Trailer do Lanterna Verde!

Quando vi a chamada, Green Lantern trailer, pensei mesmo que fosse de verdade. De todos os super-heróis (ainda tem acento?), pelo menos de todos os super-heróis principais, o Lanterna é talvez o único que nunca ganhou filme. E é justamente aquele que mais me interessa ver em filme. E não estou sòzinho nisso; faça uma enquête e você vai ver que muita gente também gostaria. Até já imaginei conceitos para não um, mas vários filmes do LV, com base nas histórias dos quadrinhos.

Antes de clicar, reparei no aviso: “this is a fan-made trailer”. Não tem nada de real. Na verdade, nem a ideia é original, porque a gente já conhecia aquele excelente fake trailer dos Thundercats (se você não conhece, saiba que está perdendo. É uma obra de arte). Imitando o caso dos Thundercats, o trailer do Lanterna é uma óbvia colagem de cenas de ID4, da série Enterprise (o andoriano tornado Guardião), do trailer do Star Trek de 2009, de falas do Senhor dos Anéis (tem acento?)… Mas não importa. É maneiro:

É verdade que o filminho segue as mesmas obviedades de todos os trailers de filmes de ação: feitos para quem sofre de DDA, potencialmente induzindo espasmos epiléticos na audiência, com dez cenas por segundo, sem dar tempo de você sequer saber o que está vendo, com o mesmo tipo de música, todos aqueles portentos visuais… Aliás, ele prova que qualquer garoto, usando ferramentas que estão em domínio público (ou não deveriam… “fotoshop-jogos-coréu”, alguém?), qualquer garoto consegue fazer a mesma coisa que custa milhões aos estúdios. Quer dizer, a tecnologia e a indústria do entretenimento nivelaram a todos.

Não me queixo não. Se você observar quanto dinheiro vai para esse ramo da economia, mais tudo que é lançado ao consumidor de tecnologia, entre telefonia celular, banda larga, smartphones, netbooks… Ainda é melhor do que gastarem em guerras, que é outro ramo que movimenta muito dinheiro.

Há um toque do trailer que será melhor apreciado por quem é fã dos quadrinhos: entre os membros da Tropa dos Lanternas Verdes, dá pra identificar Kilowog, Tomar-Re e até mesmo Ch’p. Naturalmente, ficaram faltando Katma Tui e Arisia, que, aliás, em tempos polìticamente corretos, necessàriamente teriam que ser inventadas se não existissem. Nada que não se possa corrigir.

O juramento dos Lanternas também caiu bem. Não dá pra escutar direito, e parece até uma tropa de borgs falando, mas ficou bem como encerramento.

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Intervalos menores do que na Ponte Aérea de Berlim!

Procurando o aeroporto de Frankfurt no Google Earth, encontrei isto que está aqui embaixo.

Quero manter o tamanho da figura pequeno; então, para ver melhor os detalhes, vá direto no Google Earth ou Google Maps e pare na posição indicada por ela: aprox. 50 graus, 03 minutos Norte / 8 graus, 37 minutos Leste.

Observe a pista que aparece como 25R. À direita, vemos três 747 que acabaram de decolar, muito próximos um do outro. Também vemos suas sombras: para cada avião, a sombra está à esquerda na foto, atrás do avião.

Você pode reparar que os aviões estão alinhados com a mesma pista. A julgar pelas sombras, também pode observar que estão todos a muito baixa altura. Estimei a distância entre um e outro como algo perto de 640 metros, o que equivale, grosso modo, a oito segundos de vôo. Ora, a decolagem de um 747 leva mais de trinta segundos (já medi). Então, estamos diante de um cenário onde o avião da frente nem havia acabado de rolar pela pista quando o próximo já vinha logo atrás. Em face de todas as normas de segurança de vôo, isso é uma completa impossibilidade.

Mas observe, também, que as três aeronaves são iguais. Frankfurt é o aeroporto mais movimentado da Europa continental e tem vôos indo para todo lugar do mundo. Ali passam aviões de tudo quanto é companhia aérea, em todos os tamanhos, formatos e pinturas. Quais são as chances de três Jumbos brancos decolarem em sequência?

A essa altura, você já deduziu o mesmo que eu: é o mesmo avião, fotografado três vezes pelo satélite. O software do Google é tão bom que fez a colagem das fotos sem costura e você nem percebeu. É só nessas horas que a gente descobre.

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Finalmente, questões importantes

Sinceramente, este cara realmente conseguiu me fazer perder a respiração de tanto rir — em particular nesta página (“quanto tempo você sobreviveria após chutar o saco de um urso?”). Descobri o saite através de uma indicação no Twitter. Tem quadrinhos, dicas de gramática e questionários que lhe dão as respostas para algumas das questões mais tormentosas que já encontrei, como nos exemplos abaixo.

Se mordido por um zumbi, quanto tempo você levaria para ser infectado?

Quanto tempo você sobreviveria na superfície do Sol?

Quanto tempo você sobreviveria acorrentado a um beliche com um velocirráptor?

Quantas solitárias seu estômago consegue sustentar? (Vamos abstrair do fato de que elas moram é no seu intestino, não estômago.)

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Se certas profissões desaparecessem

Neste exato minuto, há uma festa infantil no pleigráudi do meu prédio. Não vejo muito sentido em tocarem a música da Dança do Siri numa festa infantil, mas está tudo bem, porque eu tenho mesmo muita dificuldade em encontrar sentido nas coisas. Também considero bastante pitoresco que esta classe média, que tanto abomina que suas filhas subam o morro em busca de transgressão e de um traficante para se esfregarem, insista em tocar fanque para diversão dessas mesmas filhas. Não sei, o hipócrita devo ser eu.

Agora, o mais divertido, mesmo, é ficar aqui matutando sobre a grande contradição que é terem contratado uma animadora profissional para motivar as crianças. Veja bem: ou a festa é animada ou não é. Se a festa é animada, então a animadora é desnecessária. Se a festa não é animada, existem duas hipóteses: ou é para ser animada ou não é. Se não é para ser animada, então não era para essa mulher estar ali, e ela está toda errada. Já se a festa não está animada e é para estar, então tem alguma outra coisa muito errada, e a presença da animadora não vai fazer muita diferença.

Quer dizer, as pessoas contratam uma animadora pelas mesmas razões que as levam ao álcool e às drogas: para induzir um estado de espírito que não seja natural. Estou deprimido, bebo para me alegrar. Sinto-me sòzinho, então injeto heroína para esquecer a solidão. As crianças não estão alegres, então contrato uma animadora para lhes induzir um sentimento artificial, fabricado, de alegria com hora e duração marcadas. Parecido com o Carnaval, só que mais barato e mais localizado.

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Por falar em transgressão, estive refletindo sobre um dos temas mais caros ao Alex Castro, que é a opressão praticada pela classe média contra suas empregadas domésticas. Sobre como é uma relação de escravidão. Uma colega minha contratou uma diarista para dois dias por semana e me conta que a moça era empregada em casa de uma atriz global (ela disse o nome da atriz, mas não quero ser processado por difamação). Que eram frequentes as festas até quatro da manhã e que a pobre mulher tinha que estar permanentemente à disposição e, mesmo assim, acordar cedo para fazer a faxina, enxugar os restos de uísque e varrer as sobras de cocaína canapés. E que está muito feliz, não só por não se sujeitar mais àquele regime como por “ser tratada como se fosse uma igual”. Estou entendendo que seus novos contratantes a tratem de maneira educada, sem gritaria nem humilhações extremas.

Que me perdoe minha cara colega, mas ela não trata a diarista como se fosse uma igual, não. O só-fato de contratá-la já mostra o ponto de vista de quem não se vê igual. Mais sobre isso aqui.

Mas, voltando à transgressão, imaginei: e se, de repente, todas as empregadas domésticas se rebelassem em todo o Brasil? E se, de uma hora para outra, simplesmente dissessem “não trabalho mais aqui” e saíssem pela porta sem mais? Tenho certeza de que a situação não se sustentaria, por todas as razões sociais e principalmente econômicas, pelo problemão de mão-de-obra instantaneamente excedente e não qualificada, pela certeza de que oferta e procura voltariam a vigorar e de que alguém acabaria roendo a corda e se deixando recontratar, e tudo mais. Mas, pelos primeiros momentos e pelos primeiros dias, como seria? Já imaginou? De súbito, todas as patroas estariam privadas de suas empregadas, e as empregadas estariam livres, e os homens e mulheres escravocratas deste Brasil teriam que arear suas próprias panelas, varrer seus próprios chões e passar X-14 em seus próprios banheiros. E as empregadas estariam, unas, em greve por melhores condições de trabalho, por horários definidos de entrada e saída, por semana inglesa e pelo piso de dez salários mínimos.

Como seria?

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Babylon 5: comentários até “Grey 17 Is Missing”

Só para dar uma espanada na poeira, acabo de atualizar meus comentários a Babylon 5, incorporando os relativos a “Messages from Earth”, “Severed Dreams”, “Ceremonies of Light and Dark”, “A Late Delivery from Avalon”, “Walkabout” e “Grey 17 Is Missing”. Estão todos em inglês, mas eu tinha textos pré-existentes (é com hífen?) sobre alguns deles, que seguem abaixo.

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“Messages from Earth”

O episódio não chamou a atenção para isto, nem Straczynski nem os comentaristas na Usenet: por causa do Livro de G’Quan, Garibaldi está aprendendo Narn. Indiretamente, é muito provável que esse conhecimento seja útil no futuro.

Vaughn Armstrong tem cabelo castanho, mas seu personagem é louro e usa o mesmo penteado dos alemães dos anos 30 e 40. A referência ao nazismo não deve ser coincidência.

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“Severed Dreams”

A Clarkstown é o mesmo modelo CGI da Hyperion: é tão pouco detalhada como era o CGI no começo da série; e tem até as mesmas inscrições (“21” bem grande no casco).

Quando ativos, os motores da Alexander lembram muito os da Yamato.

Pode-se dizer que fossem suicidas os Narns que enfrentaram os Marines, mas isso é porque não são soldados treinados. Pense: estes são apenas os Narns, civis, que viviam na estação até há pouco tempo. Sua incorporação à segurança foi um improviso. Sua noção de combate é simplista, só na base de ir correndo e atirando, só força bruta, sem planejamento nem autodefesa. Por isso foram caindo, um a um, enquanto avançavam quase em fila indiana contra os fuzis.

Quem combate ao lado dos japoneses não pode contar com eles para sustentarem a defesa: japoneses só podem combater quando estão em perfeitas condições. Ao lhes causar o menor arranhão, o inimigo ativa seu modo suicida, e eles fazem um ataque kamikaze.

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“Ceremonies of Light and Dark”

A primeira coisa que pensei quando Londo ofereceu bebida a Refa: dois pretendentes ao trono, duas velhas raposas, e Londo já o esperava com a bebida pronta, sem você ver se Londo está bebendo da mesma ou se é outra… Eu não aceitaria!

Veneno, o método preferido de assassinato político… Tal como em Roma.

“Espaço necessário para expansão” (Lebensraum), a tolice da guerra em duas frentes, … III Reich.

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Afundação Biblioteca Nacional

Você não leu errado o título deste texto.

Hoje cedo, eu estava lendo a capa de meu exemplar de O retorno do Super-Homem no. 3, que foi publicado em 1994. Ali existem um ISBN-10 (85-7305-120-5) e um ISBN-13 (978-85-7305-120-9). Muito curioso: que eu soubesse, ISBN-13 não existia em 1994.

(É, eu sei: ninguém nem repara naqueles algarismos. Mas eu reparo em tudo. Quando digo que leio os livros inteiros, é pra valer. Leio até sumário, e só não leio índice porque tomaria muito tempo.)

Fui pesquisar. Comecei pela Wikipedia, que me disse que a migração forçada para ISBN-13 começou em 2005, com o abandono do ISBN-10 até 2007. Teòricamente, já existiam números ISBN-13 desde os anos 80, mas eu não os via nas capas dos livros, provàvelmente pelo simples motivo de não serem obrigatórios nem, portanto, atribuídos com frequência. Então, fui ao saite da Fundação Biblioteca Nacional, onde existem algumas páginas sobre o tema, para saber desde quando são usados no Brasil.

Sabe quando eu contei que a página de entrada da Academia Brasileira de Letras tinha erros de português? Então. É a mesma vergonha. Na BN, você encontra algumas pérolas nesta página:

Comunicado Importante ao Editor !
O que vai mudar ?
A partir de 01 de janeiro de 2007 o ISBN passará a ter 10 dígitos?.
Não. A nova numeração será precedida pelo número 978, que irá identificar o produto livro e o número de controle será recalculado.

Vamos devagar. O que é o “produto livro”? Da Wikipedia, entendi que o ISBN-13 foi concebido de modo que seus números estivessem no padrão EAN, que é o código de barras universal, também com treze algarismos. O EAN é usado para tudo: panela, chiclete, máquina fotográfica, faqueiro, sabão em pó. Quando uma leitora de EAN vê um código começando com 978, ela entende que é livro e continua a ler os demais algarismos de modo a identificar qual livro.

Só que a BN não explica nada disso. Então, o leitor fica perdido no espaço para entender a frase: “irá identificar o produto livro”, certo?

Além disso, vem cá: não tá faltando vírgula não? “… pelo número 978, que irá identificar o produto livro VÍRGULA e o número de controle será recalculado.” Oração adjetiva explicativa tem que vir entre vírgulas.

O texto continua: “Todos os livros publicados a partir de 01/01/2007, deverão ter ano de edição 2007 (…)”. Claramente se nota que é uma obra do neoportuguês: o infeliz tirou a vírgula de onde era obrigatória, mas, para ser coerente, é claro que tinha que pôr aquela ali onde é proibido: entre sujeito e verbo. Aliás, é batata: quando não se vai à escola, esse tipo de erro é garantido.

Mas isso não é tudo. Veja só: “Quando o ‘prefixo 978’ se esgotar, será adotado o ‘prefixo 979’, que ocorrerá nova mudança de prefixo editorial para os Editores.” Entendeu? QUE ocorrerá nova mudança. Simples: é só faltar à aula sobre pronomes relativos e usá-los como quiser.

Muito bem. Isso tudo eu encontrei, não na roça, nem no garimpo, nem numa borracharia — lugares onde o cuidado com o português está no final da lista de prioridades. Encontrei, isto sim, em uma página informativa da BIBLIOTECA NACIONAL. Vou repetir: BIBLIOTECA NACIONAL. Então, quando digo que vão ter que usar a tecnologia de exploração em águas ultraprofundas da Petrobras para encontrar o nível atual do padrão de qualidade, não é realmente um exagero. Aliás, já caiu tanto que saiu do outro lado e foi parar na China.

Eu quero parar de resmungar, mas eles não dão uma chance à paz!

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Relação sinal/ruído em queda

Na minha infância (mais ou menos na época em que estavam construindo as pirâmides do Egito), o português dos jornais e revistas tinha um padrão de qualidade que era referência até na escola. A quem não tinha o hábito de ler livros, aconselhava-se que, pelo menos, procurasse manter sua proficiência lendo periódicos. Empìricamente, sempre constatei que a publicidade seguia a mesma regra: era extremamente raro encontrar erro de português em anúncio — qualquer tipo de anúncio.

Agora, você abre os jornais online e não encontra uma linha que não tenha nenhum erro de concordância, onde não falte nem sobre nenhuma palavra e onde se tenha certeza de que o estagiário-redator não tenha matado a aula de pronomes relativos. São textos que, na minha escola, teriam sido classificados abaixo do subcrítico (é com hífen?), com os mesmos nomes sendo grafados de duas ou três maneiras diferentes na mesma frase. Não raro, existem sequências que contradizem a chamada ou sequer fazem sentido.

Aí, chegamos ao maldito spam. Todo dia recebo aquelas mensagens pedindo que eu atualize meu módulo de segurança em algum banco onde não tenho conta. Sabe como é, “clique aqui para instalar um cavalo-de-troia na sua máquina e liberar acesso a suas senhas”. Uma das formas de se identificar esse tipo de mensagem é que sempre vem num português pavoroso, começando frase com minúscula, cheio de erros de ortografia, concordância nenhuma etc. e tal.

Só que, agora, com o agravamento da tragédia escolar nacional, mesmo as mensagens legítimas vêm povoadas de erros crassos. Então, não dá mais pra separar o trigo do joio. Qualquer dia, vou receber algum aviso importante mas identificá-lo como spam (no que provàvelmente acertarei, sem contradição mas cheio de doublethink).

Nessa inversão contemporânea de valores, pelo menos já consegui identificar algumas regras do neoportuguês, a saber:

– Toda vez em que o português correto proíbe o “a” craseado, o neoportuguês exige-o. Quando o português o exige, o neoportuguês proíbe-o. Por exemplo: a frase

A partir de segunda-feira, nosso horário de funcionamento começa às 8 h. — A Gerência.

, quando vertida para neoportuguês, fica assim:

À partir de segunda-feira, nosso horário de funcionamento começa as 8 h. — À Gerência.

– Toda vez que o português correto exige a forma “há” do verbo haver, o neoportuguês transforma-o em “a” isolado ou em “à”, craseado, à escolha de quem escreve. Assim, a frase

Há muitos anos não vou à escola.

é transformada em

À muitos anos não vou a escola.

– Toda vez que o português correto usa a construção “nada a ver”, o neoportuguês transforma-a em “nada haver” ou “nada a haver”.

– Toda vez que um verbo vem antes de seu sujeito, o neoportuguês exige que o verbo fique no singular, mesmo que o sujeito esteja no plural:

Chegou as novas regras de concordância!

– Toda vez que um verbo vem antes do sujeito e está na voz passiva, o neoportuguês exige que o verbo auxiliar e o particípio permaneçam sem qualquer concordância com esse sujeito:

Foi dado várias ordens para desocupar a praça.

E assim sucessivamente. Se você descobrir alguma regra do neoportuguês que não esteja aqui, por favor me informe. Preciso aprender essa nova língua urgentemente, para poder manter uma vida negocial saudável.

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