Caixa de sabão do Sr Atoz

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… E ainda sei a letra do Hino Nacional

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Da última vez comentei como meu trabalho envolve negociar contratos, muitas vezes em inglês. Lembro-me de uma reunião a que compareci. Do meu lado da mesa, alguns gerentes da Companhia. Do outro lado, ingleses e americanos de uma mesma firma. No final da reunião, um dos súditos de Sua Majestade, aliás o mais velho e formal dos presentes, perguntou-me onde eu havia aprendido um inglês tão bom.

Surpreendido pela aparente gratuidade do elogio, respondi o melhor que pude: by reading The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy, by the brilliant Douglas Adams. There is no better source.

Mas sou uma daquelas pessoas que só três horas depois conseguem pensar numa resposta mais adequada. Aqui estão algumas.

– That’s nothing. I can also think while riding a bicycle.

– Oh, you should have seen me yesterday: I named all 79 episodes of the original Star Trek series without skipping a beat.

– Not only do I speak English, I can also disassemble an FN rifle in under two minutes. Of course, that does not imply that I could put it back together again.

Se me lembrar de outras, eu conto aqui.

***

Saites visitados há pouco:

http://ateaquitudobem.blogspot.com/
http://oimperativocategorico.wordpress.com/
http://aqueladeborah.wordpress.com/
http://www.nerdssomosnozes.com/
http://suicidegirls.com/
http://www.collegehumor.com/video:1750427 — Monsters — esse é ótimo! Recomendo enfàticamente.
http://www.collegehumor.com/video:1802740 — Win98/XP jam
http://breezeofwords.wordpress.com/
http://super.abril.com.br/blogs/videorama/163964_post.shtml
http://www.mundogump.com.br/
http://fleetyard.net/ — Harry Doddema
http://www.polzonoff.com.br/?p=2168 (O Eco da Generosidade)
http://www.polzonoff.com.br/
Recém-lidos:

Swamp Thing: Regenesis, de Rick Veitch, Alfredo Alcalá e Brett Ewins, ISBN 1-4012-0267-5, reunindo as histórias de Swamp Thing #65-70, de outubro de 1987 a março de 1988. Recomendo.

Superman #18 (junho de 1988), “Return to Krypton”, publicada em Coleção DC 70 anos no. 1 (maio de 2008). Recomendo.

Escrito por sratoz

27/05/2009 em 01:39

Balok era apenas um baixinho

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(O título acima é para quem viu o episódio “The Corbomite Maneuver”. Não vou explicar.)

Quando eu estudava inglês no colégio e no curso, uma das coisas que vi, mais de uma vez até, foi como escrever cartas comerciais. Era uma redação toda formal, com o endereço do destinatário no canto superior direito, local e data, e abria com “Dear Sir or Madam,” Tinha que ser uma gramática toda castiça, com os tempos verbais bem cuidados e um fecho impecável: “I look forward to your reply. Yours truly, Fulano”.

Hoje negocio contratos internacionais, a maioria dos quais em inglês. Muitas vezes sou eu que abro as negociações, então sigo direitinho as instruções da Dona Nara, da Carmen Lúcia, da Dona Míria, do Quaresma e do Mr. Perry. “Dear Sir”, “Dear Mr. Sobrenome”, e vários had nots e would haves.

No início, as respostas me surpreendiam: ingleses e americanos mostravam uma total ausência de formalismo, preferindo ser chamados pelo primeiro nome (ou até abreviações: Ted, Chris). O vocabulário era totalmente coloquial. Os tempos verbais eram contraídos sem apóstrofo! I hadnt seen it, por exemplo. Ainda é assim, mas ainda não me habituei, mesmo após dois anos fazendo isso.

Então me lembrei de um detalhe: todos aqueles livros e professores estavam me contando sua versão acadêmica, sem exemplos extraídos do mundo real. Eu treinava e fazia provas, sempre com base no que tinha sido dado em sala de aula, sem verificação da realidade: será que realmente se escrevia carta assim? Ou isso era só o que *a escola* queria me fazer crer?

Duas hipóteses se candidatam a explicar o fenômeno. Uma é que primitivamente fosse assim mesmo e os livros tenham ficado desatualizados. Afinal, a vida se acelerou e já não escrevemos com o cuidado de nossos avós, que trabalhavam em estruturas fortemente hierarquizadas e cujos contratos tinham que vir em papel, a mão ou a máquina. Você tinha mais tempo elaborando uma carta e podia se dar ao luxo das firulas.

A outra hipótese é que nós, alunos latrino-americanos, tenhamos sido enganados por nosso paternalismo clientelista e pela falta de autoestima que lhe vem atrelada. O sinhô é sempre uma ameaça imprevisível, uma espécie de senhor de terras no feudo onde somos servos, a quem devemos homenagens pela simples diferença de status social, independentemente do interesse ou da posição das partes na negociação. Presume-se que o gringo seja mais respeitável, mais refinado, e que não dependa de nós para nada, de modo que tememos ofendê-lo, nós que desejamos os espelhos e miçangas que ele nos traz de outro mundo. Então nos desdobramos em rapapés e salamaleques.

A convivência me mostrou que eles erram, sim, que se confundem, que não são mais inteligentes e que deixam de usar s depois de apóstrofo só porque a palavra anterior também termina com s. De nosso lado, ainda temos uma força de trabalho analfabeta e desqualificada, de modo que o Gringo continua em vantagem. Mas não é um poder intrínseco nem sobrenatural que ele tenha. Talvez as veias da América Latina não estejam tanto para Galeano quanto para Galeno, que descobriu que somos todos feitos da mesma carne.

Escrito por sratoz

20/05/2009 em 00:54

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