RAF a baixa altitude

Nos últimos dias, andei assistindo a diversos vídeos de aviões no YouTube. Creio pertinente dividir com quem também gosta.

Conforme alguns textos aqui embaixo já indicam, neste ano compareci ao Royal International Air Tattoo, um evento de dois dias onde, das 10 às 18 h, aviões militares voam na sua frente nonstop. Recentemente subi dois vídeos, um de um Harrier GR7, outro de um C-17A, ambos filmados no evento.

Agora, apresento alguns do F-22A, que encontrei no Tubo, feitos por outras pessoas. Estão pràticamente no mesmo ângulo com que vi ao vivo, com a diferença de uma qualidade de vídeo melhor do que a da minha câmera, sob todos os aspectos, inclusive de enquadramento e estabilidade.

Primeiro, tem a decolagem do F-22, que é impressionante. Chamo sua atenção para os vórtices de ponta de asa e na ponta da deriva, que ficam bastante visíveis com a condensação e o escapamento dos motores.

E agora o melhor destes três vídeos do F-22, mostrando mais, mais de perto e com melhor qualidade.

Depois, encontrei alguns vídeos feitos numa região de Gales chamada Mach Loop. Os aficionados sobem a montanha e ficam à espera, câmeras em punho, esperando os jatos rápidos da Real Força Aérea, que, em treinamento, passam a alta velocidade e mais baixo do que a altura dos vales. A explicação está aqui. E, aqui, você encontra algumas excelentes fotografias tiradas ali. Você tem mais explicações e excelentes amostras aqui.

E agora os vídeos. Abaixo você poderá ter boas vistas de Hawk 100, Hercules, Jaguar, Tornado GR4, Typhoon, e até um F-15E da USAF. Supostamente, os Hawks vêm de RAF Valley, uma base próxima dali. Os demais não sei, mas nunca vêm de longe. Para começar, dois Tornados.

Neste aqui, repare que, depois do Hercules, vem um Tornado. Quando ele faz uma curva à direita, forma-se condensação acima da asa, indicando o descolamento da camada limite.

Aqui são Typhoons.

Este é de um Tornado.

Esta é a vista traseira do cockpit de um Hawk que percorre esse terreno.

E, por último mas não menos importante, uma miscelânea.

Este aqui foi no Distrito dos Lagos, uma região montanhosa e agreste no Noroeste da Inglaterra, quase divisa com a Escócia. É uma região muito usada por montanhistas, gente que gosta de acampar, de passar frio na chuva fina, de fazer longas caminhadas no meio das pedras, mas também pelos pilotos em treinamento a baixa altitude. Então, numa dessas saídas ao frio ar livre, a vítima capturou um Jaguar.

Mais vídeos no nosso plantão.

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Medo de altura, mas não de eletricidade

Existe uma passagem do romance Contato, de Carl Sagan, onde um personagem religioso desafia a fé da cientista na Ciência. Atendendo ao desafio, ela solta um pesadíssimo pêndulo de Foucault e fica exatamente onde estava, na certeza de que, na volta, ele não vai atingi-la. Como de fato não a atinge.

O vídeo abaixo mostra o que, de fato, é você confiar sua VIDA à Ciência. Mostra o que é que, de fato, significa você acreditar em um princípio científico, segurar na mão de Faraday e ir.

A ideia é a seguinte: no século XIX, Michael Faraday descobriu que, em um objeto metálico, a corrente elétrica flui por fora, mas não por dentro. Em um fio elétrico, a corrente está sempre na superfície, nunca no núcleo. Agora, pense no sujeito que vai inspecionar fios de alta tensão. O cara veste uma roupa que é 25% aço inox. Então, a roupa é uma gaiola de Faraday e protege seu usuário. Quando ele encosta em um cabo que está com UM MILHÃO DE VOLTS de potencial em relação à terra, a corrente flui em volta dele, a carga ocupa o lado externo da roupa, e ele adquire o mesmo potencial do cabo. Daí por diante, é mamão com açúcar.

Alguns diriam que é preciso ter muito colhão para fazer o que esse cara faz. Concordo na medida em que não se pode ter medo de altura, nem se pode dar um passo em falso, nem tocar em nada na hora errada. Concordo na medida em que o vento do rotor pode jogar a vítima lá embaixo. Mas, quanto à voltagem, não precisa ter coragem não: basta entender e, daí, acreditar.

Aí, você põe um homem temente-a-Deus ali em cima, sem a roupa especial, e um desses inspetores. Vamos ver quem protege mais: as orações ou a roupa.

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RIAT 2010 — Harrier e C-17

De ontem para hoje, subi mais dois vídeos do Royal International Air Tattoo 2010. Estão no YouTube, mas, para facilitar sua vida, seguem também abaixo, inclusive com os textos que os acompanham. Aproveite.

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Harrier hovering at RIAT 2010

A BAE Harrier GR7 from 4(R) Squadron displays its hovering abilities before the amazed crowd at Royal International Air Tattoo 2010 on Saturday, 17 July. The sound was the loudest we had at the event. As my wife filmed this, I stood at her side but, even if I shouted at her, she could barely hear me. That’s Pegasus engine noise for you! Our Sony CyberShot DSC-TX1’s sound filter preserves your ears now, though.

Please pay attention to the columns of smoke, shooting vertically from the four nozzles, which go to show the Harrier’s vectoring to good effect.

At the very end, the voice you hear is mine, asking Wife to stop shooting. Battery was low, I feared the camera would not have enough of it to record the movie to the flash card, and this is what I was telling her.

Um BAE Harrier GR7 do Esquadrão 4(R) (Reserva) demonstra sua capacidade de pairar perante a multidão impressionada no Royal International Air Tattoo (Real Desfile Aéreo Internacional) 2010, no sábado, 17 de julho. O ruído foi o mais alto que houve no evento. Enquanto minha esposa filmava isto, eu fiquei ao lado dela, mas, mesmo que eu gritasse, ela quase não conseguia me ouvir. Assim é o ruído do motor Pegasus pra você! Agora, porém, o filtro de som de nossa Sony CyberShot DSC-TX1 preserva seus ouvidos.

Preste atenção às colunas de fumaça, ejetadas verticalmente dos quatro bocais, que mostram a vetoração do Harrier de modo eficaz.

Bem no finalzinho, a voz que você ouve é a minha, pedindo a Esposa que pare de filmar. A bateria estava no fim, eu temia que a câmera não fosse ter o suficiente para gravar o filme no cartão de memória, e era isso que eu estava dizendo a ela.

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Boeing C-17A Globemaster III landing at RIAT 2010

After a remarkable demonstration of agility for an airplane this size, a C-17A from the 58th Airlift Squadron, 97th Air Mobility Wing, US Air Force, lands at RAF Fairford, nearing the end of its participation on the Saturday, 17 July, portion of the Royal International Air Tattoo 2010. Please take note of the high sink rate approach, followed by a short landing run with thrust reversers. According to the host, this ability is in much-needed use today in Afghanistan, reducing the aircraft’s exposition to guns at the vulnerable moment when it approaches, lands and stays on ground at forward bases.

Após uma notável demonstração de agilidade para uma aeronave deste tamanho, um C-17A do 58o. Esquadrão de Transporte Aéreo, 97a. Ala de Mobilidade Aérea, Força Aérea dos Estados Unidos, pousa na base Fairford da Real Força Aérea, próximo do fim de sua participação na porção de sábado, 17 de julho, do Real Desfile Aéreo Internacional 2010. Observe a aproximação em alta razão de descida, seguida de uma corrida de pouso curta com reversores de empuxo. Segundo o apresentador, essa capacidade está em uso necessário hoje no Afeganistão, reduzindo a exposição da aeronave a armas de fogo no vulnerável momento em que se aproxima, pousa e permanece no solo nas bases avançadas.

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Swamp Thing annotations to Greg Plantamura

Agora há pouco, enviei este texto ao Greg Plantamura. Estou dividindo com potenciais googladores. Não é necessariamente com você.

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Hello. I keep on perusing your Swamp Thing pages. Quite a job, may I insist.

Earlier today I was reading New Titans from 1993. There is a sequel to Swamp Thing #60 there!!!

Cyborg went catatonic some ten or twelve issues before New Titans #103 (Nov 1993), losing his memory and, in fact, all ability at communicating. In this issue, he is at the S.T.A.R. Labs, where Team Titans’ Prester Jon is attempting to interface with his inner circuits. Late in this issue, the cause of tampering is found to be a group of aliens who are the avatars of beings from a machine planet.

In New Titans #104 (Early Dec ’93), the Titans are brought to the aliens’ planet — lo and behold, that’s the machine planet from “Loving the Alien” (Swamp Thing #60). It transpires that Swampy’s visit, years before, brought the planet out of a stagnation state. Some of its “life” forms learned then of new ways and became curious about this “life”. As a consequence, they left their cradle and went out into the stars, seeking understanding, which ultimately led to Cyborg being hacked. I am still at this point in my reading, so I do not know where this leads, but there you have it.

In NT #104, Marv Wolfman attempts to describe the machines’ world in much the same way as Alan Moore had, but fails. Just as in ST #60, panels are disjointed from one another, and the text floats in off-narration with sentences that are not to be much understood. Anyway it lacks Moore’s spark (which, it is my feeling, was also missing from the original #60, which was very poor in my own POV — still, that was Moore, for better or for worse).

In fact, NT #104 has a two-page spread panel where the Titans arrive at a gate to the machine planet’s core. It pretty much imitates Spock’s venture into V’Ger in Star Trek: the Motion Picture — and, instead of a fixed, aloof Ilia figure, what do we have? Four Swamp Thing figures, which I believe correspond precisely enough with the Green’s four avatars selected by the Parliament of Trees for the Regenesis/Spontaneous Generation storyline — you know, Ghost Hiding In the Rushes, Kettle-hole Devil and their likes.

In my opinion, NT #104 sucks. Still, I think it a worthy reference and one you might like to purchase from online second-hand retailers such as Mile High Comics, My Comic Shop etc. etc. so you can check it for yourself. And you will have the benefit of checking the original, for I have so far only had access to Brazilian translations, which leave out some of the text.


On another note, I made a mistake years ago when I wrote to you on Swamp Thing #70. You wrote up an annotation and credited it to me (thank you), but in fact I should have referred to issue #71, and so should you. Please check! The annotation is part of the issue #70 annotations and goes like this:
“PAGES 22-23:3 João Paulo Cursino pointed out to me that the sound effects “SHLOEL BSSTTE TTLBN” sound like the artists names Bissette and Totleben. But who is Shloel?”
… except I should have referred to issue #71, where those pages were printed.


On a third note, please check Swamp Thing #34, included in the beautiful storyline of volume 2. Page 20 (to be sure: I refer to the page with text “With me.”, “With him.”, “…”) — does page 20 not depict a woman’s vulva, very clearly in front of you? You can clearly distinguish the labia, the clitoris, there’s even a lot of hair around it. I think this was the intent there. It is a beautiful piece of art by Bissette and Totleben, who managed to disguise it from moralists by making it look like a piece of plant. The things those guys managed to get away with, the madness of Moore, the best hiding of things in plain sight…

Another vulva, I think, can be found in issue #70 (“The Secret Life of Plants”), in page 17 (the one where Abby lies down on some orchids), albeit in a more symbolic sense. Please take note of the orchid’s shape.


And issue #65, page 14, panel 5 — Take note of a tire at the bottom right corner. Is the brand not “Alcalá”? :-)


Issue #66, page 2 — “Len and Berni were here 1972”. Indeed. Len Wein and Berni Wrightson created S.T. in 1972. Apparently they did so as they sat in Arkham Asylum. That explains it. :-)

Would you please check these and add them to your notes?

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De especialistas marca barbante

Aqui tem uma entrevista com o Autor de quadrinhos Robert Crumb, um dos ícones vivos da contracultura dos anos 60. Em determinado trecho, diz o entrevistador:

Em Paraty, o cartunista, antes esperado como o grande nome da Flip, saiu de lá tachado com um chato, já que a mesa em participou ao lado de seu amigo e também cartunista, Gilbert Shelton, criador dos Faboulous Freak Brothers, decepcionou a muitos. Crumb é avesso a jornalistas e a fotógrafos, e realmente não tem muito a ver com algo como a Flip. Mas o grande equívoco foi escalar um mediador que não conhecia a obra de Crumb a fundo, tampouco de quadrinhos.  E aí na imprensa lemos bastante que “Crumb é um chato, ranzinza e mal educado, a Flip deveria chamar só escritores etc.” Ele pode ser ranzinza e mal educado por conta dos lugares comuns que sempre lhe perguntam, ou coisas como se havia muita competição nos quadrinhos underground nos anos 1960, na Califórnia. A essa pergunta, no debate, ele questionou duas vezes: “Você está bricando?” [“Are you kidding?”].

Extremamente educado, simpático e gentil, (…)

E aí eu digo: de fato, a escolha do mediador faz uma diferença enorme. Em 1996, fui convidado pelo Prof. Paulo Metri, então diretor cultural do Clube de Engenharia, para ser um dos debatedores após uma exibição do filme Jornada nas Estrelas VI, no auditório do clube. Aceitei muito honrado, porque o tema é caro a mim e eu era (ainda sou) muito preparado para discutir qualquer aspecto de Jornada, em especial esse filme.

A exibição foi um sucesso, o filme se presta a várias discussões sobre geopolítica, ecologia, ideologia, pacifismo e anacronismo, eu e minha amiga Patricia contribuímos bastante, e o público só saiu porque estava na hora de fechar o auditório. Acontece que, como mediador, o clube pusera um sujeito que nunca tinha assistido a Jornada nas Estrelas nem conhecia nada de nada do tema. Pois o camarada começou atacando o filme — sem se dar conta de que boa parte dos que ali estavam já gostavam bastante dele — e prosseguiu a falar mal dos trekkers como alienados, irresponsáveis — sem se dar conta de que quase toda a plateia era composta por trekkers. De início, foi constrangedor vê-lo antagonizar palestrantes e público sem saber do que estava falando (uma das eternas marcas da arrogância oriunda da ignorância) mas, de certo modo, foi até engraçado como todo o mundo se uniu para praticamente escorraçá-lo de modo paternalista, se é que isso não é uma contradição em termos.

De outra feita, no mesmo Clube de Engenharia, o filme era 2001. Conforme eu já disse várias vezes, sou adepto da tese do Underman de que 2001 seja uma obra aberta: cada um vê nele o que é levado a ver, e o significado do filme só se completa na mente de cada um. É verdade que isso vale para toda obra de arte, aliás para toda obra: afinal, você precisa do receptor para se completar a mensagem. Mas, em 2001, nada tem realmente seu próprio significado: é você que põe seu significado na obra que está vendo. É como se cada pessoa visse um filme diferente.

Só que certas pessoas levam esse tecido aberto a extremos. Lembro-me de um senhor idoso velho, componente da mesa de debatedores, que, quando o filme terminou, começou a malhá-lo dizendo que sua principal mensagem era denunciar o ridículo do capitalismo americano. Exemplificava com as cenas da comissária de bordo, servindo bandejas devagar em zero-g com seu capacete branco redondo, e dos astronautas jogando xadrez com Hal. WTF?! Posso até entender que ele considerasse ridícula a cena da comissária, mas claramente se via que o ancião velho não conhecia o contexto em que o filme fôra feito (bem na parte mais excitante da Era Espacial, 1964-68), não tinha lido o livro 2001 original nem o livro onde Arthur Clarke explica das motivações e procedimentos da criação do filme (anote aí: Lost Worlds of 2001, com tradução esgotada no Brasil, Mundos perdidos de 2001), nem òbviamente tinha estudado qualquer coisa sobre a obra que tinha acabado de ser exposta.

Portanto, cuidado com isto. Quando for convidar alguém para ser debatedor ou mediador em qualquer seminário, congresso, painel, mesa redonda, o que for, tenha atenção a quem você estiver chamando. Certifique-se de que a pessoa conheça o tema. Aliás, isso vale para qualquer convite que se faça para qualquer coisa, não é verdade?

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Completamente fora de contexto, uma citação de Alex Castro

Cuba é um país como qualquer outro. Você não tem opiniões fortes sobre a Nigéria sem saber nada sobre ela, então também não saia levantando o dedo, brandindo contra ou a favor do Fidel, sem nunca ter se informado a respeito. Se você tem interesse o suficiente por Cuba pra ter opiniões fortes, então também deveria ter interesse o suficiente para ler um livro sobre o assunto. Caso contrário, desculpe a franqueza, mas você é a definição do idiota ignorante.

O original está aqui.

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