Ainda corado, hidratado, acianótico e anictérico

Pensando bem, acho que vou escrever isso no meu currículo. 

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Corado, hidratado, acianótico, anictérico

Foi o que a clínica escreveu no relatório hoje de manhã.

Tenho certeza de que é um vocabulário muito técnico, mas, se você tomar uma distância crítica, não deixa de ser engraçado. “O paciente encontrava-se corado, hidratado, acianótico e anictérico.”

Corado como um porquinho, I might add. Quando alguém me perguntar, “como vai você?”, direi, “corado, hidratado, acianótico e anictérico”. É a maneira de dizer em português, “all systems are functioning within normal parameters”.

Estive pensando recentemente. Sou mortal. Estar vivo é um risco, você pode morrer a qualquer momento, de qualquer causa, endógena, exógena ou extraterrestre. Então, assim que terminar os livros que estou lendo, vou ler os livros da Fundação, dos Robôs e do Império, do Asimov. Na ordem, naturalmente. Depois, um pouco de Arthur Clarke, outro tanto de Sagan, umas migalhas de Tolkien e uma seleção de livros de Jornada. Pelo menos esses estarão lidos se o inevitável não puder ser evitado, o mais cedo possível. Mas uma coisa de cada vez.

Trilha sonora: Genesis Archive 1967-75, naquela parte “ao vivo” (não exatamente) de The Lamb Lies Down on Broadway.

1, 2, 3… Está ligado? Isto está ligado?

Saudações.

Esta é minha quarta tentativa de iniciar um blog em cerca de cinco anos. As duas principais razões que me impediram, e largamente ainda me impedem, são estas.

1. Temor quanto a violação de direitos autorais
Certa vez, um grupo de pessoas pegou um texto meu que eu pusera na Internet (uma cronologia de Jornada nas Estrelas). Passaram meu nome lá para o final, como parte da “bibliografia consultada”, e republicaram como se fosse próprio. Isso me deixou furioso mas, pior, fez de mim gato escaldado. Agora, texto meu só vai para tela alheia depois de registrado na Fundação Biblioteca Nacional. Este blog é minha quarta tentativa de me libertar desse paradigma, que, no final, acaba me prendendo também.

2. Prioridades alhures
Tenho que estudar. Também tenho que trabalhar. Em terceiro lugar, a Internet NÃO é minha primeira opção de lazer. O tempo da vida é escasso, tem que ser priorizado, e blog é coisa de desocupado.

De brinde, duas razões adicionais para eu não querer um blog:

3. Ruído
A Internet já está cheia de pessoas inteligentíssimas, com opiniões brilhantes, pontos de vista originais, percepções inusitadas, sacadas geniais e criatividade galopante. Mais um vai ser só mais um. Não estou a fim de entrar na máquina de moer carne.

4. Infreqüência
Em face da razão número 2, vocês podem imaginar com que freqüência eu pretenda vir aqui. Então, não frustremos o improvável Leitor interessado.