Corado, hidratado, acianótico, anictérico

Foi o que a clínica escreveu no relatório hoje de manhã.

Tenho certeza de que é um vocabulário muito técnico, mas, se você tomar uma distância crítica, não deixa de ser engraçado. “O paciente encontrava-se corado, hidratado, acianótico e anictérico.”

Corado como um porquinho, I might add. Quando alguém me perguntar, “como vai você?”, direi, “corado, hidratado, acianótico e anictérico”. É a maneira de dizer em português, “all systems are functioning within normal parameters”.

Estive pensando recentemente. Sou mortal. Estar vivo é um risco, você pode morrer a qualquer momento, de qualquer causa, endógena, exógena ou extraterrestre. Então, assim que terminar os livros que estou lendo, vou ler os livros da Fundação, dos Robôs e do Império, do Asimov. Na ordem, naturalmente. Depois, um pouco de Arthur Clarke, outro tanto de Sagan, umas migalhas de Tolkien e uma seleção de livros de Jornada. Pelo menos esses estarão lidos se o inevitável não puder ser evitado, o mais cedo possível. Mas uma coisa de cada vez.

Trilha sonora: Genesis Archive 1967-75, naquela parte “ao vivo” (não exatamente) de The Lamb Lies Down on Broadway.