Urupema

“Urupema” é o nome de um planador da EMBRAER, distribuído pela Força Aérea para uso dos aeroclubes do Brasil.

O nome é tìpicamente indígena e eu sempre acreditei que viesse de alguma ave. Sabe como é: por todo o mundo, os aviões frequentemente ganham nomes de pássaro, como no caso das diversas variações sobre os nomes “Hawk” e “Eagle” nos Estados Unidos e na Inglaterra, “Halcón” no Chile e na Espanha, “Gavião” e “Tucano” no Brasil, essas coisas.

Até que abri o Aurélio para procurar outra palavra e meu olho bateu em “urupema”: “espécie de peneira de fibra vegetal…”

Entendi na hora o porquê de se usar esse nome para um planador e pensei, “sacanagem!”

Tradicionalmente, o treinamento de pilotos militares tem três fases: primário, básico e avançado. O primário começa em planadores, que têm a aerodinâmica mais simples, sem as complicações trazidas por um motor. Só depois de dominar a essência dos comandos é que o aluno progride para um avião.

Em inglês, o treinamento primário, primary training, também é chamado sabe como? Screening: “peneiramento”!

… Porque é uma peneira mesmo: você joga um montão de candidatos, mas a maioria não passa dos primeiros voos. Só uma minoria chega ao treinamento básico (onde, aliás, a filtragem continua). Em inglês, o candidato rejeitado é chamado de wash-out ou washout: quando você joga na peneira, ficam retidos e você os joga fora na lavagem.

Então, o Urupema foi destinado, desde a origem, a filtrar os candidatos a pilotos… e isso está no próprio nome. Realmente, está bem escolhido. Veja que não devo ter sido o único a pensar que fosse o nome de um pássaro, com todas as seriemas, anunguaçus, araras, urutaus e outros nomes em tupi-guarani que ainda adejam por aí (quando não estão extintos). Para o entusiasmado e iludido mequetrefe que se mete a pilotar, é melhor que se convença disso, melhor do que vir a saber que está voando em um EMB-400 Peneira…

EMB-400 em voo

Peneira

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