Uma dúzia de melhores episódios

Estava na Saraiva ontem quando vi uma caixa de DVD à venda: “os melhores episódios de Star Trek: The Next Generation”. Estou farto de me deparar com pífias seleções arbitrárias de três ou quatro episódios que se intitulam seleções dos melhores. Mesmo assim, curioso em saber quais estavam sendo rotulados como os melhores desta vez, conferi a listagem no verso.

Até que não fizeram mal. Realmente, os episódios estão entre os que considero os melhores da série: “The Measure of a Man”, “Yesterday’s Enterprise”, “The Best of Both Worlds” e “The Best of Both Worlds” Part II. Mas tenho uma reserva. Esses dois últimos ocupam metade da seleção com apenas uma história.

Quem comprar a seleção não estará mal. Até serve como uma boa introdução à série, da mesma forma como assim serve a seleção dos “melhores episódios da série Clássica”, também à venda: “Balance of Terror”, “The City on the Edge of Forever”, “Amok Time” e esqueci qual é o outro. Mesmo assim, após tantos anos me deparando com listas de melhores episódios de Star Trek, decidi que era hora de apresentar minha seleção dos melhores da NG.

Cabe observar que a série tem 176 episódios, alguns dos quais são ruins ou apenas passáveis, mas a maioria dos quais são realmente bons ou excelentes. Claro, porque, se não fosse assim, a série não seria boa, ela mesma. Então, qualquer lista de três, cinco ou dez melhores arrisca-se a ser injusta. Resolvi listar os doze melhores, perfazendo 7% do total, um em cada quinze, ou 9% dos que vi. Não levei em conta a popularidade dos episódios, mas considero sintomático que as listas de melhores episódios da NG sempre acabem repetindo os mesmos nomes. Alguns entram, outros saem, mas existem alguns que sempre tendem a aparecer.

Vejamos. Depois de ter assistido a 138 dos 176 episódios da NG, os episódios que considero melhores, sem qualquer ordem de preferência ou valor, são

“The Measure of a Man” (segunda temporada)
“Who Watches the Watchers” (terceira temporada)
“Yesterday’s Enterprise” (terceira temporada)
“The Offspring” (terceira temporada)
“The Best of Both Worlds” (terceira temporada)
“The Best of Both Worlds” Part II (quarta temporada)
“The Drumhead” (quarta temporada)
“Darmok” (quinta temporada)
“Cause and Effect” (quinta temporada)
“I, Borg” (quinta temporada)
“The Inner Light” (quinta temporada)
“All Good Things…” (sétima temporada)

Feita a lista, algumas constatações aparecem. Em primeiro lugar, não há episódios da pavorosa e tosca primeira temporada. Não é que ela seja realmente ruim, mas é que, em face de uma comparação com as demais, não tem chance. Em segundo lugar, é notável que, da sétima temporada, só haja o último episódio da série, visto como a qualidade dessa temporada é nìtidamente inferior à das que a precederam. Também é digno de nota como um terço dos melhores episódios se concentra na quinta, que também tem outras histórias muito boas, o que indica sua especial qualidade em relação às demais.

Observa-se que, nessa lista, não estão os episódios que envolvem os carismáticos personagens da Clássica: “Sarek”, “Unification II” e “Relics”. De fato, eles são marcos históricos notáveis, trazem grande carga afetiva, têm especial valor para trekkers, mas as histórias não são grande coisa em si mesmas (nem foram feitas para serem). Nem estão ali os episódios da saga klingon: “The Emissary”, “Sins of the Father”, “Reunion”, “Redemption” e “Redemption II”. Minha explicação para isso é que a saga é muito boa como um todo, mas nenhum de seus episódios tem um valor individual tão eminente que o destaque dentre os 138; o valor está justamente na evolução da história ao longo de seu conjunto.

Em coerência com minhas preferências pessoais, não me surpreende que quatro episódios tratem de dignidade da pessoa humana e direitos individuais: “The Measure of a Man”, “The Offspring”, “The Drumhead” e “I, Borg”. Nem me surpreende que só um tenha batalhas espaciais como tema (“Yesterday’s Enterprise”) e três as utilizem incidentalmente (“The Best of Both Worlds”, sua parte II e “All Good Things…”). Três episódios envolvem viagens no tempo ou laços de causalidade (“Yesterday’s Enterprise”, “Cause and Effect” e “All Good Things…”) e três foram dirigidos por Jonathan Frakes (“The Offspring”, “The Drumhead” e “Cause and Effect”). Por último, três envolvem os borgs (“The Best of Both Worlds”, sua parte II e “I, Borg”). Essas duas últimas observações ilustram como Frakes e os borgs passaram a ter a boa vontade do público, o que explica a escolha do diretor de First Contact e daquela m*rda de Insurrection, bem como o excesso de uso dos borgs mais adiante, até a exaustão.

Existem outros episódios dos quais gosto bastante (p.ex. “Chain of Command, Part II”, “Relics” e “Parallels”), mas não mereceram entrar na “melhor dúzia”. Em algum momento você tem que traçar a linha de corte.

Por exemplo: aqui.

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