Anotações — Isaac Asimov

Prossigo no intento de ler o núcleo da obra de Isaac Asimov: o pequeno conjunto de livros que o tornou célebre e que despertou o interesse de tanta gente na ficção científica. São menos de trinta livros, dos quais li os dois primeiros (Foundation e I, Robot) e estou no terceiro (Foundation and Empire). Creio que, agora, faltem vinte livros.

Diz-se que os dois primeiros concentram o que de melhor ele escreveu. Talvez ele tenha mesmo criado um choque em comparação com Autores anteriores, não sei. Talvez ele tenha trazido um pouco de humanidade a um campo que, de outro modo, é tido por árido. Talvez ele tenha sido o primeiro, ou um dos primeiros, a deixar as tecnicalidades de lado para se concentrar na trama. Pode ser. Por certo, o ponto rico do que ele escreve é um certo conteúdo de mistério, convidando o leitor a decifrar o que vai acontecer. Há, ainda, uma outra constante que identifiquei na obra e que indica muito da personalidade do escritor, que é uma confiança na Ciência e no racionalismo.

Os livros são mesmo bons, mas permitam-me dizer que Asimov é um tanto overrated. Em I, Robot, todos os personagens humanos, exceto a protagonista Susan Calvin, têm o pavio bem curto, estão sempre perdendo a paciência sem motivo, gritando, exasperando-se, de um modo irritante e sem explicação. Tenho duas hipóteses de trabalho para isso. A primeira é que o Autor, à época ainda pouco experiente, estivesse tentando criar personagens realistas, ele que era tão cerebral, e tenha errado na mão. Na tentativa de imitar as demais pessoas, teria acabado por fazer personagens excessivamente emocionais.

A segunda hipótese é que fosse um contraste intencional entre os defeituosos humanos, imprevisíveis e sempre à beira de um ataque de nervos, e os robôs, sempre equilibrados e racionais. Essa hipótese parece-me a melhor das duas, especialmente porque a Dra. Calvin aparece como um modelo de nerd respeitada — mais ou menos uma versão feminina e mais monótona do próprio Asimov — e difìcilmente perde a compostura. Porém, saiba que, com isso, o Autor acaba sendo repetitivo e inverossímil.

Além do mais, contrariando o caráter nerd do próprio Asimov, encontrei mais de um erro nos livros. Há momentos em que ele troca nomes, o que causa uma certa estranheza para quem vem lendo a história. É curioso que o editor original não tenha percebido isso, lá nos anos 40. Agora, passados mais de sessenta anos, naturalmente é tarde demais para uma correção, ainda mais que o Autor está morto.

Voltando à história da Fundação em si mesma: um dos atributos dos bons livros é estimularem você a procurar suas referências. Neste caso, Asimov já comentou que sua grande inspiração foi o Declínio e queda do Império Romano, onde Edward Gibbon demonstrou fatores sociais e econômicos como explicação para a evolução do império. Isso aparece na Fundação, cujo maior efeito sobre mim, até agora, é a vontade de ler o livro de Gibbon — todos os seis volumes.

Recém-lidos:
Justice League of America #244 (novembro de 1985);
2009-03-21 — I, Robot, de Isaac Asimov; Bantam, ISBN 0-553-29438-5;
2009-03-23 — O que muda com o novo Acordo Ortográfico, de Evanildo Bechara; 1a. edição, 2a. impressão, dezembro de 2008, Nova Fronteira: Lucerna, ISBN 978-85-209-2138-8 (cheio de erros de português — e olha que o Autor é imortal, membro da Academia de Ciências de Lisboa, gramático ilustre, autoridade na língua e o escambau);
Justice League of America #245 (dezembro de 1985);
Superman #416 (fevereiro de 1986), “The Einstein Connection”, publicada em Superman 70 anos no. 3 (dezembro de 2008);
Man of Steel #1 (1986), “From Out the Green Dawn…”, publicada em Coleção DC 70 anos no. 1 (maio de 2008);
Man of Steel #4 (novembro de 1986), “Enemy Mine…“, publicada em Superman 70 anos no. 3;
Superman #2 (fevereiro de 1987), “The Secret Revealed”, publicada em Superman 70 anos no. 1 (setembro de 2008);
2009-04-11 — History of the DC Universe, de Marv Wolfman e George Pérez, ISBN 1-56389-798-9;
Detective Comics #572 (março de 1987), “Dick Sprang Remembers”, publicada em Coleção DC 70 anos no. 6 (outubro de 2008).

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