Sr Atoz, o Noveleiro

Você notou uma coisa? Nessa novela aí, Sinhá Moça, consideradas as leis em vigor na época (1888), a ÚNICA vítima, até agora, foi o Senhor Barão! Olha só:

– a filha foge de casa, subtraindo-se a seu pátrio poder;

– a esposa rebela-se contra sua vontade, simpatizando com arrivistas;

– o ouro, acumulado por gerações pregressas de maneira legal, é furtado;

– é forçado a alforriar os escravos mediante coação.

De resto, o Senhor Barão fez o que estava a seu alcance para defender bens que eram seus de acordo com a lei, assim como procurou defender o sistema em que acreditava. Alguma coisa ele fez que fosse contra a lei? Alguma coisa ele fez que fosse considerada sequer imoral em 1888? (Talvez tenha feito, não vi a novela toda.) Então ele bateu em alguns escravos, ele matou outros. E daí? Na época, isso era lícito e considerado necessário.

“Ah, mas, se fosse hoje, não podia.” Amigo, se fosse hoje, eles não seriam escravos, de modo que ele não teria nem por que bater. Como a novela é escrita hoje, com os valores de hoje, fica muito fácil demonizar o Barão, apontar-lhe o dedo como o Grande Vilão da novela. Mas aponte sua má ação na história. Intolerância? Isso não é sequer ação. Tom de voz? Então, agora, ele é o Homem Mau da Novela porque levantou a voz dentro da própria casa (em 1888, insisto) ?

Em compensação, o mocinho fez tudo que pôde para prejudicar os interesses dele. Ou não fez tudo, não sei, que não acompanhei, só vi uns pedaços.

A vítima é o Barão.