O Olho Viu

Esta não dá pra não passar adiante.

O baruno, colega de minha irmã, edita o fotologue O Olho Que Tudo Vê. Em geral, são placas com erros grosseiros de português ou falhas gritantes de lógica, do tipo “leve um e pague dois”. Ele fotografa e mostra pra todo o mundo.

Infelizmente, hoje à tarde, eu não tinha câmera (nem meu celular a tinha) na estação de metrô da Carioca. Então, vou ter que narrar. Acompanhe.

Tem u’as máquinas de vender livro, iguais às que vendem chocolate e biscoitinho. Tem a máquina da esquerda, a máquina da direita, e os livros presos lá dentro, querendo sair.

Na máquina da esquerda, os livros têm códigos: 011, 012, 013 etc. Na vitrine da máquina, um papel havia sido colado com durex: “acrescente um zero na frente dos códigos dos livros desta máquina”. Pensei: ué, já não tem o zero? Então são dois zeros? Seriam 0011, 0012, 0013… Bom, pode ser. Quem define os códigos são eles.

Na máquina da direita, os livros têm códigos: 21, 22, 23…

Entende o que aconteceu? O idiota colocou o aviso na máquina errada.

É disso que falo, é a isso que me refiro quando escrevo sobre os Intreináveis. Não adianta. Enquanto continuar contratando mão-de-obra desqualificada, desleixada, desidiosa, analfabeta, negligente e indolente, é isso que vai continuar acontecendo.

E isso é por toda parte. Canso de verificar semelhantes exemplos várias vezes por dia. Gente que não está nem aí e ainda espera receber salário por isso.

***
A esse respeito, hoje cunhei outra máxima: CONTROL-CÊ-CONTROL-VÊ É PRA SER USADO COMO SUBSTITUTO DA DIGITAÇÃO — NÃO DO PENSAMENTO! Na faina diária, farto-me de encontrar exemplos em que pessoas simplesmente copiam um texto inteiro sem fazer revisão e, em consequência, sai tudo errado. Já quando eu copio um texto inteiro, geralmente o texto é meu mesmo e eu reviso ele todinho. O copia-cola é pra ser usado como substituto do tedioso trabalho de digitar tudo de novo, mas não é pra substituir o olhar atento de revisor. O usuário não deve — NÃO PODE — presumir que “ah, é tudo igual” e nem olhar o que está fazendo.

Argh, que, se o mundo fosse gerido por mim, tava todo o mundo na rua. Não ia ter emprego pra ninguém, e a indústria ia parar. Ainda bem que não sou eu que respondo.

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