Adrenalina urbana

Never give up. Never surrender. — Capitão Quincy Taggart.

Eu estava dentro do ônibus às 11:45 h. O atendimento acabava ao meio-dia; depois, só às 14 horas. Desci do ônibus às 11:52 h, cheguei à recepção às 11:57 h, uma mulher e sua filha na minha frente. Chegou minha vez, a moça ainda disse, “ih, então tem que andar logo, que já deve tá fechando”. Eu sei, minha filha. Vi a mulher e sua filha encaminhando-se ao elevador lento de repartição pública. Tá doido se eu pego esse elevador, pensei, rápido. A sala fica no terceiro andar, a escada é curta e eu conheço o caminho, não vou me arriscar, se eu subir agora chego antes dele.

Quando eu estava chegando ao segundo andar, ouvi o “pipi” do relógio digital marcando meio-dia. Ora, sei lá se o da repartição não está atrasado um minuto. Tenho que fazer a minha parte, que é correr. Cheguei ao terceiro andar e vi a porta do elevador a se abrir.

Marchei em direção à sala, o que me pôs no limite civilizado abaixo da corrida. Entrei. “Vocês tão na fila?” “Não, você é o próximo.” Entrei na salinha. “Com licença, eu vim buscar uma certidão.” “Pois não, entraí.” — “Sentaí, amigo, descansa um pouco.” Um minuto passou-se. A moça, filha da mulher, entrou pela porta principal. “Ô Fulano, meio-dia, tem uma moça aqui. Atendo?” “Deixa entrar, mas depois fecha, agora só duas horas.” Afinal, peguei meu documento, li rápido, era o meu. Saí pela porta por onde, agora, só se podia mesmo sair.

A moral da história? Só acaba quando termina. Até lá, sempre há uma possibilidade, então você luta até o final, você não se entrega, sabe lá se não é justamente esse esforço que vai fazer diferença. Aprendi isso com o Capitão Kirk.