Uma coisa que me irrita

… no ambiente de trabalho: de vez em quando, alguém é cobrado. “Já fez tal coisa?” E responde que não: “estou esperando que Fulano faça tal outra coisa”.

Muito cômodo, não é mesmo? O carinha não faz o que lhe cabe, nem o serviço anda, porque ele está dependendo da atuação de outra pessoa, sobre a qual não tem nenhum poder de exigir resultado.

Fico p$%o da vida com isso. É uma intencional falta de iniciativa, pràticamente uma sabotagem. O sujeito simplesmente senta em cima da tarefa, quase que esquece o assunto até ser novamente provocado, ou melhor, tangido sob vara. Pombas, sempre tem outro jeito! Sempre dá pra telefonar perguntando se o tal Fulano precisa de ajuda, ir fazendo outra coisa paralela enquanto aquela etapa não sai… (caminho crítico, alguém?). Aliás, em geral, quando a resposta de Fulano está demorando muito, pode ir atrás que você vai descobrir que Fulano nem estava sabendo que a bola estava na quadra dele. Às vezes, a mensagem nem chegou a ele; outras vezes, ele não entendeu a mensagem… Cabe a você, interessado (quer dizer: supostamente interessado, porque, quando o que se tem é preguiça, é óbvio que não há ninguém interessado), mas eu dizia, cabe ao interessado procurar Fulano, ir dando andamento ao processo, e tudo mais.

Meu pai costuma dizer, com razão, que quem “faz a sua parte” na verdade não faz. Porque só acaba quando termina: enquanto ainda houver alguma coisa para fazer, qualquer coisa, sua atuação ainda é necessária. Mesmo que a próxima etapa não seja sua, mesmo que ela dependa de outra pessoa em quem você não manda, mesmo que supostamente a “sua parte” já tenha acabado — mesmo em todas essas circunstâncias, se o serviço ainda não estiver concluído, então você ainda tem que atuar. Se o final é algo que você tem que atingir, então, enquanto você não chegou a ele, é você quem tem que atuar. Se é você quem vai ter que apresentar resultado no final, não vai adiantar dizer que “fez a sua parte” ou que “foi Fulano quem atrasou”: foi você quem não entregou resultado, e Fulano não vai ser cobrado nem tem interesse nele. A “sua parte” não é aquele pedacinho onde você consegue atuar sòzinho ou fàcilmente; ela é TUDO.

Em suma: tem que haver menos princípio da inércia e mais Geraldo Vandré.

P.S. É claro que, na época da avaliação de equipe e da concessão de aumentos remuneratórios, os preguiçosos vão reclamar que não foram contemplados, que “trabalharam muito” e não estão sendo reconhecidos… Só que “trabalhar muito”, para mim, não é ficar sentado à mesa oito horas por dia, jogando Paciência no computador refazendo tarefas porque ficaram mal feitas na primeira vez. Para mim, “trabalhar muito” é entregar os resultados esperados ou mais.

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