A Bíblia é metal total

Hoje à tarde, comentei com o Filósofo que a Bíblia é um livro bem heavy metal. Com isso, dizia que é genocídio, ciúme doentio, radicalismo, guerra total, muito sangue, violência gráfica, cadáveres putrefatos aqui e ali, etc.

Não é à toa que é o livro preferido do Alex Castro, porque tem tudo que um bom livro deve ter: intriga, romance, traições, corrupção, incesto, conflitos familiares, vingança, conflitos morais. Também contém conselhos sensatos (Sabedoria, Provérbios, Eclesiastes), poemas belíssimos (Salmos), recomendações para uma boa dieta (Daniel), Direito (Levítico, Deuteronômio), mitologia e arquétipos junguianos (Gênese), delírios insanos e geniais (Ezequiel, Apocalipse — vai dizer que as capas dos discos do Iron Maiden não vieram de lá?), épicos (Êxodo, também conhecido pela atuação de Charlton Heston), regras simples mas eficazes de boa convivência (os quatro evangelhos), a lista é longa.

Aí, cliquei no Janer Cristaldo e li seu post sobre liberdade, ateísmo e religião (datado de 13 de abril). Tive que comentar por email:

“Há umas semanas, também comentei em meu belogue: toda vez que a Igreja se mete em política (o que, aliás, é direito dela), é SEMPRE para dizer NÃOPODE. SEMPRE para PROIBIR crentes e incréus de fazer alguma coisa, nunca para permitir.

“Tremenda inimiga da liberdade, essa Igreja. Entre os dela, não me importo (estão lá porque querem. Já estive lá, sei disso). O problema é que querem que EU me sujeite a seus mandamentos, eu, que não escolhi segui-los, não lhes pedi nada nem, em teoria, vou para o Céu.”

Eu poderia ser levado para o Céu contra minha vontade? “Muito bem, Atoz, você agiu com retidão e piedade. Vem pra cá.” “Não quero, quero ir para o Inferno.” “Veja bem, Atoz, você não tem escolha, tem que vir para onde Eu quero.” “Pô. Até aqui? Já não basta antes, estou condenado pela eternidade?!”

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Vocês sabem a opinião que tenho das pessoas que trabalham em determinada lanchonete de festifúdi. Abaixo deles, o único degrau na escala das qualificações profissionais são os malditos distribuidores de filipetas que abundam em calçadas do Centro. Mas ontem eles se superaram. Sério. Conseguiram me surpreender mesmo.

É uma venda na porta do Metrô da Carioca, só duas moças atendendo. Uma no caixa, outra no balcão. Paguei à primeira, fui à segunda.

Eu: “Boa tarde. Um Chicabon quinhentos, por favor.”

Moça do balcão (com olhar morto e beiço pendurado): “O que que é Chicabon quinhentos?”

Moça do caixa, aflita: “É um milkshake sabor Chicabon. É médio.”

Em seguida, a moça do caixa largou a cliente que estava sendo atendida e foi fazer o milkshake pra mim enquanto a moça do balcão só olhava.

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Já esta foi no caixa eletrônico, menos de dez minutos depois. A máquina tinha cinco opções de valores para saque: R$ 10 — R$ 60 — R$ 110 — R$ 180 — R$ 330. Escolhi a terceira: cento e dez reais.

Deu mensagem de erro: “VALOR INVÁLIDO — VALOR DEVE SER MÚLTIPLO DE R$ 50”

Sou eu?

Recém-lidas:
Swamp Thing #96 (junho de 1990);
Swamp Thing #97 (julho de 1990).