Primeiro e improvável elogio

Antes: minha irmã me ligou alguns minutos atrás para dizer que o Salgueiro foi campeão do desfile de Carnaval no Rio e que, por isso, estão falando em fechar a praça Saenz Peña para comemorar. Para bom entendedor, meia frase basta: isso signif tudo mij e vomit, vdros quebr, tiros ocasion, tmlto e depred generaliz. Ah, que maravilha morar numa terra de tanta brasilidade, tanta malemolência, tanta ginga e selvageria.

E agora, vamos à mensagem de hoje.

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Eu vivo falando mal de tudo. Então, para variar do padrão, hoje vou elogiar uma pequena peça tecnológica.

Meu computador anterior rodava Windows 2000. Nessa versão do sistema, o Windows Explorer permite a busca de arquivos: você indica o diretório onde o arquivo deve estar, o nome do arquivo, parte dele ou uma seqüência de texto contida nele, e ele encontra o arquivo para você. Um dos problemas é que essa busca é muito lenta.

Até que instalei o Vista (não tive escolha: veio assim de fábrica). A busca de arquivos do Windows Explorer é desastrosa. Ele só tem um campo para você preencher com palavra-chave, que pode ser o nome do arquivo ou texto contido no arquivo. A busca é extremamente lenta e, depois de alguns testes, confirmei que o Windows não conseguia encontrar um determinado arquivo ainda que fosse o único do diretório e eu apontasse qual diretório era esse. Além disso, retorna resultados que não se enquadram nos parâmetros de busca apontados — ou, em outras palavras, que não têm nada a ver com o que eu procurava e que só me fazem perder tempo. Devem ser os algoritmos heurísticos da Micro$oft. Sabemos no que deu o último computador que foi concebido para ser programado heuristicamente.

Então, fui à Web e catei uma meia dúzia de programinhas de busca ou gerenciamento de arquivos. Encontrei uma pequena maravilha chamada Effective File Search 5.5, de uma empresinha chamada Sowsoft. É um sharewarezinho básico como há décadas estamos acostumados a ver.

Sem sacanagem: o programa é levíssimo e rápido como um trem britânico em passagem de nível. A melhor parte são as opções de busca: você pode especificar tamanhos mínimo e máximo do arquivo que está procurando, data mínima e máxima, e texto contido no arquivo. Tamanhos e datas já ajudam pra caramba: você sabe que baixou aquele PDF entre dezembro de 2007 e março de 2008, sabe que pesa mais de 100 kB mas menos de 1 MB, só esqueceu o nome. Além disso, ele te dá operadores booleanos: é a opção de procurar arquivos com um nome “ou” outro nome, “e não” aqueloutro nome.

E é rápido. Mal você clica OK, ele já te dá os resultados precisos que você estava procurando, sem a demora inútil e burra do Vista. Para minha surpresa, descobri recentemente que ele dá alguns poucos resultados falsos, mas nisso não se compara ao Vista, que gera muito mais resultados falsos do que verdadeiros. E, como ele gera poucos resultados, é muito mais fácil identificar os falsos e verdadeiros do que no Windows, onde você fica um tempão rolando a tela para chegar no arquivo que procura.

Na instalação, o EFS ainda insere um atalho no menu de botão direito do Windows Explorer. Ali, onde você costuma encontrar “explorar’, “copiar”, “colar”, “excluir”, “criar atalho”, agora tenho também “effective search”.

Usuários de shareware têm o hábito de continuar usando a versão que baixaram e considerar que sejam apenas um mal necessário aqueles popups de lembrete “registre-se já para ter a versão pro”. No caso do EFS, o programa simplesmente pára de funcionar após trinta dias. Mas é tão bom que me fez pensar na justiça de retribuir a quem o criou da maneira mais justa e, além do mais, eu realmente queria continuar a usá-lo honestamente. Então, abri a mão: fui ao saite, paguei os R$ 70 pela licença, e eles me enviaram o código de desbloqueio por email. Bastou clicar e voilà, está funcionando para sempre, sem popups e sem spyware ou algum outro código malicioso oculto (meu firewall é um Comodo 3.5, sensível e atento. Eu saberia). Dinheiro bem e justamente gasto.

Um usuário mais avançado poderia argumentar que o EFS não valesse R$ 70, já que, certamente, foi construído em cima de um código mixuruca que um micreiro das antigas conseguiria imaginar na sua garagem em menos de meia hora. Mas você paga pela comodidade: eu não sei escrever o código de busca mixuruca. Tenho certeza de que seria fácil aprendê-lo, mas quanto tempo tenho? Então, prefiro pagar a quem me fez o conveniente e gentil serviço de trazê-lo pronto.

É assim: a empresa faz um programa eficaz, leve, simples, eficiente, e o cliente satisfeito a remunera por isso. Tão satisfeito que ainda faz propaganda de graça. É assim que devia funcionar com todos: dinheiro honesto ganho de maneira honesta.

Recém-lidas:
Wonder Woman #286 (dezembro de 1981), primeira história, publicada em Coleção DC 70 anos no. 3 (julho de 2008);
Justice League of America #200 (março de 1982), páginas selecionadas publicadas em Coleção DC 70 anos no. 5 (setembro de 2008).

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