Recomendação de hoje: objetividade

Ontem, a caminho do trabalho, eu estava para descer do ônibus quando vi uma mulher aplicando rímel, espelhinho em punho, dentro do mesmo veículo. Sabemos que ônibus parados têm a incômoda tendência de entrarem em movimento com um arranco súbito. Lembrei-me daquele sujeito tentando fazer a barba enquanto a nave fazia um pouso forçado em Apertem os Cintos! O Piloto Sumiu… II.

Uma dica
Às vezes, na rotina diária, você precisa entrar em contato com atendentes que não são responsáveis pelo processo. Em 100% das vezes, essas pessoas não estão interessadas nos detalhes motivadores da sua necessidade e, na maioria das vezes (mas não todas), são pessoas burras. Trata-se de gente que não entende como funciona o processo, não tem domínio dele nem decidirá nada. Estão ali apenas para tomar dados e registrar seu pedido em uma tarefa roboticamente chapliniana, e qualquer informação será descartada se não estiver prevista pelo formulário que preenchem. Se você lhes fizer alguma pergunta, a resposta será um invariável “não sei”.

Então, você tem que ser o mais objetivo possível, especificando exatamente o que quer, sem ambigüidades, justificativas ou digressões. Se fizerem perguntas, responda do modo mais lacônico: “sim”, “não”, data exata, nome exato, endereço etc.

Vou lhe dar um exemplo. Um colega meu tinha exame médico marcado para hoje. Meia hora antes, descobriu que havia esquecido a carteirinha do plano de saúde e percebeu que não seria atendido. Imediatamente, telefonou para remarcar. Mencionou o esquecimento para justificar a necessidade de remarcação. É aí que digo: para quem está no outro lado da linha, é irrelevante o motivo. Então, ele gastou tempo à toa, próprio e alheio: não deveria ter se esforçado para esclarecer o motivo, que não foi perguntado; bastava apenas pedir para remarcar.

Recém-lidas:
The Sandman #34 (janeiro de 1992), traduzida;
Armageddon: the Alien Agenda #3 (janeiro de 1992).