Caixa de sabão do Sr Atoz

Star Trek em 2009: a resenha do Sr Atoz

com 10 comentários

Falemos dos personagens.

Kirk tem algumas coisas diferentes do que conhecemos. O original se espelhou no pai, oficial da Frota Estelar, e foi um cadete que vivia entre livros. No filme, Kirk não conheceu o pai, então naturalmente cresceu revoltado, inconsequente, insolente e mostrando sua carência de receber o afeto e a orientação paterna que não teve. Assim, está explicado o radicalismo de sua atitude. De resto, é o mesmo Kirk que conhecemos: aquele que não desiste nem em face da morte certa, que debocha do perigo, que aposta e trapaceia, que dá voltas malandras em almirantes e regulamentos e ainda ganha medalhas por isso, e que dá em cima de todas as mulheres, inclusive as verdes. Quando Spock-Nimoy comenta que aprendeu a mentir, apostar e trapacear com um velho amigo, fica óbvio que é de Kirk que ele está falando — e sabemos que é verdade. Esse é um momento particularmente afetuoso em face da série Clássica e de seus filmes.

Aliás, nos livros, a mãe de Kirk se chamava Winona. No filme, a atriz que faz a mãe de Spock é quem se chama Winona.

Em A Ira de Khan, aprendemos que James Kirk havia sido o único a vencer o Kobayashi Maru, trapaceando-o com a reprogramação do computador. Este filme é o primeiro a mostrar esse momento, embora o faça de forma diferente daquela vista no livro Kobayashi Maru. E faz isso com um discreto cumprimento à história original: observe que Kirk está comendo u’a maçã quando colhe o resultado de sua trapaça, assim como, em A Ira de Khan, estava comendo outra ao contar sua solução à Tenente Saavik.

Igualmente em linha com o personagem foi sua oferta de resgate ao derrotado Nero. Só que, se fosse o Kirk que conhecemos — ou mesmo o deste filme, mind you –, não teria aceitado a resposta khaniana de Nero. Teria simplesmente teletransportado quem pudesse, porque o que vale, para ele, é o que ele acha que está certo, especialmente se for difícil. E isso até aumentaria sua vitória contra a vontade do inimigo.

Spock também está admiràvelmente caracterizado, embora não bem escrito, conforme veremos a continuación. Quinto absorveu muito bem o personagem, até na maneira de andar. Não tenho queixas quanto a isso. Ele não parece ter tantos problemas com suas emoções quanto Spock conforme o conhecemos, mas isso tem uma explicação: Spock-Nimoy sofreu muita pressão e, afinal, rompeu com seu pai ao entrar para a Frota Estelar. Isso lhe trouxe uma permanente necessidade de provar que não tinha sentimentos (justamente porque na verdade os tinha), fazendo-o sufocar a si mesmo até o limite físico. Já Spock-Quinto não teve os mesmos desafios dentro de casa, o que suavizou seu conflito interior e deu azo a manifestações emocionais que não teríamos esperado no original. Na verdade, Abrams e seus roteiristas demonstram notável perspicácia quando declaram, abertamente, que os vulcanos têm emoções, sim, e que não as eliminam, apenas impedem que elas os dominem. Essa é a descrição mais precisa que se poderia fazer, mostrando genuína compreensão da psicologia vulcana. Não é qualquer recém-chegado que percebe isso, não.

Nesse sentido, a briga entre crianças vulcanas nem conta tanto. Mas, por falar nela, logo antes viera uma referenciazinha para os de boa memória: as crianças vulcanas apareciam exercitando conhecimentos naqueles poços computadorizados. Isso é referência ao questionário que Spock respondeu no início de A Volta para Casa. Lembra? “Correto.” “Correto.” “Correto.”

Em particular, a cena em que ele recusa ingresso na Academia de Ciências é brilhante. Primeiro, mostra toda a arrogância e preconceito dos vulcanos contra tudo que não é vulcano, inclusive o sangue mestiço de Spock, logo eles, supostamente tão racionais. Isso é totalmente coerente com o que sabemos das séries e dos livros. Depois, a reação de Spock, calma e contida, mas extremamente emocional, disfarçada sob uma veste de racionalidade — o que também é exatamente aquilo em que o personagem se especializou ao longo dos filmes e séries, de maneira cada vez mais hábil e, ao mesmo tempo, descarada. “Então, enfia essa admissão no c*, velhote” — com toda a classe.

Ainda na briga das crianças e na cena de rejeição ao conselho, existe uma certa inconsistência. Se os vulcanos aparecem uniformemente xenófobos, se as crianças repetem o que ouviram em casa (que Sarek é um traidor), então como o prestigiam mantendo-o no conselho e na embaixada na Terra? Aprecio respostas.

Muito bem. Então Spock rejeitou os Anciãos e se dedicou à Frota. Existe um pormenor histórico bastante sutil que nos devolve a “The Cage”, o primeiro episódio piloto e início de toda a saga: Spock já estava servindo com o Capitão Chris Pike na Enterprise antes de Kirk se tornar relevante para a nave. A diferença é quase irrelevante, porque a nave, aqui, aparece como recém-lançada — mas está lá em reconhecimento à origem do personagem.

Infelizmente, o roteiro contém duas falhas sérias quanto a Spock, ambas desnecessárias ao andamento da história. A primeira foi a reação de ejetar Kirk da Enterprise, totalmente irracional e certamente violadora de todos os regulamentos, independente do fato de haver um posto avançado no planeta. O Spock que conhecemos jamais faria isso, e o deste filme tampouco.

O segundo erro foi o amasso com Uhura, uma exagerada bandeira que ele deu na plataforma de teletransporte. Observe que não há problema em um vulcano manter um relacionamento. Não me queixo de ela tê-lo procurado antes na privacidade de um elevador parado após Vulcano ser destruído, nem da resposta dele (que ela, aliás, entendeu). Na verdade, na Clássica houve várias ocasiões onde víamos que ela arrastava uma asa para o lado dele. O problema, aqui, foi o beijo na frente de testemunhas. Vulcanos jamais, jamais, jamais fariam isso: admitir um romance perante terceiros, no horário de serviço, em uma atitude francamente emocional, irracional, e contrária à eficiência no ambiente de trabalho.

Pensando bem, antes disso, peraí: Spock tem um caso com uma aluna sua??? Vamos deixar de lado que isso seja uma violenta afronta à ética, certamente proibida por inúmeros regulamentos que o vulcano obedeceria fielmente. Vamos ao personagem: faz sentido que ele NÃO se proíba tamanho conflito de interesses? Faz sentido que ele se tenha permitido qualquer envolvimento com a moça? Bola fora total!

Falei nos maneirismos. Pois bem. Spock levanta *uma* sobrancelha quando Pike entra no elevador; e, nas últimas cenas, Kirk senta na cadeira de capitão com as pernas cruzadas e meio de ladinho — igual a Kirk na Clássica. (Por sinal, ótima a hora em que Spock, ainda no comando, diz a seu novo imediato Kirk, ‘saia da cadeira’.)

Quanto a Nimoy, eu não deveria ficar surpreso, mas fiquei quando o vi: o grande ator mostra sua idade, não apenas com suas rugas, mas com suas mãos, seu caminhar vacilante e sua voz incerta. Ainda assim, como é seu maior talento, empresta uma dignidade profunda e melancólica ao personagem. A cada filme, Nimoy retratava Spock de forma um pouco evoluída em relação ao que víramos no filme anterior. Fiel a seu público, mais uma vez aqui ele nos dá um Spock um pouco diferente, agora mais triste e abalado, mas que continua aprendendo e que também não desiste.

A participação de Nimoy  não deve ser vista como mera “homenagem”. Ele, e somente ele, é a ligação entre a tradição e a renovação de Jornada nas Estrelas, a única ponte entre as duas vidas da franquia. Em 1994, nosso querido marmitão foi chamado a participar de Generations para dar um apoio parecido, mas recusou, porque não acrescentaria nada ao filme nem ao personagem. Em síntese, estaria só sendo usado. Na época, o pessoal da antiga, como eu, admirou muito sua atitude honrada, de maior respeito com produtos e com fãs do que o dos próprios produtores, e viu isso como um grande presságio de que a franquia estava tomando rumo para o fundo de um grande buraco. E estava, a despeito da qualidade de DS9 e Voyager.

Já agora, a simples aparição de tão respeitável profissional é, sim, um sinal de legitimidade para o novo filme e mostra seu reconhecimento de que o diretor não o está usando, mas honrando.  Evidência disso é o simples contraste com o precedente de 1994. Então, para alguém como eu, que estava na ativa na época de Generations, esse é um sinal favorável e motivo para que eu dê ao filme um crédito de confiança (que afinal se mostrou merecido). Conforme adiantei na introdução, já não entrei apavorado no cinema. É Nimoy, guardião da Clássica, dizendo “pode vir que eu garanto”.

“I have been, and always shall be, your friend” — em qualquer das suas encarnações ou versões. Duca. Sensacional. Uma frase tão curta, mas tem atrás de si uma história de mais de quarenta anos. É uma lealdade que sobrevive à (suposta) morte de Kirk no universo original, não importando que o próprio mundo se acabe. Então, “você pode nem me conhecer, mas saiba que sempre fui e serei seu amigo, mesmo que eu esteja no universo errado e você esteja muito jovem”. Acho que isso é maior expressão da longevidade da relação desses dois, que está no núcleo do que Jornada sempre foi.

Já Karl Urban está espetacular fazendo um McCoy mais velho do que Kirk e Spock, tal como na série Clássica, e saído de um mau divórcio, tal como contam os livros. E passou o filme inteiro resmungando com sotaque do Sul, tal como o amamos.

Sulu e a esgrima são uma deferência à Clássica, especialmente a “The Naked Time”.

Por último, Uhura. Durante mais de metade do filme, ficamos sem saber seu primeiro nome. Creio que isso seja uma brincadeira com o fato de que, nos filmes e séries, esse nome realmente nunca foi revelado! E mais: o nome que afinal aparece no filme é o mesmo que ela tem nos livros, pelo que agradeço.

Em complemento aos personagens, fiquei muito positivamente impressionado quando os uniformes da Clássica apareceram pela primeira vez. Os filmes e séries tinham mania de ficar trocando os uniformes, sempre para causar impressão e compor novo visual. Então, eu não esperava que fossem resgatar aqueles uniformes de tão feliz memória! E melhorados, ainda por cima! Na TV, as camisas eram monocromáticas em cores berrantes, porque muita gente ainda tinha TV em P&B nos anos 60 e assim se perceberia melhor que eram cores diferentes. Mas, no cinema, a definição é mais alta, você vê mais detalhes, então as cores são as mesmas (URRU!!!) mas as camisas têm textura e costuras, parece uniforme profissional mesmo, o tecido é até meio duro, não se molda tanto ao corpo. Emblemático o fato de que a primeira pessoa que vemos a usá-los seja justamente Spock.

Breve e pequeno detalhe: não lembro bem, mas creio que seja quando Uhura vem pedir umas bebidas que ela ou alguém menciona uma de nome “Cardassian não-sei-quê”. Hm. Na cronologia original, os cardassianos só foram encontrados no século seguinte… Bobagem. Sigamos.

Quanto à treknologia, a modificação mais importante fez diferença no roteiro. Até hoje, as naves da Frota, quando em velocidade de dobra, sempre levavam alguns dias entre um planeta e outro. No filme, a distância entre Terra e Vulcano é coberta em apenas alguns minutos!

A Enterprise se atrasa e por isso é a última a chegar a um campo de batalha onde a Frota fôra aniquilada, com destroços por todo lado. Isso é exatamente o que acontece na batalha de Wolf 359, em “The Best of Both Worlds”, parte 2 (quarto ano da NG).

Na sequência, o mergulho de paraquedas do espaço é o reaproveitamento, tardio mas bem-vindo, de uma ideia que foi filmada mas cortada de Generations. E o redshirt, é óbvio, dava até pra prever: morreu ao descer ao planeta! E por imprudência, ainda por cima, como tantas vezes morriam. Vamos precisar de outro Jimmy!

Depois, o planeta inóspito e gelado, onde Kirk é lançado da Enterprise, é chamado Delta Vega. Isso deve ser referência a Delta Vega, o planeta inóspito do primeiro episódio da série Clássica, onde só havia uma estação automatizada.

Nesse planeta acontece mais um furo feio do roteiro: Kirk ser abandonado no mesmo planeta onde estava o velho Spock. Isso foi uma completa obra do acaso, sem nenhuma relação de causalidade. A meu juízo, trata-se de um deus ex machina desnecessário e que prejudica a história. Na verdade, é pràticamente uma digressão, uma pausa para que Spock-Nimoy nos explique o que está acontecendo, quem é o vilão e quais são seus motivos.

É neste ponto que Cristina Nastasi (all hail, Pequena Pássara da Galáxia, Mãe do Movimento Trekker Brasileiro) me conta que, em The Price of the Phoenix (um dos primeiríssimos romances da Clássica, anterior mesmo aos da Pocket), a história é a mesma: um cidadão pacato vê seu mundo ser destruído enquanto a Frota Estelar assiste sem ajudar e, por ter perdido planeta e família, embarca em uma jornada de vingança que pretende destruir toda a Federação. É a lei de Lavoisier aplicada ao cinema.

Por sua vez, Alexandre Maron disse que a história é um nó cego de paradoxos temporais. Divirjo. Só existe uma viagem temporal, de ida, e uma decorrente divisão na linha de tempo, daí nascendo uma linha sem outra conexão com a primitiva. Em complexidade, isso nem se compara às confusas e inacompanháveis idas e voltas de “All Good Things…” (NG) e “Future’s End” (Voyager).

Por causa dessa viagem no tempo, o filme se passa em uma linha de tempo alternativa e é por isso que não tem obrigação de repetir os elementos tais como os conhecíamos. Só que há uma falácia aí. A linha de tempo é criada apenas 25 anos antes, com a emersão da Narada de dentro do buraco negro. Muita coisa já estava fixa nessa época: p.ex. a forma das naves, sua engenharia livre de tubos e válvulas e a montagem delas no espaço (e não na superfície, como vimos a Enterprise ser construída). Portanto, a seguir a lógica do filme, esses elementos não poderiam ter sido diferentes dos que conhecíamos. Mesmo assim foram.

Na hora, cheguei a me queixar de que isso também acontecesse ao teletransporte: na época da Clássica, ele conseguia travar em objetos em movimento, mas não neste filme. Só que o filme se passa *antes* da época da Clássica e até mostra Chekov inventivamente conseguindo superar a limitação, de modo que isso não é uma inconsistência.

Mas esse discurso sobre linhas de tempo nos traz a mais um furo. Se Spock-Nimoy sabia do posto avançado, por que ficou na caverna em vez de ir logo para lá? “Porque não queria alterar a História.” Esse é um argumento fraco, porque a História já fôra dramàticamente alterada pela Narada. E, se fosse por isso, então por que foi para lá assim que Kirk apareceu? Está mal explicado.

Neste filme, aprendemos que Scotty acidentalmente matou o beagle do Almirante Archer com um teletransporte. Isso é brincadeira com o Capitão Archer, que realmente tinha um beagle na série Enterprise, ambientada cem anos antes deste filme! Passado um século, agora ele é almirante…

De Scotty também decorre um pequeno e perdoável furo da história. Em Star Trek, o teletransporte é impossível para um objeto em velocidade de dobra, bem como para distâncias maiores do que uma órbita. O filme precisava de um teletransporte sem essas limitações para poder devolver Kirk à Enterprise, então deu um jeito. Isso foi outro deus ex machina, mas pelo menos foi justificado, e ecoa uma cena parecida de A Volta para Casa. Ali, Scotty, vindo do futuro, programou a fórmula do alumínio transparente no computador velhusco de uma fábrica. Aqui, Spock, vindo do futuro, programa a fórmula do próprio Scotty para o transporte em dobra, no computador velhusco de uma oficina.

Mais adiante, o mesmo teletransporte faz uma pequena remissão para os mais atentos: nas telas de computador a bordo da Enterprise, seu símbolo é um homenzinho entre duas setas, tal como nos filmes da Clássica.

Aquele anão auxiliar do Scotty parece um cruzamento de Jem’Hadar com Jawa. Gostei não.

No final do filme, a Enterprise entrou em velocidade de dobra SEM REATOR. Isso ganha até do veleiro solar do Comandante Sisko em “Explorers” (DS9, terceiro ano).

O Capitão Pike, naturalmente, não podia sair-se bem. O malvado Nero usou aquele bichinho do horrível episódio “Conspiracy” (primeiro ano da NG) para causar o mesmo efeito do outro bichinho, de A Ira de Khan. E Pike termina em uma cadeira de rodas em consequência de algo que lhe aconteceu em uma nave cheia de cadetes — exatamente como em “The Menagerie”. Pelo menos foi um destino menos cruel do que naquele episódio da Clássica.

Antes de encerrar, lembro que, apesar do que se anunciou, o reboot não rompe totalmente com a continuidade: a linha de tempo do filme é alternativa, aparecendo como derivação da cronologia original. Dessa forma, ainda é o mesmo universo, embora não do mesmo jeito. Isso é muito mais respeitoso do que declarar que se trata do mesmo universo mas desobedecer ao que veio antes, porque, pelo menos agora, o diretor é efetivamente mais livre. Também é mais respeitoso do que ignorar a produção anterior por completo, como fizeram Batman Begins e Battlestar Galactica e como a NG tentou (e fracassou miseràvelmente) em seu primeiro ano. Assim, em vez de sair uma porcaria sem pé nem cabeça, como se fez em Insurrection e Nemesis, ou um desrespeito à História, como foram First Contact e Enterprise, o que se tem é um pacote primoroso. O diretor mostra-se um nerd trekker, que fez o dever de casa e que se destaca pelo respeito, não pelo desrespeito aos personagens e aos fãs.

Uma das maneiras mais simplórias de se entender viagens no tempo é presumir que a “nova” linha de tempo apague a “anterior”. Assim são filmes como os três De Volta para o Futuro, O Exterminador do Futuro e o episódio “Yesterday’s Enterprise” (terceiro ano da NG). Mas, na interpretação multimundos, as linhas de tempo existem simultaneamente, como nos episódios do universo-espelho e no episódio “Parallels” (sexto ano da NG). Nessa segunda óptica, a linha de tempo anterior está mantida; ela apenas não é o foco da história. Ora, o Spock-Nimoy deste filme veio do ano 2387, que é posterior a todos os filmes e séries de Star Trek. Portanto, ainda pode haver histórias ambientadas na linha de tempo original (a que valeu desde a série Clássica até antes da estreia do novo filme em 2009). Provàvelmente a Paramount não as fará mais no cinema nem na TV, possìvelmente as fará apenas em livros, mas é importante notar que ela ainda está lá, disponível.

Só que sem Romulus. No saite do Trek Brasilis, tinha gente comentando que aquela supernova devia se chamar Rick Berman. Digo por quê: foi destruindo a Jornada toda pelo caminho, até o ponto de ficar tão ruim que tiveram que fazer um reinício sem ele. Pois fica melhor assim.

Agora, por outro lado e por causa disso, vamos ter um problemão daqui a uns anos. Pode ser que, dentre as pessoas que começam a ter contato com a franquia agora, algumas se interessem pelos outros filmes, séries e livros. Vai explicar Jornada 3 para elas! “Mas como assim estão levando o Spock para Vulcano? Vulcano não implodiu?” “Sim, mas veja bem, isso foi em outra realidade…” Vai explicar Jornada 4! “Mas como assim Amanda veio ver Spock? Ela não tinha caído do penhasco?”

Enfim, mundos viveram. Mundos morreram. E o universo nunca mais será o mesmo. É a Crise nas Infinitas Jornadas.

Escrito por sratoz

10/05/2009 às 04:10

10 Respostas

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  1. Com furos ou sem furos vibrei o filme inteiro, concordo com as linhas de tempo diferentes que vc apontou na resenha que, por sinal, está maravilhosa!
    Não devia ficar só no seu “belogue”…
    Devia ir pra algum outro site, ser mais divulgada, até pra uma revista, sei lá, uma análise super bem feita.
    Li do começo ao fim sem parar, e isso não só por ser trekker, o texto está bom demais, e “falo de cadeira”, com relação a textos!

    Fatima Romani

    04/06/2009 em 15:01

  2. A crítica mais completa e lúcida que li sobre o filme. Deixa claro que as falhas e inconsistências do filme provêm justamente de uma vontade ferrenha, por parte dos realizadores, em acertar. Se tivessem feito um reboot total poderíamos ter um filme muito mais coerente, mas que ao mesmo tempo seria desrespeitoso em relação a tudo que foi feito antes. Mais uma vez, parabéns pelos comentários.

    Sylvio

    04/06/2009 em 07:57

  3. Nao foi tanta coincidencia assim o jovem Kirk encontrar o velho Spock na caverna.
    Nero deixou abandonado o velho Spock em Delta Vega (o planeta gelado), proximo de Vulcano, para ele assistir impotente aa destruicao de seu planeta natal.
    E o jovem Spock deixou abandonado o jovem Kirk tb em Delta Vega por motivo de motim nas proximidades de Vulcano.
    Podia ser o unico local proximo viavel (Vulcano nao tem luas).
    Podemos supor ainda q a parte mais habitavel do planeta fosse uma area pequena, onde naturalmente estaria a base da Federacao. Nas imediacoes os unicos abrigos poderiam ser cavernas.
    Nesse contexto, o encontro do jovem Kirk com o velho Spock numa caverna nao seria tao improvavel.
    Spock estava ali ha’ pouco, questao de dias talvez, pois foi capturado por Nero logo na sua chegada do futuro, 25 anos depois da chegada de Nero, embora so’ poucos minutos depois de Nero ter viajado para o passado, do ponto de vista do velho Spock

    Eduardo Torres

    03/06/2009 em 16:16

  4. [...] blog Caixa de Sabão do Sr. Atoz: Star Trek redux, Star Trek em 2009: detalhes para quem não viu e Star Trek em 2009: a resenha do Sr Atoz. Leia também o texto Longa vida ao novo Kirk publicado no blog do Alexandre Maron e estes dois [...]

  5. Caro Sr AtoZ.
    Me parece clara a relacao entre a Soociedade Vulcana e seu Conselho Governante e o Status Quo de Sarek. E´ enganoso achar que ele e´ mantido no Conselho e na Embaixada na Terra como forma de prestigio, mas sim como forma de controle e desprezo. Controle, por mante-lo por perto no Conselho e desprezo, por mante-lo numa das embaixadas mais dificeis (por lidar com humanos emotivos) e de duvidosa chance de desenvolvimento.
    Um abraco,
    Doc.

    Doc

    14/05/2009 em 00:04

  6. Desde que esse novo Star Trek foi anunciado duas coisas se manteve no meu pensamento. A primeira era o que a dupla de roteiristas Orci e Kurtzman (que estão longe se serem bons) fariam. A segunda é que a direção do filme estaria em boas mãos.

    Vendo agora o resultado as minhas previsões se confirmaram. O roteiro é pífio e tudo o que ele tem de bom e agradável vem das citações à base de Jornada que todos conhecemos. Por sorte, os dois roteiristas são realmente fãs de Star Trek. Eles acertaram em todas as referências mas erraram em criar uma trama substancial e apelaram (como você comentou) a mais de um ex-machina para se safar dos problemas na evolução do enredo.

    E olha que o Abrams já comentou que certo dia, ainda apenas como produtor, leu o roteiro e pensou consigo mesmo “vou me odiar se deixar outro dirigir isso”. Não sei como ele enxergou um bom filme. Ou melhor, sei, todo bom diretor enxerga as entrelinhas e vai muito mais além que o texto oferece. Ufa.

    O preocupante é que Orci e Kurtzman retornaram para a sequência e Abrams já anunciou que não a dirigirá. Nâo sei o que vai dar isso, mas há o lado positivo deles enfim contarem uma história que não precisa se atrelhar as apresentações de personagens.

    Não chego a dar nota máxima justamente por causa da trama clichê. Embora não cometa os erros dos dois últimos longas que eram pura bobagens.

    O vilão Nero também não ajuda a dar uma força maior ao filme, longe de ser um Khan, que tinha muito conteúdo e presença.

    Agora, visualmente é o mais belo filme da série. E com a ação balanceada aos diálogos caracteristicos dos personagens. Taí um mérito do roteiro, não deixou apenas o Kirk e Spock brilharem e deram aos demais um status maior que figuração de luxo. Embroa McCoy merecesse muito mais.

    A Jornada está novamente viva.

    netiteve

    10/05/2009 em 19:14

    • Waaalll… Quanto a ser o mais belo filme… Está certamente de acordo com os blockbusters de hoje, mas, por isso mesmo, há uma certa poluição visual, com muita coisa para se ver ao mesmo tempo. Os cenários e figurinos são consistentes com as produções que o cinema vem fazendo nos últimos anos, mas isso difìcilmente o torna o filme mais belo… Quanto aos planetas, vejo este filme como o mais bonito sim, e a gravidade zero foi posta de modo mais acurado, mas sempre apreciei o comedimento e a simbologia na estética dos outros filmes. Seria prematuro compará-los.

      sratoz

      10/05/2009 em 19:32

  7. Bom ponto sobre a parte das características da cronologia antes da Narada se pegar com a Kelvin, Atoz. Eu concordo com você no que diz respeito das mudanças após a esta batalha poderem ser justificáveis por este fato em si, mas eu acho que dá também para racionalizar retroativamente algumas coisas — ou seja, características vistas na cronologia do filme antes da mudança, mas que também não vimos em TOS.

    Por exemplo, digamos que entre o final de ENT e décadas antes de TOS (período que não vimos), a tecnologia federada fez com que as naves tivessem engenharias como a vista na Kelvin. Contudo, a pessoa responsável pela mudança conceitual tecnológica que faria com que as naves não tivessem mais tantos tubos acabou morrendo na batalha, e portanto, a Frota continuou com as soluções e tecnologia que dão para a engenharia das naves aquela aparência — classe Constitution agora inclusa.

    Leandro Martins

    10/05/2009 em 12:13

  8. Oi! Como eu não sou um especialista em Star Trek, sua resenha e sua lista de referências foram úteis para eu pegar alguns detalhes que havia perdido.

    O principal motivo de eu chamar a coisa toda de “nó cego” foi principalmente por me considerar incapaz de mapear tudo que foi mexido pela sacada da realidade paralela. Seu texto ajuda a mapear vários dos pequenos detalhes. Valeu!

    Alexandre

    10/05/2009 em 06:53

  9. [...] Star Trek em 2009: a resenha do Sr Atoz [...]


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