Minha contribuição à paranoia global

A partir do final do século XIX, a pólvora negra foi deixando de ser usada nas armas de fogo. Em seu lugar, passou-se a usar nitrocelulose, que é mais energética e menos sensível a atrito e pressão, causa menos corrosão nas armas, tem um processo de fabricação mais seguro e faz muito menos fumaça. Por todas essas razões é que, nos últimos cem anos, a munição de todas as armas de fogo não usa pólvora como propelente, mas nitrocelulose, apesar de o público leigo continuar chamando de pólvora.

Ora, esmalte de unha é, basicamente, nitrocelulose dissolvida em acetato. Quando se diz que esmalte é inflamável, talvez seja tècnicamente mais apropriado dizer que seja explosivo, porque é isso que ele é.

Agora, falemos na segurança dos aeroportos do mundo. Nas salas de embarque espalhadas por todo este lindo planeta azul, cartazes advertem da proibição de determinados itens na sua bagagem: armas brancas e de fogo, substâncias inflamáveis, corrosivas ou tóxicas, animais, explosivos…

Peraí. “Explosivos”?

Isso vale para esmalte de unha?

Sssshhhh!!!!… Vale, sim. Por enquanto, os agentes de segurança ainda não se deram conta disso, nem proibiram as madames de embarcarem com suas últimas tonalidades da moda. Quero ver o rebu que vai ser quando perceberem que qualquer perua inconsequente pode iniciar um incêndio a 20 mil pés…

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