Estranhas compulsões

Na última terça-feira, entrei na estação do Metrô da Saenz Peña, cerca de uma da tarde. Bilheteria com quatro guichês. Dois com fila, um fechado. Diante do primeiro, uma linha de cinco ou seis pessoas; diante do segundo, outra com três ou quatro. Eu ia entrar na fila de três ou quatro quando fiz o que sempre faço: procurei algum guichê aberto e disponível.

Tinha! Atrás do vidro, a moça estava sòzinha, olhando para fora meio desolada. Imediatamente, em vez de me enfiar atrás dos outros, fui ali, fui o primeiro a ser atendido.

O detalhe é que ela não estava abrindo naquela hora, não. Simplesmente ninguém a procurou! Até perguntei, por que que não tem fila? Mais intrigada do que eu, retrucou, sei lá, vai ver que não vão com a minha cara.

É mesmo muito engraçado: diante de uma fila, as pessoas logo procuram garantir o seu e vão entrando sem questionar. Como em tudo na vida, sempre acaba custando mais caro a miopia de só enxergar o que está na sua frente e de se contentar com o que se consegue sem ter que ter muito trabalho. A *primeira* coisa que faço antes de entrar em uma fila é me certificar de aonde ela vai dar, e se não tem outra mais curta. Só depois me torno o último.

Do alto de meus recalques, fantasio e festejo que as pessoas da fila menor, bem ao meu lado, ficaram revoltadas ao me ver ser atendido antes delas, ofendidas ao me ver furar.