V-E Day

Hoje é Dia da Vitória.

Nesta data, há 63 anos, cessou aquela que foi talvez a maior carnificina na História da humanidade. Estima-se que mais de 60 milhões de pessoas tenham morrido em um conflito que moldou a geopolítica do mundo inteiro e sobre o qual já se escreveram milhares de livros.

Hoje, voltávamos do almoço eu e o Filósofo. Tínhamos acabado de atravessar a rua da Assembléia quando ouvi um barulhão. Imediatamente olhei para cima e vi quatro AMX em formação diamante, cruzando o céu do meio-dia em alta velocidade e a baixo nível — tão baixo que ele não teve tempo de ver. Comentei: hoje é Dia da Vitória, o monumento aos mortos é ali na frente. Deve estar acontecendo algum evento. (O telejornal da Record disse que eram “caças supersônicos” da Força Aérea. Não sei de onde tiram isso, é nossa imprensa chutando novamente o que não quer ter trabalho de pesquisar. Não eram caças nem supersônicos!)

Por alguns momentos, dediquei meu pensamento aos que se sacrificaram, aos que morreram à toa, aos que acreditavam, às vítimas sem escolha, à juventude perdida de toda uma geração e aos sobreviventes, feridos e orgulhosos.

É impossível não ter reação, alguma reação, diante da Segunda Guerra Mundial. Documentários abundam, consciências nacionais foram alteradas por ela, marcas profundas permanecem, há monumentos e cemitérios por toda parte. Depoimentos aos milhares, iconografia, ideologia.

Talvez nenhuma comemoração tenha sido tão apropriada quanto a do fim da guerra, a felicidade de que ninguém mais ia ter que morrer. E, no entanto, a Europa estava destruída, famílias desfeitas, e era uma alegria amarga, estragada, triste. E o conflito no Oriente ainda ia durar três sofridos meses, terminando com o calor do Sol na Terra e a chuva negra que trazia câncer.

A data não pode passar em branco. 63 anos hoje, para escarmento das gerações futuras, até nos esquecermos e começarmos tudo de novo.