o “segunda” iniciado por minúscula), resta o fato de que a resenha brasileira está, muito provàvelmente, errada quanto aos fatos. Quer dizer, não sei qual das duas, mas, se eu tivesse que apostar dinheiro, diria que a errada é a brasileira.
(No mínimo, porque é menor: meu Word contou 126 palavras, contra as 315 das duas resenhas da Amazon combinadas. Não vou contar o fato de que a Amazon deixa os leitores comentarem a obra, que seria covardia. Oito pessoas deixaram lá suas observações, muito mais úteis (e algumas mais extensas) do que as resenhas editoriais e, aliás, confirmando que Day era tail gunner. Aliás de novo, é por essa e inúmeras outras razões que eu adoro a Amazon: ela sempre dá vasta informação sobre o produto, permitindo que você saiba exatamente o que esperar dele, qual é a edição, o que chamou a atenção dos leitores etc. Você não toma nenhuma decisão no escuro. Já deixei de comprar inúmeros livros que compraria de outro modo, só com base nas resenhas deixadas lá.)
Você poderá argumentar que isso não faça diferença e que o livro terá valor, ou não, independentemente da posição que Day ocupava a bordo. Só que, se a idéia é expor o produto para que eu escolha se o quero, então tudo conta para meu julgamento. Sinceramente, eu, Atoz, dou mais valor à história do tail gunner do que à de um piloto, por duas simples razões. Uma, que as perspectivas são completamente diferentes: o piloto é um oficial, comandante da tripulação, responsável por erros e acertos e com poder de decisão sobre para onde leva o avião, enquanto o artilheiro de cauda não é um oficial, fica impotente para comandar qualquer coisa além de sua metralhadora, opera em um espaço bem mais confinado, e submete-se aos mesmos riscos do piloto mais o de levar um tiro na cara, que o piloto, em regra, não. São pontos de vista bem diferentes. Outra, que o ponto de vista do piloto está narrado em dezenas de livros e revistas sobre a guerra, mas o do artilheiro é bem mais difícil de se encontrar, e valorizo-o mais por isso.
Então, como você pode ver, o consumidor incauto, que não pesquisa em outros saites ou não fala inglês, é levado pela Saraiva a uma impressão errada sobre o livro. Além do mais, existe uma norma básica, né: o que não se pode é errar; se não sabe, então não escreva nada. Não vai cair a mão se, na dúvida, o livreiro escrever “tripulante” em vez de “piloto”.
Naturalmente, tudo isso decorre da displicência de quem não teve cuidado suficiente antes de resenhar Há muito o que contar… aqui. Imputo essa negligência ao espírito geral, reinante no Brasil, de se equiparar livro a mercadoria de camelô. É aquela noção de fazer tudo sem cuidado, porque tanto faz. Duvido que isso acontecesse em um país que desse valor à leitura.
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Cumprindo minha missão

A capa é a mesma de Team Titans #1-A.
Hoje, eu voltava do trabalho em pé no metrô, lendo Os Novos Titãs no. 100. À minha frente, estava sentada uma menina, seus 8 a 10 anos, ao lado da mãe. De repente, a menina deu um toque na revista, chamando minha atenção.
– Posso ler com você? — perguntou da maneira mais despojada e aparentemente sincera.
– Cuma?
– Posso ler com você?
A primeira voz que ouvi foi a do egoísmo mesquinho: não, não pode, é minha e eu quero continuar a ler. Essa voz foi prontamente espancada e silenciada.
A segunda voz foi a da razão: impossível deferir ao pedido. Se estou em pé na frente dela, não tem como ela ler junto comigo. Um de nós teria que girar 180 graus. Além do mais, a história é complexa e violenta demais para uma menina da idade dela, cheia de palavras e conceitos que requerem uma cultura geral que ela não tem. Também é continuação da edição 99, de modo que ela não a entenderia. Não bastasse tudo isso, a história é simplesmente ruim. Não a recomendo nem a uma criança de oito anos, que deveria estar lendo alguma coisa mais divertida e mais instrutiva.
A terceira voz foi a da sabedoria. Se tem uma coisa que eu NÃO vou fazer é me tornar em obstáculo entre uma criança e a leitura. Taqui, na minha frente, uma oportunidade de ouro, que talvez nunca se repita, de facilitar o caminho entre ela e o mundo dos livros; os quadrinhos são uma excelente via para isso. É um momento em que nenhum adulto metido está impondo um livro chato a ela: ao contrário, ela está, espontaneamente, deixando-se levar pela curiosidade de ler alguma coisa. A revista está sendo puxada por ela, não empurrada a ela. E eu tenho o DEVER auto-imposto de facilitar o acesso, ou não me chamo Atoz (vá ao Google: veja por que me chamo Atoz. Dica: jogue, também, as palavras-chaves Sarpeidon e “Beta Niobe”).
Enquanto a mãe morria de vergonha e tentava censurar a menina, respondi à última ignorando a primeira.
– Isso vai ser um pouco difícil, porque nós estamos um de frente para o outro. — Fiquei pensando, aqui estou eu, de terno e gravata, discutindo geometria espacial com uma menina desconhecida de oito anos. Os buracos em que se metem as mentes cartesianas iludidas.
A menina não entendeu nada, “hã?”, porém continuei, “mas a gente pode fazer o seguinte: você vai lendo até a gente chegar na Tijuca”, e estendi-lhe a revista.
Ávida, ela foi abrindo as páginas, toda estabanada, e vi que a segunda metade da revista se separava da primeira ao longo da lombada.
– Cuidado, vai abrir as páginas.
Ela passou a folhear com mais cuidado e pensei, raios, ela vai entender que não é pra ler, e não é nada disso. Então, voltei à página que se abria e mostrei, “tá vendo, se abrir muito vai rasgar”.
– Ih! Por que que fica assim?
– Porque é velha. (Verdade. NT 100 é de julho de 1994 e o papel está seco.)
Foi lendo. Abriu numa página.
– Era aqui que você tava?
– Não, eu já tinha passado daí.
Voltou para o começo e foi lendo a revista em voz alta, com uma sensível dificuldade que, na idade dela, eu não tinha mais: para mim, aos oito anos, ia tudo fluindo. Também pensei, na minha época, depois do CA não tinha mais isso de ler em voz alta, a gente aprendia leitura silenciosa. Não tem alfabetização não? Não importa.
De repente, me peguei sem estar lendo nada e sentindo uma terrível crise de abstinência: eu quero alguma coisa pra ler e estou sem nada! A menina ficou com minha revista! Negativo. Abri a pasta e puxei meu exemplar de O príncipe, de Maquiavel, impresso em 1933. E segui lendo.
Chegando à Saenz Peña, confesso que senti um ligeiro medo de que a menina não fosse me devolver a revista. Infundado, primeiro porque a mãe não ia deixar, segundo porque eu já tinha lido todas as histórias e, terceiro, porque NT 100 é ruim mesmo, então não seria uma grande perda: melhor ficar com quem dá mais valor do que eu.
O trem parou, abriu as portas e somente então a mocinha fechou a revista e me devolveu.
– Agradece o moço. (É “ao moço”, dona.)
– ’Brigada.
– De nada.
APIDÊITE DO APEDEUTA (27/07/2009, 21:41 h): uma grande amiga, a quem vou dar o pseudônimo de Carolina Matoso, lembrou-me a seguinte possibilidade.
“já pensou se a menininha do metrô vê vc. lendo O Príncipe, larga a hq de lado e diz:
“- Ei, moço, prefiria ler Maquiavel!”
***
Algumas visitas recentes:
http://www.interney.net/blogs/cintaliga/
http://www.youtube.com/watch?v=yW7OPByRGDY (Obama faz a saudação vulcana. Ele é um de nós, os nerds.)
http://www.rafael.galvao.org/2009/06/de-jornalistas-e-ascensoristas/
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http://universofantastico.wordpress.com/ (Silvio Alexandre)
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http://gawker.com/5283485/bright-idea-saves-newspapers (os comentários são a melhor parte, geniais. Dica do Cardoso)
http://selvabrasilis.blogspot.com/
http://oindividuo.com/ (ainda me lembro de quando li seu jornalzinho homônimo e censurado pela PUC-RJ, em uma polêmica que extrapolou os muros da universidade. Acho que ainda tenho meu exemplar, obtido com o pai de um deles, o pesquisador, tradutor de Asimov e, pelo menos por um tempo, decano do IME, Prof Ronaldo Sérgio de Biasi. Salvo engano, era 1995. Já confirmei que são as mesmas pessoas)
http://essametamorfose.blogspot.com/2009/07/como-identificar-truques-retoricos-em.html
http://www.historiasdelaciencia.com/?p=452
http://corsarios-efemeros.blogspot.com/
http://blogdoshorrores.blogspot.com/
http://www.digestivocultural.com/
http://anderssauro.com/
http://www.instantshift.com/2009/06/29/99-amazing-widescreen-wallpapers-to-spice-up-your-desktop/
http://novo-mundo.org/log/comedia-brasil-inc/guerras-modernas-do-cotidiano-cancelando-servicos-por-telefone.html
http://www.desaforo.com/
http://trekmovie.com/2009/07/09/mythbusters-to-test-star-treks-gorn-cannon/
http://jornalismofanfarrao.wordpress.com/2009/06/15/imprensa-divulga-noticia-falsa-sobre-suposta-passageira-do-voo-447/
http://starland.com/wp/?p=9
http://menke.tumblr.com/post/143587384/l-to-r-harrison-ford-han-solo-david-prowse
http://www.projetocontinuum.com/
http://hiperficie.wordpress.com/
http://ipt.olhares.com
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Voo AF 447 – relatório interino
Sugestão: ignore os jornais. Os jornais dizem muita bobagem. Chutam, inventam, manipulam.
Vá à fonte. Saiu o relatório do Escritório de Investigações e Análises (BEA: Bureau d’Enquêtes et d’Analyses) sobre o acidente do Airbus 330 da Air France ocorrido em primeiro de junho.
Não estou dizendo que o relatório seja perfeito. Vão dizer que ele é político, que é viciado, vão dizer um monte de coisas. Pode ser. Mas tem dois detalhezinhos para os quais eu gostaria de chamar sua atenção.
1) O relatório é técnico. O jornal não é técnico.
2) O relatório é a fonte primária. O jornal vai citar o relatório, vai dizer que o relatório disse tal e tal coisa, mas você só vai saber o que o relatório disse quando ler o próprio.
Taqui os linques para o relatório em francês e em inglês. Um com 128 páginas, o outro com 72.
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Em uma nota não relacionada, comecei a ler Green Lantern: Ganthet’s Tale, de Larry Niven e John Byrne. Eu conhecia a fama dessa graphic novel de 1992, que é muito elogiada como um ponto de vista original trazido por seu escritor aos quadrinhos da DC. Aliás, Niven já era bastante celebrado como o Autor de Ringworld e das histórias das guerras contra os Kzinti. (Vivo confundindo Ringworld com Discworld, do também elogiado Terry Pratchett. Se tivesse lido algum dos dois, isso não aconteceria.)
A grata surpresa foi, ao abrir o livro, reconhecer o traço de Byrne, que eu não sabia que o havia desenhado. Não só foi uma surpresa como me fez pensar em como evoluiu minha percepção do talento desse inglês. É que, quando vi os desenhos dele pela primeira vez há alguns anos, não gostei: eram muito simples e as expressões faciais, sempre dramáticas. Com o tempo, passei a apreciar justamente a simplicidade, junto com o vigor e o caráter dramático das expressões não faciais, mas corporais. De suas obras, talvez o exemplo mais famoso entre os quadrinhos da DC esteja no clássico Man of Steel, que foi o reboot do Super-homem em 1986.
Vou acabar de ler Ganthet’s Tale e, se for bom mesmo e eu estiver com saco, virei resenhar aqui.
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Star Trek: Countdown
Star Trek: Countdown é uma minissérie em quadrinhos, composta por quatro capítulos e publicada pela IDW nos meses anteriores a esse filme novo. Ela ajuda a entender o que aconteceu na linha de tempo “normal” antes dos acontecimentos do filme. Ou seja: que história foi aquela de supernova, de matéria vermelha, de Spock ajudando os romulanos etc. É uma espécie de prequel do filme, exceto que é ambientada no século 24. Atenção: seguem spoilers do filme e dos quadrinhos. Prossiga por sua própria conta e risco.

As 4 capas. A figura está centralizada porque a m*rda do WordPress não me deixa colocá-la no início do texto nem alinhada pela esquerda sem f*der toda a formatação.
Peraí, pára para tudo. Deixeu descomplicar. O filme Star Trek lançado em 2009, apelidado “Star Trek XI” e que ainda está levando nos cinemas, é ambientado no século 23 e mostra o início da carreira do Capetão Kirk e do Orelha. Exceto que ele não está mostrando o passado dos personagens como você os conhece. Conforme o próprio filme explica, o que acontece é que, no século 24, Spock — òbviamente bem mais velho — envolveu-se com os romulanos e com um acidente cósmico de proporções, bem, cósmicas, e a consequência (agora sem trema) foi uma viagem de Spock e de alguns romulanos no tempo, ao século 23. O surgimento de Spock e de uma nave romulana no século 23 é a causa de uma nova linha de tempo, uma realidade alternativa, divergente daquela que os demais filmes e séries mostravam. Nesta linha de tempo alternativa, muita coisa passa a ser diferente por causa da chegada de Spock e da nave romulana. E é nessa realidade alternativa que se desenrola o filme.
Bem, mas que acontecimentos foram esses, no século 24, que causaram a viagem de Spock de volta no tempo? O filme explica, até mostra resumidamente, mas o foco dele não é essa passagem. Ela só entra como uma justificativa histórica, fazendo a ponte entre a linha de tempo tradicional e a nova. Para quem está interessado nos porquês e desdobramentos, fica uma lacuna.
Então, Countdown supriu essa lacuna, contando justamente esses detalhes, e mais: foi lançada antes do filme. Isso faz todo o sentido, primeiro porque você, ao assistir, já vai com a explicação na cabeça. Segundo porque, seguindo a lógica das viagens no tempo e apesar de tudo, a história passada no século 24 realmente vem antes da história do filme. Realmente é antecessora, realmente o filme é sequência (também sem trema) dela. É como se fossem duas metades de uma história só, embora bastante separadas uma da outra.
Outro dia, li Countdown inteira (bom, mais ou menos… aos saltos. Vendo as figuras, aliás bonitas, e lendo os diálogos na diagonal). É uma minissérie da Nova Geração, tendo o Embaixador Spock como protagonista, e se passa alguns anos após os acontecimentos de Nemesis — que, incidentalmente, é, IMHO, o pior, mais fraco e mais sem sentido dos filmes de Jornada. Mas, voltando à minissérie, nela vemos onde foram parar alguns personagens da NG. Data é o capitão da Enterprise-E, tendo sido ressuscitado a partir das memórias que deixara em B4 no filme anterior (óbvio óbvio óbvio. Alguém tinha dúvida de que era isso mesmo que ia acontecer?). Não reparei no que LaForge está fazendo, mas ele também aparece, assim como o Embaixador Picard — que, assim, acabou materializando aquilo que havia sido prenunciado no episódo “Future Imperfect”. Já Worf é general entre os Glunkons, o que não faz muito sentido em face do destino que teve no final de Deep Space Nine (não vou contar, que também é spoiler. Google: “What You Leave Behind”). E mataram Worf???!!!
Em síntese, gostei bastante. Juntando com o que se lê aqui, imagino que ainda seja possível fazer boas histórias no século 24 da linha de tempo tradicional.
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Foundation and Empire (Fundação e Império), de Isaac Asimov
Pesquisando Isaac Asimov na Web, descobri que sua obra mais aclamada é a trilogia da Fundação. Diz a lenda (ou melhor, a Lenda, porque é o próprio Asimov quem conta) que ele havia acabado de ler o Declínio e Queda do Império Romano, de Edward Gibbon, e que estava agitado para escrever uma história semelhante, mas ambientada no futuro. Expôs a ideia a seu editor, que a encomendou.
No caso do Império Romano do Ocidente, aconteceu o seguinte. Após abranger metade da Europa e todo o entorno do Mediterrâneo, Roma estava demasiadamente estendida, e já não era possível manter as linhas de comunicação nem a coesão do império. Gradualmente, aumentou a dependência do governo central sobre as províncias, cujos senhores locais foram ganhando autonomia. Ao mesmo tempo, a abastança da capital gerou imperadores acomodados, que já não se ocupavam de estratégias de expansão nem de manutenção da infraestrutura. Das províncias, vinha tanta riqueza que os imperadores gastavam a maior parte do tempo em intrigas palacianas e terminavam assassinados por usurpadores. Ocupando-se do próprio umbigo, o poder central descuidou-se de manter a pax romana e, com isso, foi regredindo e permitindo a projeção dos poderes periféricos. Um dia, vieram invasões. Os poderes periféricos, conquistados pelos bárbaros ou não, tiveram que se virar sem o apoio do império, que acabou caindo também. Esse foi o início da Alta Idade Média, com a Europa dividida em inúmeros reinos e principados. Com a institucionalização das culturas germânicas sobre os escombros do Império, veio o feudalismo.
O que Asimov fez de 1942 a 1945 foi contar uma história semelhante, mas ambientada em um futuro indefinido em que a Galáxia começa sob o domínio do grande Império Galáctico. Sua capital, Trantor, é aquele pujante entroncamento de culturas e tecnologia que George Lucas representou como Coruscant. Pessoalmente, penso sempre numa Londres metálica e de dimensões planetárias. Afinal, Londres é a antiga capital do Império onde o Sol não se punha, recebendo tributos e visitantes das culturas mais variadas da Terra. Como a BAxt poderá confirmar, ali você encontra desde comida tailandesa até jóias do Azerbaijão.
A história começa com a inevitável queda do Império Galáctico e concentra-se na iniciativa de um brilhante matemático, Hari Seldon, cuja nova ciência da Psico-história permite, através de equações, prever o futuro mais provável de uma civilização com percentuais de probabilidade que equivalem à certeza. Seldon descobre que o Império deixará de existir em menos de trezentos anos, e que se seguirão trezentos séculos de barbárie. Para abreviar essa grande noite da ignorância, concebe a Fundação, situada em um planeta no limite mais externo da Galáxia. De acordo com o Plano de Seldon, a Fundação abrigará o conhecimento científico do Império e servirá como um farol na escuridão, permitindo o surgimento de um novo império em apenas mil anos. (Só uma coisa: mais alguém notou que essa é a mesma premissa da série Gene Roddenberry’s Andromeda?)
A narrativa da Fundação desenrola-se em oito grandes contos que a acompanham ao longo dos séculos e que foram publicados naquelas clássicas revistas de ficção científica dos anos 40. No início dos anos 50, uma editora iniciante se dispôs a compilar esse material. Então, o Autor escreveu mais um conto, que passou a ser o primeiro da sequência, e agrupou os nove contos em três livros: Foundation, Foundation and Empire e Second Foundation, que passaram a ser chamados, coletivamente, de “trilogia da Fundação”. Nos anos 80, Asimov publicou duas continuações (Foundation’s Edge e Foundation and Earth) e dois romances que se passam antes da trilogia (Forward the Foundation e Prelude to Foundation), mas eles não têm a mesma reputação do material original.
Hoje de madrugada, terminei o sétimo conto e, com ele, o segundo livro. Atenção: no trecho identado abaixo, vou contar detalhes da história até aqui e revelar o final do livro. Prossiga sob seu próprio risco.
No primeiro livro, aprendemos como a Fundação, inicialmente confiante no apoio do Império, acaba isolada entre planetas ignorantes e belicosos. Ora, clàssicamente, os detentores da tecnologia sempre foram temidos como magos encerrados em seus castelos, senhores de mistérios da vida e da morte: haja vista o arquétipo que alimenta as histórias do Golem, dos alquimistas, do Fausto de Goethe, de Frankenstein, de Gandalf e dos tecnomagos de Babylon 5. Então, a Fundação se vale disso e cria uma religião com que seus “sacerdotes” dominam os novos reinos que a rodeiam. Mais tarde, ela começa a vender as traquitanas de suas inovações tecnológicas cujo desenvolvimento o agonizante Império já não consegue acompanhar; e passa a dominar pelo dinheiro.
Na primeira metade de Foundation and Empire, um general tenta reconquistar a Fundação, em um último espasmo de glória a um imperador que só se preocupa com as frivolidades da corte. Nesses dias de ocaso do Império, o cinismo impede a sobrevivência de idealismos patrióticos, regulando a política de nobres que só querem expandir sua parcela de poder pessoal. Nos estertores, o Império decai para a autofagia, e o general é acusado de traidor por pretendentes do trono que preferem nivelar por baixo e veem nele uma ameaça a seus planos.
Na segunda metade de Foundation and Empire, surge a Mula, um mutante misterioso que ràpidamente subjuga alguns reinos relativamente poderosos. Um casal de cidadãos da Fundação é enviado a Kalgan, a mais recente e espetacular conquista da Mula, para descobrir quem é esse sujeito e qual é seu poder tão especial que dominou o planeta sem dar um tiro. Durante a visita, o casal resgata um homem esquisitíssimo e vestiço de palhaço, que estava sendo assediado por soldados. Na fuga, descobrem que se trata do bobo da corte da Mula e, na esperança de obter segredos úteis, dão-lhe asilo político na Fundação. O homem revela-se sempre inofensivo e inocente, mas pouco útil, porque se comporta feito uma criança autista e se apresenta sempre tão apavorado que não consegue articular um pensamento.
Fiquei um bocado desconfiado do palhaço. Afinal, ele é esquisito, a Mula é um mutante, sua aparição é tão conveniente aos dois espiões, e continuamos sem ver nem saber quem é a Mula.
Pouco depois, a Mula exige que a Fundação devolva seu palhaço, que alega ter sido sequestrado. Não sei por quê, mas foi nesse ponto que comecei a pensar que o palhaço era a própria Mula. Deve ter sido meu cinismo, que sempre parte do pressuposto de que, quanto mais perigosa a ameaça, mais inofensiva ela vai tentar parecer. De todo modo, o “sequestro” é a desculpa da Mula para mover guerra à Fundação, que também é conquistada sem violência. No último dia antes da invasão, o casal espião foge levando o palhaço para uma das colônias, que serve como refúgio à resistência.
O palhaço continua sendo desprezado por todos, que o deixam a sós com suas tolices. A Mula continua avançando, e continuamos a não vê-la. Minhas suspeitas aumentam.
Como garantia contra o fracasso do Plano, Seldon também havia estabelecido uma Segunda Fundação no lado oposto da Galáxia, a respeito da qual, até aqui, só sabemos que existe e mais nada. Na fuga, o casal espião é acompanhado por um matemático que procura reconstruir o conhecimento de Hari Seldon, perdido há séculos na desagregação do Império, para descobrir onde fica a Segunda Fundação e, com isso, avisá-la contra o avanço inexorável da Mula. O plano do matemático envolve uma viagem às ruínas de Trantor, onde é possível que ainda estejam os antigos arquivos.
A colônia resistente é conquistada sem luta, e a esposa observa que é muita coincidência: o casal está sempre um passo à frente, escapando no último minuto. Nesse ponto, eu ainda não tinha certeza de que o palhaço fosse a Mula: imaginei que ele pudesse apenas ter um daqueles localizadores que, nos filmes, o herói encontra embaixo do carro. Mas minha aposta continuava sendo que ele fosse a Mula sim.
A caminho de Trantor, a nave do casal é interceptada. Marido e palhaço são levados como reféns, separados um do outro mas devolvidos sem demora. Marido crê que a nave tenha sido enviada pela Mula, cujos homens conseguiram segui-los de algum modo. Palhaço tem outra teoria, que o convence e desconversa. Minha desconfiança transforma-se em certeza.
Em Trantor, a história se acelera e se enche de sinais de que algo está para acontecer, o que me fez perceber que o clímax estava perto apesar de faltarem dezenas de páginas. O matemático passa semanas revirando os antigos registros e calcula a localização da Segunda Fundação. Então, percebendo que vai morrer, elimina todos os rascunhos e diz ao casal que vai revelar o segredo só a eles — na frente do palhaço. Antes que ele diga, a esposa explode sua cabeça. O marido cobra uma explicação. E ela demonstra, item por item da história que acabei de lhe contar (revendo muito mais e menores detalhes, é óbvio), que o palhaço só pode ser a própria Mula.
Pela primeira vez, o palhaço fala como um ser humano normal. E confirma.
Fim. As páginas seguintes eram de anúncios de outros livros.
Aí, sem sacanagem: li as trinta últimas páginas de um pulo. Eu virava, já ia pro final — porque percebi que algo importante estava acontecendo e não aguentava o suspense — e tinha que voltar para ler de verdade, devagar.
Talvez eu tenha visto uma quantidade suficiente de episódios de seriados que lidam com mistério. Talvez seja o fato de estar assistindo a Babylon 5, que é cheia de sinais espalhados ao longo da história e onde ninguém é o que parece. Talvez eu tenha visto episódios demais de Scooby-Doo. Talvez Asimov tenha dado bandeira, semeando muita coisa que parecia não contar para a história e, com isso, despertando minha desconfiança (afinal, é sempre assim: quando o mistério é esclarecido, você descobre que sempre tivera os elementos, que eles nunca pareciam importantes e que bastava tê-los ligado com senso crítico, sem o envolvimento que os personagens têm). Talvez o excesso de atenção dada pelo Autor ao palhaço, aliado ao fato de que ele, na verdade, nunca fazia nada nem contribuía para os acontecimentos, tenha colocado um holofote em cima dele. Talvez o palhaço fosse a famosa arma de fogo de Chekhov.
De um lado, fiquei me sentindo vitorioso, por ter decifrado o mistério antes que o Autor o revelasse. Por outro, fiquei pensando se não era exatamente isso que ele queria, em uma espécie de parceria comigo. Em 1942, Asimov lançou uma ponte para alcançar mentes no presente e no futuro, inclusive a minha. É como um pequeno vislumbre e compartilhamento daquilo que o divertia, como um pequeno presente que ele me deu. Só tenho a agradecer.
A seguir, O príncipe, de Maquiavel, em tradução de 1933 pela editora Calvino Filho; e, depois, a Segunda Fundação.
Visitas recentes:
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Recém-lidas:
Os Novos Titãs no. 97 (abril de 1994), inclusive “Childhood’s End”, originalmente publicada em Team Titans #1-A (setembro de 1992);
primeiras histórias de Team Titans #1-A a 1-E (setembro de 1992), publicadas em Os Novos Titãs no. 100 (julho de 1994). A primeira é imitação da origem do Dr. Manhattan, de Watchmen. Todas têm premissas genèricamente interessantes, mas todas são cheias de clichês e têm péssimos diálogos, desenvolvimentos sofríveis e desenhos feios e carregados de poluição visual;
Action Comics #682 (outubro de 1992), “Gauntlet”, publicada em Super-homem no. 125 (novembro de 1994);
Justice League Europe #42 (setembro de 1992), “Mother of Monsters”, publicada em Liga da Justiça e Batman no. 7 (fevereiro de 1995) — os desenhos são pavorosos e o colorido está todo errado, mas a história traz um interessante desenvolvimento a Power Girl. A jovem ruma para resolver suas inseguranças através do contato com a deusa-mãe que, do interior da terra, estimula sua feminilidade e, com isso, nutre a vida e desperta a criatividade.
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