Era dia 21 de julho, e eu estava a 1200 pés

Do jeito como é a vida, corrida, atropelada, é provável que eu nunca venha aqui escrever sobre a viagem da qual voltei no último sábado. Mas vou dizer quais foram os pontos altos: a decolagem de um B-52 (evento que havia anos eu esperava poder testemunhar e que, de certo modo, era o mais aguardado), a decolagem do Vulcan XH558 (jogue XH558 no Google para entender a importância) e um voo de apenas 28 minutos onde o piloto em comando… era eu. Tirei a foto abaixo para provar. Ou melhor, só provo para quem acredita, porque, para quem não acredita, a foto não prova nada.

Muito melhor do que Flight Simulator!

Ao comando de um Cessna 172S. Ao fundo, a ilha de Wight, objeto de comentário em http://www.baxt.net/blog/2009/04/13/voltei-para-casa/

Òbviamente, eu não estava sòzinho. O instrutor tinha mais de 13.500 horas, a maior parte das quais voando linhas domésticas na British; e a aeronave tinha um full glass cockpit todo modernão, onde os instrumentos apareciam no LCD.

E vou dizer uma coisa, viu. O avião voa sòzinho se você tirar a mão dos controles, nivelado e retinho. Mas, se você encostar de leve, ele over-obedece, é muito sensível. Um toquezinho de nada, e o nariz levanta ou mergulha. E acontecem coisas engraçadas também. Por exemplo: encontramos uma térmica e o avião começou a subir sòzinho, sem ser comandado. Com aquele tanto de asa que o 172 tem, é inevitável, então eu tinha que toda hora comandar mergulho. Conclusão: passei mais tempo me concentrando nos instrumentos e tentando não exagerar as manobras do que realmente olhando pra fora. Acontece; é bom que se aprende. Mas valeu cada minuto, cada segundo.

No mesmo dia, à tarde, caminhamos sobre o muro da cidade de Chichester, erguido no tempo dos romanos. Um passeio que indico.

Além disso, foi só tardiamente que descobri que London Pride é uma excelente e macia ale. Tardiamente porque já estava na sala de embarque, voltando para o Brasil, sem nunca ter pedido um pint no JD Wetherspoon. Fica para uma próxima.

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