Agora foi a revista Veja

A revista Veja desta semana (datada 07/04/2010 e intitulada “O insuportável peso de voar”) traz sua matéria de destaque na página 68. Está lá, reclamando (a meu ver, com razão) da falta de infraestrutura aeronáutica no Brasil, de como os aeroportos não aguentam o tráfego nem as empresas estão preparadas.

Infelizmente, como de hábito, a matéria é pródiga em estatísticas de pouco significado e não indica ter feito muita pesquisa junto a especialistas de verdade. Bàsicamente, o ponto de vista apresentado é o do autor da matéria, sem outras vozes. Mas o mais interessante não é isso.

Entre as páginas 70 e 71, há uma suposta comparação entre os aeroportos de Guarulhos e Gatwick, com uma foto de cada um. Estive em Gatwick por duas vezes em 1998 e, motivado apenas pelo saudosismo, decidi olhar a foto com atenção, para reviver as memórias de tudo que reconhecesse.

Pois reconheci, alright. Chamou-me a atenção como o aeroporto era amplo e iluminado. Memórias agradáveis vieram, enquanto eu observava, “parece até o Terminal 5 de Heathrow…”.

Peraí. O janelão de vidro era igual ao do Terminal 5. Na verdade, a foto era idêntica a uma que tirei dois anos atrás, no Terminal 5; o ponto de vista era o mesmo da minha foto. Não é pra menos que me parecesse tão familiar: NÃO ERA GATWICK COISA NENHUMA, era o Terminal 5 de Heathrow.

Já nem tem mais graça, nem há mais novidade. Estava eu diante de mais um daqueles casos, que tantas vezes já vim relatar, onde o estagiário da revista NÃO SABE e, por isso, enfia qualquer foto mesmo. Afinal, ele não sabe a diferença, nem se importa; por que alguém deveria se importar, não é mesmo?

Não é que o estagiário seja obrigado a conhecer Gatwick. Ninguém é. Mas — mais uma vez, repita meu mantra –, SE NÃO SABE, NÃO CHUTA. Ele não está legalmente obrigado a apresentar uma foto de Heathrow dizendo que é Gatwick. Se não quer colocar uma foto de Gatwick, basta não pôr foto nenhuma! Deixa sem foto! Se faz questão de pôr uma foto dizendo que é de Gatwick, então arrume uma foto de Gatwick! Não é pra catar a primeira foto que aparece e, pronto, escolher que, agora, Gatwick é assim. A realidade não se molda à ignorância do estagiário, por mais que ele deseje.

As demais matérias da revista eram, em sua maioria, propaganda disfarçada de jornalismo. Felizmente não tenho a queixa de ter gasto meu dinheiro em propaganda: o exemplar não era meu.

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