Aqui como lá

Alguns dias atrás, o Strange Maps mostrou a curiosa situação da cidade alemã de Büsingen am Hochrhein: existe um pedaço de Suíça entre essa cidade e o resto da Alemanha. Então, o mapa da Suíça tem um olho, ou um buraco, onde fica Büsingen; e o mapa completo da Alemanha tem um pedaço destacado do principal, tal como o Alaska dos Estados Unidos.

Essa anomalia territorial tem algumas conseqüências curiosas, como o fato de o único posto de gasolina de Büsingen afirmar (aparentemente com razão) ter a gasolina mais barata do país, em decorrência de acordos alfandegários que a cidade mantém com a Suíça.

Comentei essa situação com o Filósofo, que me lembrou: temos isso no Brasil também. Como assim? perguntei. É em Brasília: a sede do STF, com seus Onze Alemães.

(Em tempo, cabe um esclarecimento. Habitualmente, nosso Supremo Tribunal profere julgamentos academicamente impecáveis, bem fundamentados etc. Infelizmente, conforme eu e o Filósofo já havíamos conversado, na maioria desses julgamentos os Ministros do Supremo têm a tendência de imaginar que estão na Alemanha, onde há dinheiro para tudo, onde ninguém tem fome, onde a polícia não bate nas pessoas, onde o cidadão acompanha a política e vota conforme uma convicção formada independentemente, onde todos são alfabetizados e conservadores e os vizinhos se respeitam. Apesar de mim, não vai aí uma crítica. Realmente devemos nos esforçar para este País se converter naquela espécie de paraíso dos direitos, e os julgamentos devem ser emitidos no sentido de realizar aquela utopia. É só que, na visão que os Senhores Ministros deixam transparecer, parece que aquilo tudo já é real. Com isso, às vezes os julgamentos se distanciam da realidade e seu conteúdo acaba perdendo efetividade.)

Recém-lidas:
Swamp Thing #98 (agosto de 1990);
Hellblazer # 52 (abril de 1992).