Poesia involuntária

Mais uma vez, o relato da viagem a Houston está aqui. Hoje o assunto é outro.

Outro dia, o Daniel, colega de trabalho, perguntou pelo prédio onde funciona a agência dos Correios na rua Primeiro de Março: se eu já tinha estado lá. Já. “E é bonito?”

“É tão bonito e feio quanto qualquer prédio público antigo do Rio de Janeiro.”

“Essa foi boa. Bonito e feio, gostei.”

“É, eu me enganei. Quis dizer que é tão bonito ou feio quanto qualquer outro, dependendo de quem olha; que não tem nada de mais.”

“Não, deixa assim. ‘Bonito e feio’ tem mais graça.”

Ele tem razão. Assim tem mais conteúdo e, ao mesmo tempo, crítica. Assim afirmo minha percepção, não deixando à escolha do observador.