Quem chia não consome

Hoje, ao anoitecer, entrei na sorveteria Itália. Enquanto eu estava lá dentro, entrou também uma velha, que passou a dialogar com a vendedora.

– Tem [sorvete de] iogurte com quê?

– Só com frutas vermelhas.

– Mas eu quero de iogurte com limão siciliano. Não tem?

– Não, Senhora, só de iogurte com frutas vermelhas.

– Mas não tinha na semana passada, hoje também não tem… Vocês não pedem?

– A gente até pediria, Senhora, mas o problema é que a loja é pequena. Não tem espaço.

– Olha o espaço ali!

– Mas, Senhora…

– Já entendi. Vocês é que não querem. Eu vim aqui só pra isso, então é bom já saber logo; assim eu não volto mais aqui.

E saiu resmungando e gritando, mas aí já não entendi mais.

Olha só. Na forma, a velha errou feio. No mérito, a velha até teria razão, mas na verdade não tinha, e perdeu a pouca que poderia ter. Vou explicar.

A frase “o cliente sempre tem razão” não é pra ser entendida literalmente. Na verdade, é até uma frase meio canalha. Ela significa, em essência, que o vendedor tem que descobrir o que o cliente quer e dispor-se a vender esse mesmo produto. Quem define o negócio é a demanda, então o vendedor tem que ouvir essa demanda e comportar-se de acordo, para que o cliente queira lhe dar dinheiro. “Ouvir a demanda” significa descobrir o que o mercado quer comprar. A pesquisa de mercado é um dos conhecimentos valiosos para um empreendimento, e é por não atentarem a isso que muitas empresas iniciantes falham apesar de terem produtos geniais: produtos que, porém, ninguém quer.

Então, “o cliente tem razão” por definição: quem define o produto é ele. Ele entra no restaurante, diz que quer o prato assim e assado, e o restaurante passa a ter esse prato no cardápio. Mas o “cliente” da frase é, de certo modo, o conjunto dos clientes, da média razoável dos clientes: aquilo que, acontecendo repetidas vezes, trará lucro ao estabelecimento. Se for um pedido louco, custoso ou impossível de atender, se o prato não tiver saída, o cliente pode não ter razão.

O sorvete de iogurte com limão siciliano (doravante ILS para encurtar) é azedo. Eu sei, porque eu gosto, mas eu sei muito bem que a maioria das pessoas não gosta. Aliás, o povo nem pede sorvete de iogurte nenhum; a Itália tem que ficar fazendo promoção e festival dos sorvetes de iogurte pra ver se sensibiliza o povo e empurra sua produção pra fora! Em matéria de sorvete, o povo é conservador: morango, chocolate e creme. Ninguém pede, como eu peço, tangerina, manga com gengibre, tapioca, menta, chocolate meio amargo com amendoim, ABÓBORA COM COCO (um de meus preferidos; doravante ACC para encurtar).

Ora, se o sorveteiro quer vender, ele tem que fabricar aquilo que o povo compra. É uma questão estatística: ele tem que olhar os trinta espaços da sorveteria e fabricar os trinta sorvetes que mais vendem. Não adianta fazer ILS se ficar mofando na geladeira sem ninguém tomar; não só tem o custo de fabricação, mas também estará deixando de vender daquilo que vende, abrindo mão de receita. Seria insensato fabricar ILS por causa de um cliente só. É por isso que o ACC fica ANOS sumido.

As pessoas têm que lembrar que todo empresário só exerce o comércio para ganhar dinheiro, e não para satisfazer o ego delas. Uma coisa é o objeto social: aquilo que a pessoa jurídica faz. Cada empresa tem o seu objeto social; o da Itália é fabricar e vender sorvete. Outra coisa é o objetIVO social, que, no caso de uma empresa, é SEMPRE ganhar dinheiro. Fico meio frustrado de não ter ACC, mas tenho que entender o lado do lojista: não é nada contra mim; é uma decisão prática dele. E mais: estatìsticamente, ele também está certo. Ao privilegiar morango, chocolate e creme, ele maximiza o número de egos satisfeitos, fazendo o sacrifício necessário de deixar de atender a uma minoria de egos. Certamente não seria justo nem democrático se ele atendesse a uma minoria e forçasse a maioria a, querendo sorvete, só ter ILS ou ACC para escolher.

Mas a velha está muito errada. Ela parece ter a pretensão de gerir a loja, de dizer o que é que a sorveteria tem que fazer. Quando diz “olha o espaço ali”, ela afirma que o espaço está disponível para atender à prioridade dela. Com isso, olvida os fatos de que (1) é a Itália quem define como aquele espaço será ocupado, não a velha; (2) sabe lá se o espaço está realmente livre? Dali a dez minutos seria ocupado! O que garante que vá ficar livre por dias e dias e dias? Então, (3) parece livre, mas, ao ser ocupado, será ocupado por algo diferente do que ela espera. NÃO É ELA A GESTORA DA LOJA.

Uma conclusão que se extrai daí é que seja uma velha mandona (como em geral são as velhas — não confunda com as senhoras nem com as velhinhas, que são espécies bem diferentes). Como toda gente mandona, ela sofre de um tipo bem especial de psicose, que é supor que seu ego seja mais importante que o de outras pessoas e, portanto, concluir que o mundo exista para servi-la.

Afinal a velha foi embora ameaçando não mais voltar. De um lado penso, “blefe”: quem fala não faz. Ela vai voltar, inclusive porque se diverte demais fazendo isso. Se ela não reclamar na sorveteria, que graça tem a vida para ela? É claro que vai voltar! É isso que é importante para ela; seu vício é esse. Se houvesse ILS, aí sim ela se frustraria, por não ter do que reclamar, e iria encontrar outra coisa, e ia querer outro sabor que ali não houvesse. Mas, de outro lado, penso, “não volte mesmo; a vendedora agradece”.

Mas não só a vendedora agradece. Pensa bem: esse tipo de cliente não interessa à sorveteria. Esse tipo de cliente não compra, não se contenta com os sabores que há (e são muitos), só cria tumulto e má impressão na loja. Se a velha SÓ aceitaria ILS, então ela não é a cliente que a sorveteria Itália quer, porque é uma cliente muito limitada, que é caro atender. É uma cliente que quer um sabor de sorvete só pra ela — o sabor DELA — e que, com isso, impede a sorveteria de ganhar mais dinheiro com um sabor mais popular; certamente a velha não se disporia a comprar toda a produção de ILS, né? Ia ficar lá uma caixa inteira, que ela queria para satisfazer ao ego dela — nada a ver com sua real preferência ao paladar; a questão toda se resume a mostrar quem manda –, mas pela qual não pagaria.

Então, uma cliente dessa não convém. Como costuma argumentar o @cardoso, quem chia não consome, é um cliente que na verdade não interessa e que NUNCA estará satisfeito. Pode parar de tentar agradar, porque você não vai conseguir.

E não é assim em tudo na vida?

EOF

A pergunta inevitável

Estimulado pelo Aerolito no. 58, do grande Lito, venho aqui trazer alguns pontos que estou devendo a vocês há um bom tempo.

Quando eu era criança, certa vez visitei Dona Cosette, amiga de minha vó. Vendo que eu me interessava por aviões, Dona Cosette perguntou-me quem havia inventado o avião. Quando respondi que tinham sido os irmãos Wright, ela se indignou; “cooomo? Você não é patriota???”

Dona Cosette estava errada por tantos argumentos que nem sei por onde começar. Mas vejamos.

Primeiro, ela parecia ter a estranha noção de que, se uma pessoa é patriota, ela tem que afirmar a primazia de seu país mesmo quando sabe que está propagando uma mentira. Quer dizer: não importa quem inventou o avião ou se você realmente acredita que tenham sido os irmãos Wright; você está obrigado a contrariar sua crença sincera e afirmar aquilo que, na sua mente, crê que não seja verdade. Pois a verdade não interessa por mais que você a conheça; prevalecem os interesses.

Segundo, ela parecia acreditar que o patriotismo consistisse em, nas menores manifestações, afirmar sempre que seu país seja melhor do que os outros. Em vez de se esforçar por ter saneamento básico, ensino fundamental para todos e balança comercial favorável, você tem que afirmar que seu país é melhor. Isso parecia mais prioritário para Dona Cosette do que efetivamente se esforçar para melhorá-lo. Noções estranhas de patriotismo tinha Dona Cosette. Eu sempre achei que a segunda conduta seria mais patriótica do que a primeira, mas, sei lá, vai ver que eu não sou patriota.

Terceiro — eu sei que sua professora de Educação Moral e Cívica vai enfartar se ouvir isto, mas ninguém é obrigado a ser patriota. Está lá na Constituição, artigo 5o., inciso II (meu preferido em todo o ordenamento): se não há lei obrigando você ao que quer que seja (inclusive a ser patriota), você NÃO está obrigado! Você tem que cumprir todas as leis do País, isso tem. Dentro de seu território, o Estado é soberano; você tem que obedecer. Mas não tem que gostar.

Poderíamos perdoar Dona Cosette por ter sido criada em uma época de integralismo, por ter sido jovem durante as duas ditaduras de Getúlio Vargas (a primeira, 1930-1934, e a segunda, 1937-1945), por ter sido regida por governos desenvolvimentistas. No Brasil, o século XX foi bàsicamente um grande exercício nacionalista, de discurso ufanista e engrandecimento do Estado.

Poderíamos, mas eu certamente não vou. Para mim, a partir dessa cobrança, Dona Cosette foi e sempre será apenas uma velha antipática e autoritária. Que, ainda por cima, criava romãs no jardim, certamente para fazer chá. Detesto romã.

De todo modo, se você é fã de aviação (meu caso) ou trabalha com aviação (não é meu caso), é inevitável — inevitável, tal como a morte — que, mais cedo ou mais tarde, algum engraçadinho venha perguntar a você quem inventou o avião. Se você tiver sorte, a pergunta será feita por alguém que realmente quer saber e que reconhece em você alguém que já leu mais sobre o tema e que, portanto, está em melhor condição de responder. Será uma pergunta sincera, de curiosidade, feita com respeito. Infelizmente, esse não é um cenário provável. Eu sempre acabo me deparando mesmo é com gente metida a sabichona que fica querendo me testar, para ver se eu passo no seu pequeno e medíocre teste pessoal. Como se eu lhes devesse alguma coisa. Seguidores de Dona Cosette.

“Quem inventou o avião?” A pergunta não é lá muito inteligente. Se formos observar os inventos a partir do século XIX, ninguém inventou nada sòzinho. Todos os equipamentos que vemos a nossa volta resultam de um somatório de diversas contribuições individuais, que foram se somando gradualmente, por incrementos. O avião, que é o exemplo em discussão aqui, só foi possível depois da invenção do motor de combustão interna — que não foi criado por Santos-Dumont nem pelos Wrights –, e aproveitou o formato de aerofólio que já era usado nos planadores desde o século anterior. Além disso, a experiência de vários pioneiros ia agregando o conhecimento necessário para que outros construtores se informassem e, com base nessas descobertas, pudessem ter a inspiração de criar em cima. E, no entanto, o público em geral continua não sabendo quem foram Clément Ader, Henri Farman, Samuel Langley e Otto Lilienthal (vá pesquisar), sem cujas contribuições dificilmente os Wrights e Santos-Dumont teriam conseguido resultados. Quer dizer: ninguém faz nada sòzinho.

Na verdade, é só no Brasil que vejo a pergunta de “quem inventou o avião” ganhar importância; fora daqui, esse não é um ponto de discussão. O que parece motivá-la é uma espécie de ufanismo tolo, de querer afirmar ao mundo que existe alguma espécie de corrida e que o Brasil a ganhou. Como se o indivíduo ufanista tivesse feito alguma contribuição; como se tivesse de que se orgulhar. Não fez nada! Está só indo na aba de alguém (no caso, Santos-Dumont, mas poderia ser Ayrton Senna, Daiane Santos, Gustavo Borges ou Sérgio Vieira de Mello) que teve pouco ou nenhum apoio de seu País e que, portanto, conquistou vitórias independentemente dele, ou até apesar dele. É um complexo de vira-lata, resultante de uma baixa auto-estima nacional, onde o sujeito vê seu País desprezado em negociações internacionais, vê-se excluído ao precisar de visto para entrar nos Estados Unidos, vê sua baixa posição nas classificações de IDH ou de corrupção, mas quer ter alguma compensação onde possa afirmar que, apesar de tudo, é o melhor; como se tudo mais que sofre fosse resultado do recalque dos outros em razão de uma suposta derrota (quando, na verdade, o recalcado é ele). Ademais, é um espírito doentio de competição, onde não vale o ditado do Barão de Coubertin (“o importante não é vencer, mas competir”) e se exige vitória em todas as disputas: se não vier a medalha de ouro, o competidor é um fracassado. O prazer está todo em vencer, vencer, vencer, sempre, com exclusão de tudo e de todos. Então, o foco é no mais veloz, no mais forte, em ter sido o primeiro, ter inventado o avião e dizer que existe algum grande complô “dos americanos” para “esconder a verdade”. Sim, certamente os 323 milhões de americanos estão se importando muito com uma primazia do Brasil em inventar o avião (embora pareçam não ligar que o automóvel seja francês, o motor de combustão interna, alemão; e a máquina a vapor, escocesa, assim como o trem). Estão decerto muito empenhados em sufocar uma grande vitória do Brasil!

Enfim. De fato, as melhores evidências que tenho mostram que Alberto Santos-Dumont foi o primeiro a decolar com um avião diante de um grande público, em 12 de novembro de 1906. Mas como? O Dia do Aviador não é 23 de outubro? Bem, sim, porque 23/10 foi quando ele decolou com o 14-Bis, mas sem testemunhas do Aeroclube da França para documentarem o fato. Se você vai argumentar que o primeiro voo foi em 23/10, então, pelo mesmo argumento, tem que aceitar que os irmãos Wright decolaram antes, com poucas testemunhas, em 17 de dezembro de 1903 ou, que seja, em diversas ocasiões ao longo de 1904 e 1905 (tiveram tempo e oportunidades de sobra).

Argumenta-se que o 14-Bis foi o primeiro mais-pesado-que-o-ar a decolar por seus próprios meios: saiu do repouso para o voo controlado sem nenhum auxílio externo, somente com a força de seu motor. Isso contrasta com as decolagens dos irmãos Wright, cujo Wright Flyer I requeria um plano inclinado e uma catapulta para dar um empurrãozinho. A verdade é que os irmãos Wright já não precisavam de plano inclinado em 1904, quando seus voos também eram testemunhados. Então, usar o voo de Santos-Dumont de 23/10/1906 como marco não é tão legítimo quanto usar o voo de Wilbur Wright de 13/08/1904 — o que, também sob esse critério, dá precedência aos irmãos Wright.

Ademais, se argumentarmos que a decolagem sem assistência seja essencial para considerarmos a máquina como um avião legítimo, então será preciso desconsiderar alguns aviões (igualmente americanos) como detentores de feitos históricos: o Bell X-1, primeiro avião supersônico, não decolava sòzinho, como não decolava sòzinho o North American X-15, o avião mais veloz do mundo,  propelido por motores de foguete (Mach 6.72). Ambos eram alçados aos ares sob as asas de bombardeiros e, no entanto, nunca vi ninguém alegar que não fossem aviões de verdade. (Antes que alguém se insurja: o Lockheed SR-71 atingia Mach 3.5, o que o fez o JATO mais rápido, mas não o AVIÃO mais rápido. Há uma diferença.)

As maiores virtudes de Santos-Dumont em relação à aviação acabam ignoradas pelos próprios brasileiros, provàvelmente por não serem nenhuma vitória em alguma corrida que tenham em suas cabeças. Despreza-se a verdadeira contribuição do pequeno mineiro da fazenda Cabangu porque não é nada que dê troféu de primeiro colocado. Porém, há que observar: (1) com o Demoiselle, de 1907, foi Santos-Dumont quem criou a configuração atual dos aviões, com leme e profundores na cauda em lugar de na frente, bem como centro de sustentação atrás do centro de massa. Essa configuração tornou os aviões fundamentalmente estáveis e seguros, liberando o piloto de ficar lutando contra os controles para evitar um desastre. (2) Santos-Dumont adotou ailerons no lugar da impraticável opção dos Wrights, que requeria torção da asa para controle de rolamento. Então, foi ele quem primeiro pôs em prática as técnicas básicas de dirigibilidade que têm estado em uso nos últimos 109 anos da aviação. (3) Finalmente: os irmãos Wright queriam inventar u’a máquina que lhes trouxesse sustento pelo licenciamento das patentes, enquanto Santos-Dumont liberou os planos do Demoiselle para quem quisesse contruir seu próprio exemplar, de graça. Não há nenhum mal em querer ganhar dinheiro com sua invenção (ao contrário: esse é um dos motores do avanço tecnológico), mas o brasileiro, que nascera em família rica de cafeicultores, tinha os sonhos mais nobres de que todo homem, ainda que destituído de posses, pudesse usufruir das maravilhas do voo sem restrições; que cada cidadão do mundo pudesse conhecer a sensação incomparável de se levantar nos ares. Pretendia que o avião fosse uma ferramenta de integração dos povos (em contraste com os Wrights, que viam nas forças armadas seu grande cliente). Dessa virtude de altruísmo do pioneiro os brasileiros difìcilmente vêm a aprender na escola, apesar de ser mais importante para a História da aviação do que a tola disputa de saber quem chegou na frente para cortar a fita.

Atribulados créditos junto à Oi

ESTA POSTAGEM FOI ATUALIZADA EM 04/05/2014.

Na verdade, o nome da operadora é Telemar. É que, por muitos anos, a Telemar foi campeã em reclamações de consumidores no Brasil. Então, um dia, decidiu apresentar-se ao mercado de telefonia fixa sob a marca que já usava para seu serviço de telefonia celular, na provável ilusão de que, com isso, afastaria a má fama.

É claro que essa tática infantil não haveria de prosperar: se o serviço não melhora, é o nome Oi que passa a ser tão mal visto quanto já era o nome Telemar, que foi o que aconteceu.

Eu poderia vir aqui narrar todo o mau serviço, ou ausência de serviço, que a Telemar já me prestou desde que me tornei vítima dela, em 2008. Seria fácil demais e, além disso, a história não deve ser diferente da que acontece há mais tempo e com mais gente neste Brasil. E ninguém quer ler mais do mesmo, das tristezas que já conhece e vivencia tão bem — ou pior — do que qualquer descrição que eu fizesse.

Então, em vez disso, decidi limitar meu relato a uma documentação, aliás para minha própria utilidade histórica, do dinheiro que a Oi me deve desde que passei a tomar nota dos centavos, que foi, mais ou menos, em agosto de 2013. Repare que o principal usuário desta narrativa sou eu mesmo, que admito o quanto ela é maçante com seus números. Vejamos.

De 8 a 12 de julho de 2013, a Oi cortou o serviço do Velox durante quatro dias e meio. O pagamento mensal era de R$ 67,62. Como fiquei quatro dias e meio sem serviço, pela regra da ANATEL seria justo não cobrarem (5/30) × 67,62 = R$ 11,27 [conforme apontado nos comentários pelo distinto @souculpado]. Então, a conta seguinte tem que valer R$ 11,27 menos do que o habitual.

Só que a Telemar me cobrou em agosto o valor cheio, que paguei. Então a Telemar passou a me dever em dobro (Código de Defesa do Consumidor, art 42, parágrafo): R$ 22,54. Interessante que, durante o mês de julho, eu pedira que não me cobrassem o valor cheio, e me disseram que, se reconhecessem a falta do serviço, cobrariam sòmente pelo serviço efetivamente prestado. OBÓVIO que isso não aconteceu.

Telefonei para reclamar, de modo que, na conta com vencimento em setembro, a Telemar reconheceu a falta do serviço e creditou R$ 13,98 (porque, na verdade, eles mesmos erraram a conta). Então, a Telemar ficou devendo 22,54 – 13,98 = R$ 8,56.

Na verdade isto sempre aconteceu com alguma frequência: toda vez que chove (veja bem: eu não disse “toda vez que chove FORTE”. Basta chover), toda vez que chove a Telemar corta a minha Internet. Como se, de algum modo, eu devesse ser punido pela tristeza que a chuva traz. Infelizmente foi só em julho de 2013 que comecei a correlacionar o corte do serviço a dinheiro; antes eu não fazia isso. Então, na verdade, sou credor de mais do que esses R$ 8,56, mas o valor não é líquido.

Agora vem a parte realmente divertida.

Certa vez, em 2008, contratei o Oi Fixo. Todos os meses, minha conta de Oi Fixo apresentava duas discriminações: “Fale 230 Residencial” e “Pacote Fale Digital”. A soma dos dois valores dava o valor contratado. Assim foi por cinco anos sem problemas.

Até março de 2013, minha conta de Oi Fixo era de R$ 61,29 todo mês. Aí, em 20/02/2013, recebi um telefonema da Telemar, que dizia que, durante os próximos seis meses, o valor da conta seria de R$ 34,90 e que, daí por diante, seria de R$ 54,90. Além disso, o número de minutos da franquia passaria de 230 para 350. A primeira cobrança, a vencer em março, seria pro rata dos dias de fevereiro sob os pacotes de 230 e de 350 minutos.

Essas condições nunca foram cumpridas. A cobrança de março (relativa a fevereiro) foi feita ainda no valor cheio de R$ 61,29. Na de abril, de fato veio um estorno, mas façamos uma breve conta. Quanto eu deveria pagar por fevereiro? Deveria pagar (19/28) × R$ 61,29 + (9/28) × 34,90 = 52,81. Mas paguei 61,29. Então, a Telemar ficou me devendo a diferença: R$ 8,48. Dobrado: R$ 16,96. Como eles tinham um débito (lembra?) de R$ 8,56, a Telemar ficou me devendo, líquidos, R$ 25,52. Isso era no momento em que paguei por fevereiro.

Como disse, em abril veio um estorno. Na verdade a conta de abril (relativa a março) veio toda confusa. Quanto deviam cobrar em abril? Deveriam cobrar simplesmente R$ 34,90 pelo mês de março. Mas cobraram R$ 29,94 por causa dos estornos. Então, estavam deixando de cobrar R$ 4,96. Diminuindo esse valor do débito mais antigo de R$ 25,52, no total ficaram me devendo R$ 20,56.

Esse parecia o fim da história. Mas vejamos: durante quanto tempo disseram que cobrariam R$ 34,90? Seis meses. Façamos a conta: tomando 20/02 como o primeiro dia, o último dia seria 19/08/2013. Só que, durante todo esse período, não cobraram R$ 34,90; cobraram R$ 36,94 nas contas que venciam em maio, junho, julho e agosto (por enquanto não comentarei a de setembro, relativa a agosto). Então, acumularam a diferença como uma dívida contra eles: 4 × (36,94 – 34,90) = 8,16. Dobrado, lembra? R$ 16,32. Mas já me deviam R$ 20,56, de modo que ficaram me devendo R$ 36,88 líquidos.

De todo modo, todos os meses passaram a trazer uma conta que discriminava duas linhas: “Fale 350 Residencial” e “Pacote Fale Digital”. Reparem que, ressalvada a diferença do número de minutos (que agora eram 350), a cobrança vinha da mesma forma de antes. O valor mensal de R$ 36,94, aliás acima do contratado, era a soma desses dois aí. E nem pense em alegar que era a porção “Fale Digital” que explicaria a diferença. A diferença mensal era de R$ 2,04, mas o “Fale Digital”, sòzinho, eram mais de R$ 10. Portanto, o “Fale Digital” era um componente do preço básico, não sendo a causa da diferença.

Até que veio a conta com vencimento em setembro. Qual deveria ser seu valor? Bem, seguindo o raciocínio da própria Telemar (de calcular pro rata), o valor deveria ser (19/31) × 34,90 + (12/31) × 54,90 = 42,64. Mas quanto foi que veio? Vieram R$ 42,79. Então, a diferença foi pequena, podemos atribuí-la a erros de arredondamento ou da maneira de se fazer a conta, e me cobraram 15 centavos a mais (dobrando: R$ 0,30), que eu perdoaria se não fosse o fato de que isso aumentava a dívida da Telemar para R$ 37,18.

Mas vejamos outubro. A conta com vencimento em outubro deveria vir no valor prometido, certo? De R$ 54,90. Mas quanto foi o valor cobrado? Tcharããã! Foram R$ 80,86! Claro que eu reclamei. Bem, primeiro tive que pagar, porque a Telemar é igual a cartão de crédito: uma fatura emitida deve ser paga, ainda que mais tarde se estorne. Então a dívida da Telemar comigo passou a ser de 37,18 + 2 × (80,86 – 54,90) = R$ 89,10.

Como eu dizia, reclamei em 02/10, de madrugada (olha só que divertido!). Três dias depois, a Telemar me vem numa cara-de-pau inacreditável, a dizer que, como eu não sabia que haveria aumento (não mesmo!), estornaria os excessos das contas de agosto e setembro. Bem, a esta altura estamos vendo que meu crédito era de R$ 89,10. E também a Telemar me informa que o plano Fale 350 já não está disponível e me oferece o Fale 300, por R$ 17,90 por um ano. Aceitei.

Atente para isto: todos os planos (o de 230 e o de 350 minutos) negociados até hoje continham duas metades: o “Fale X Residencial” e o “Pacote Fale Digital”. Sem mais informação, e sempre supondo que o serviço é sempre o mesmo embora variando o número de minutos da franquia, eu SÓ poderia entender que passariam a me cobrar R$ 17,90 por mês.

Então, a cobrança com vencimento em novembro deveria considerar um pro rata: pelo período de 01 a 04/10, o valor a pagar deveria ser (4/31) × 54,90, e o restante do tempo deveria gerar (27/31) × 17,90. Portanto, a conta com vencimento em novembro deveria ser de R$ 22,67. E isso manteria a Telemar como devedora de “apenas” R$ 89,10.

… Só que, aaaaah, tem uma coisa: durante o mês de outubro, a Telemar novamente cortou meu Velox, deixando-me sem Internet de 13/10, à noite, até 17/10, de manhã. Ou seja, três dias e meio. Òbviamente a conta com vencimento em novembro considerou o valor cheio do Velox, já então de R$ 69,90.

Então, vejamos essa conta. De um lado, em relação ao telefone, veio com valor NEGATIVO de R$ 14,07, ou seja, R$ 36,74 abaixo do que poderia ser. Já de outro lado, em relação ao Velox, veio com uma cobrança excessiva, cobrando por 31 dias de outubro quando deveria descontar os quatro dias de serviço não prestado. Ou seja, R$ 9,32 acima do que deveria ser; dobrando, isso dá R$ 18,64 acima do devido. Como me deviam R$ 89,10 antes disso, na hora em que paguei essa conta fiquei como credor de R$ 71,00 (está acompanhando?).

A propósito, em 10/11/2013 reclamei do valor excessivo da cobrança do Velox, mas em 18/11/2013 me retornaram que a contestação era “improcedente”. Como se fossem juízes.

Vamos à conta com vencimento em dezembro. O valor do telefone deveria ser de R$ 17,90, mas foi de R$ 28,76. Uma ligeira investigação descobriu o quê? Descobriu que, quando migrei para o plano de 300 minutos, a porção Fale Digital não veio junto para dentro do preço: passou a ser cobrada à parte. E ninguém me avisou de que isso ia acontecer! Não é uma gracinha? Boa sorte tentando explicar isso e reaver o valor devido. Mas veja que, com isso, na medida em que eu pago o valor cheio em dezembro (com excesso de R$ 10,86, que, em dobro, são R$ 21,72), passo a ser credor de R$ 92,72 acumulados até agora.

Na verdade, tentei contestar essa cobrança indevida em 27/11, de madrugada (sempre de madrugada, que é quando tenho tempo de examinar as contas), mas a Telemar teve a desfaçatez de me dizer que não poderia estornar os valores já pagos porque, como eu estava pagando, eu estava ciente. Por certo estava ciente! Não quer dizer que concordasse.

Bem. Cancelei o Fale Digital em 27/11, de madrugada. Não que isso devesse ser necessário. Repare que, a partir desse momento, fiquei com um serviço menor do que o anterior, pelo preço contratado. Com isso, a Oi estava dando o jeito dela de me prejudicar mais um pouquinho.

Veio a conta com vencimento em janeiro de 2014. O valor pelo telefone era de R$ 16,46, ou seja, estava abaixo do contratado por uma diferença de R$ 1,44. Então a dívida deles diminuiu um tantinho, e passei a ser credor de R$ 91,28.

Aliás o Velox subiu de preço nessa conta, passando de R$ 69,90 para R$ 73,96.

A conta paga em fevereiro foi normal. Se pudermos chamar essa barafunda de normal.

Então veio o mês de fevereiro. Meu telefone ficou mudo de 16 a 20/02/2014, ambos os dias à noite. Ou seja, quatro dias. Então a conta com vencimento em março deveria deixar de cobrar (4/28) × 17,90, ou seja, R$ 2,56. Isso aconteceu? Evidente que não! Portanto, quando paguei, a dívida da Telemar comigo acumulou para R$ 91,28 + (2 × 2,56) = R$ 96,40.

Desde então, já pedi estorno do período sem telefone em fevereiro de 2014 (protocolo 0015158-13032014). Também desde então, a Telemar me cortou o Velox de novo, no período de 07/03 à noite até 09/03 à tarde (o que dá dois dias) e depois no período de 23/03 de manhã até 24/03 à tarde (o que também dá dois dias) e, portanto, esses cortes valem R$ 9,86 somados. Mas a conta relativa a março, com vencimento em abril, cobrou o valor cheio do Velox; portanto, paguei esses R$ 9,86 e tenho direito a devolução em dobro, ou seja, R$ 19,72. A dívida acumulada da Telemar comigo chegou a R$ 116,12.

Além disso, permita-me documentar alguns detalhes que não sei se geram crédito ou não, mas precisarei da informação no futuro. Desde a conta com vencimento em janeiro/2014, o Oi Velox custa-me R$ 73,96 (tendo havido “reajuste” de 5,8% antes de completado um ano desde o “reajuste” anterior). Desde a conta com vencimento em abril/2014, o Oi Fixo custa-me R$ 18,13. Na conta com vencimento em maio/2014, o Oi Internet Banda Larga (provedor) passou dos vitalícios R$ 3,99 para R$ 4,22. Em 04/05/2014, de manhã, telefonei à Oi Serviços Digitais (dona do Oi Internet BL), que me disse que não tem nenhuma informação de que os R$ 3,99 fossem vitalícios. Lógico que não tem: pois interessa a ela suprimir essa informação. Provàvelmente, na estimativa dos analistas da Telemar, seis anos de vitaliciedade terá sido tempo suficiente para eu esquecer que o valor fosse vitalício. Exceto que não cumpri os planos deles nem me esqueci.

Bom. No mínimo a Oi passa a acumular mais R$ 0,46 por mês de dívida para comigo em razão do Oi Internet BL e não tenho nenhuma fé em conseguir vencer Golias neste ponto. Não abro mão desse direito, que ainda tenho, mas vou deixar a atualização desse cálculo por fora da dívida já constituída, porque, senão, nem o valor maior terei esperança de recuperar um dia.

Para atenuar a dívida da Oi, a conta com vencimento em maio/2014 fez uma devolução parcial de R$ 38,96, oriunda de créditos diversos das reclamações aí de cima (mas evidentemente ainda insuficiente). Com isso, a dívida da Telemar comigo está em R$ 77,16 (no mínimo — pendente eu descobrir se os aumentos de mensalidades foram lícitos).

Em tempo: não me venham sugerir que procure a ANATEL. O protocolo acima foi feito por intermédio dela. Ela tem se mostrado eficaz para religarem meu telefone quando suspendem o serviço, mas, quanto a valores de contas, tudo que consegui até agora foi essa devolução parcial aí no fim, que foi de apenas aproximadamente um terço do valor devido. Prossigo nas tentativas.

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Então furaram seu lugar na fila? Grandesm*rda

Aconteceu comigo em 10/01/2014.

Eu estava na fila do restaurante Delírio Tropical da Rua da Assembleia, uma fila que, notória e frequentemente, estende-se por vários metros ao longo da calçada, do lado de fora do restaurante. À minha frente, duas jovens profissionais conversavam animadas. Atrás de mim, um bocado de gente, e eu já estava razoàvelmente perto da porta.

Sùbitamente, às duas moças se reuniram outras duas, furando a fila na maior cara de pau, sem olhar para trás mas tornando a conversa ainda mais animada. Pensei que tivesse sido algum engano da parte das recém-chegadas: certamente não repararam que suas companheiras de fofoca não eram as últimas da fila; certamente não haviam olhado para trás nem, portanto, notado que a fila se estendia ainda por mais de uma dúzia de pessoas.

Além disso, considerando que sempre posso ser eu o errado, preferi abordar as recém-chegadas com uma pergunta simples.

— Com licença. Vocês estavam na fila?

— Não, a gente acabou de chegar, mas elas aqui estavam esperando a gente.

— Ah, tá, entendi. Só para eu saber: são só vocês ou tem mais gente vindo? Quantos ainda vão se juntar aí a vocês na fila?

A mocinha ainda foi debochada:

— Na verdade são vinte pessoas, mas —

— É. Ó, vocês lembraram de perguntar a essa gente toda aqui atrás (indiquei o povo) se eles concordavam com isso?

— Não, mas você fique à vontade para perguntar, tá?

Evidentemente, esse final eu mereci em razão de minha pergunta. E assim não falei mais nada, e a fila seguiu, e ainda houve um terceiro canalhinha juntando-se ao grupo das patricinhas furadoras de fila.

A primeira constatação é que eu fui um frouxo e um covarde, que deixei isso acontecer. A segunda é que eu fui um otário. Ambas estão corretíssimas — afinal é isso mesmo — e predominam sobre qualquer outra percepção que se tenha. O que é que eu esperava: que, com minha mera reclamação, baseada apenas na voz e desacompanhada de uma arma de fogo como estava, elas caíssem em si e fossem lá para trás? Ora, faça-me o favor. Então, passados dois dias, vamos a outras observações menos evidentes.

Atentemos à apresentação sócio-econômico-etária das cinco moças. Existe um estereótipo no qual se enquadram à perfeição, que é o de patricinhas entitled: moças crescidas em um ambiente onde ninguém nunca lhes negou nada (tripla negativa equivale a negativa única, certo?). O mundo sempre teve o dever de servir-lhes, dobrando-se diante de seus caprichos. Se a professora lhes dava nota baixa, lá estava Mamãe no dia seguinte, a exigir da diretora que corrigisse o abuso. Consequentemente, sempre tiveram direitos e nenhum dever. Nunca alguém lhes apresentou o conceito de fila, ou de direitos alheios: em face delas, ninguém tem direitos, pois todos devem render-se aos delas. O mundo é um passeio no parque onde têm automático direito a tempo bom e estão livres para defecarem no prato de comida dos outros.

Consequentemente, as patricinhas entitled não percebem que estão erradas ao furar a fila do Delírio Tropical na Rua da Assembleia. Na óptica delas — genuína! –, eu é que estou errado em interpelá-las, como se tivesse algo a reclamar por ocuparem o espaço que é delas por direito.

Outras observações podem ser feitas. Já não é a primeira vez que vejo isso. Nos últimos anos, tenho notado que, nos Delírios da Rua da Assembleia e da Rua do Rosário, é muito comum que mulheres estejam na fila e, sùbitamente, suas amigas venham juntar-se a elas, dobrando ou triplicando o grupo enquanto outras pessoas, atrás na fila, aceitam passìvamente a penetração de seus direitos.

Notem que eu digo isso mas não agi diferente: apesar da intervenção rabugenta, nada fiz de efetivo que defendesse minha posição. Tentei resistir na boa fé e me deparei com o reforço da ousadia: furamos a fila sim, e daí? O confronto e meu fracasso me fazem pensar se, na verdade, quem estava ali violando direitos não era eu: aparentemente, em matéria de fila do Delírio Tropical, o costume, jurìdicamente já assentado, é que mulheres esperem outras mulheres na fila e as recém-chegadas se incorporem à fila, sem qualquer consideração ao número de pessoas para trás. Pelo que estou entendendo, isso não se considera “furar fila”: é assim que funciona. (Até essa sexta, eu só havia visto mulheres fazendo isso. Foi a primeira vez que vi um homem aderindo à prática, que eu já estava considerando exclusivamente feminina. So much for sexismo.) Eu é que era um misantrópico perturbador da paz, querendo mudar a regra.

Também estive pensando em minhas alternativas. O que mais eu poderia ter feito: obrigado as recém-chegadas a irem lá para trás, na marra, em desforço necessário passível de enquadramento no Código Penal, artigo 345? E como fazer isso sem perder o lugar na fila? Deveria armar um barraco, iniciar uma gritaria que só poderia terminar com a minha remoção do lugar? Deveria chamar o vigilante do restaurante, o gerente? Nenhum dos dois tem qualquer responsabilidade sobre a fila. Deveria ligar 190, chamar o guarda? Boa sorte diante do silêncio (na melhor hipótese), da risada (na hipótese piorzinha) ou da acusação (justa) de tomar o tempo da autoridade com besteira, seguida de prisão em flagrante. Deveria alardear a quem estivesse atrás de mim, “estão furando a fila de vocês”? Isso seria a injusta terceirização do meu problema e um reforço da minha fraqueza, ou da do meu direito, que precisa do socorro dos outros para se afirmar.

Sejamos realistas: não havia NADA que eu pudesse ter feito, em termos práticos, que pudesse fazer valer meu lugar na fila. Tão cedo quanto eu perceba isso, tanto menor será o prejuízo. No momento em que as invasoras chegaram, deveria estar nítido para mim — desde cedo, desde antes — que o lugar era mesmo delas e que, portanto, delas era o direito de fazerem o que quisessem.

Aliás é cabível discutir que “problema” é esse de que falei aí em cima. Eu venho repetindo, já faz um tempo, que todos — TODOS — os males da humanidade decorrem do ego. Todas as guerras, todas as brigas e pecados, todas as frustrações, crimes e punições. Esse caso não foi exceção. Notem que fui o único integrante da fila a se importar com o furo das patricinhas, como se tivesse um grande direito, ó que importante, eu o centro do mundo, tendo meu espaço invadido. Acusei as patricinhas de atropelarem direitos alheios como se delas fossem, em total desconsideração, e ora veja, quem está se atribuindo demasiada importância sou eu, não elas. Eu é que estou aqui, tomando seu tempo de leitura com minhas insatisfações, enquanto elas estão por aí, usufruindo o serviço que o mundo lhes traz, todas pimponas.

Os praticantes do zen dirão que é uma questão de apego, ou de perdê-lo. Que estou me prendendo à agressão que sofri no meu passado, em um momento que, quanto mais se afasta de mim no tempo, mais cresce em minha memória em vez de diminuir, como devia. Que só me vejo agredido porque ainda insisto em me dar importância, com um ego ainda mais exagerado do que o delas. Que esses são os fantasmas que vão me corroendo e que um dia ainda vão me matar. Que eu devia deixar correr frouxo, que a longo prazo nada sofri, ainda consegui almoçar e voltar para o trabalho e agora estou aqui, e que eu é que estou errado em ficar remoendo essa história. E aliás não é a primeira que me acontece; já houve outra há uns meses, em outro estabelecimento, e não foi envolvendo fila, nem vou contar aqui qual foi.

Tudo isso pode ser. A sensação de ter sido lesado não vai embora, e é fácil falar tudo isso sobre ego versus zen quando não foi no calo do Mestre Yoda que pisaram mas no meu. Só que é verdade que há problemas muito mais graves no mundo; há fome na África, há presos políticos na China, há esgoto a céu aberto na maior parte do Brasil e da Índia, e aquecimento global e desmatamento e AIDS e corrupção. Diante de tudo isso, desaparece meu pseudoproblema, que é no mínimo ridículo.

Ao mesmo tempo, não posso deixar de reparar neste detalhe que acabei de mencionar: corrupção. As distintas senhorinhas certamente se julgavam em seu lugar natural, fila não vale para elas, e é exatamente aí que mora um dos vícios estruturais da sociedade brasileira. A invasão que sofri, tòpicamente, empalidece diante de sua causa, muito maior, que é a falta de uma visão cívica. Elas tomam o lugar dos outros na fila porque isso é o natural na sociedade brasileira, onde ninguém realmente tem direitos. Nem os ricos: eles de fato têm mais poder, e exercem esse poder e fazem valer seus desejos, mas nem eles nem os pobres têm direitos; as relações são meramente de força. Então, as jovenzinhas são exatamente as mesmas — as mesmas! — que fizeram passeata em junho do ano passado, exigindo o fim da corrupção, exigindo vergonha na cara, cansadas de serem pisoteadas pelos políticos e pleiteando educação e hospital público e enxovalhando os condenados do Mensalão… E agora não veem nada de errado em se enfiarem na fila alheia, em absoluta cegueira ao fato de que estão jogando para trás quem já tinha chegado antes.

… Não, não, eu me engano. É claro que elas repararam que havia mais gente. É justamente aí que está o exercício da função de patricinha entitled: só faz sentido, e só tem graça, quando já havia alguéns na fila. Senão não adianta. Não é que não percebam que prejudicam outras quinze ou vinte pessoas. É que isso não faz a menor diferença para elas. Elas são patricinhas entitled e entram onde quiserem.

Nada disso impede o fato de que este texto é a ruminação de um ego ferido, trabalhando o luto de sua dignidade. Eu poderia ser uma alma iluminada, transcendendo a ofensa, perdoando as ignorantes e percebendo que, a longo prazo, são pessoas infelizes, que vivem agressivamente e portanto se desgastam. Poderia construir uma ilusão de que, naquilo que importa na vida, eu já estivesse em melhor condição e tivesse mais curtição do que elas, “para que se importar com a fila se você tem mais qualidade de vida do que elas, coitadas?” Mas não é nada disso. Na verdade, não querendo mentir para mim mesmo e sabendo que wishful thinking não beneficia ninguém, sei muito bem que são, sim, pessoas mais tranquilas, mais resolvidas, com melhor conforto, mais e melhor entretenimento, melhor administração do tempo, com futuro financeiro já assegurado, sem nenhuma razão para qualquer dos temores ou incertezas que me afligem. É precisamente em razão de terem tudo isso, de estarem alguns degraus acima na escada social, que elas podem escolher o lugar que quiserem na fila que quiserem.

Então, se algum proveito essa experiência pode me dar, é que eu posso continuar na ilusão de um mundinho ordenadinho onde meu ego é preservado, ou posso largar a infância e vir ao mundo real das pessoas adultas, onde claramente ainda não sei agir mas onde claramente uma das medidas necessárias é passar por cima do cidadão ao lado. E onde, por enquanto e até onde enxergo adiante, o meu lugar é deixando que as patricinhas entitled tomem a frente. Eu tenho que saber o meu lugar. Se eu quiser começar a melhorar de vida, deveria já começar, isto sim, a seguir o exemplo delas. O primeiro passo para ser aceito como aprendiz e sonhar em ser aceito como um igual é reconhecer a própria ignorância e se render à regra verdadeira.

E não ficar alimentando um ódio que intensamente deseja que, onde quer que estejam, aquelas cinco patricinhas morram cruel, lenta e sangrentamente, em dor e desespero, como estou desejando agora.*

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* É sério. Nem Premonição atenderia, porque morte súbita não dói. Tá mais pra Jogos Mortais.

Tiro pela culatra — ou isso é o que eles querem que você pense

Acabo de descobrir as tais propagandas “subliminares” (não são) no SBT. Você tá lá assistindo a algum filme PERFUMES NÃOSEIQUÊ e de repente o anúncio pisca durante, sei lá, meio segundo, em silêncio, interrompendo o filme apenas pelo tempo que você leva para perceber o que acabou de acontecer.

FILHOS DA P*TA.

EU MAL TIVE TEMPO DE LER METADE DO ANÚNCIO. Mas sei que devo ter lido a outra metade. Acho que era “perfumes Jequiti”. Pode não ser. Sei que estou propagando a mensagem, possìvelmente porque essa era a ordem deles. (Ó-bê-ésse: editei o texto para dizer que era da Jequiti. Achei que fosse outra marca, mas Google me ajudou. Tá vendo, Jequiti? Não funcionou — pensei que fosse o seu concorrente. OK, funcionou pela metade, porque me fez pesquisar. Mas, se eu não quisesse escrever a respeito, teria entendido outra marca! (E teria ódio da outra marca — ponto para você, Jequiti.))

Isso acontece porque é tevê gratuita: você não paga para assistir. SE VOCÊ NÃO ESTÁ PAGANDO, ENTÃO VOCÊ É A MERCADORIA. Se é de graça, pode ter certeza de que vão dar um jeito de obrigar você a engolir. Porque, veja bem, se fosse pago era fácil: você parava de assistir ao canal, parava de pagar ao fornecedor. Mas é de graça. Você não tem com quem reclamar, nem do quê. Então aguenta.

Então agora tenho MAIS UM motivo para não assistir à m*rda da tevê aberta.

Update. Aliás acabo de ver que o WordPress está pondo anúncios embaixo do meu texto. Claro: eu não pago para publicá-los, nem você para lê-los. QUE QUE EU ACABEI DE DIZER, Ó MERCADORIA?

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Nomenclatura: motores a jato

Em uma postagem de utilidade pública, venho aqui ensinar um pouco de nomenclatura.

Avião a jato não é propelido por TURBINA, mas por MOTOR a jato.

Em um motor a jato, a propulsão acontece da seguinte forma: primeiro, o ar é admitido pela frente do motor, onde entra no compressor. Ali o ar é comprimido a uma pressão e uma temperatura muito superiores às da atmosfera. Em seguida, o compressor empurra o ar para dentro da câmara de combustão (ou “combustor”), onde bicos injetores pulverizam combustível (que, em geral, é querosene). Por causa da pressão e temperatura da câmara de combustão, o combustível reage com o oxigênio do ar, queimando violentamente e causando uma violenta expansão desse ar e dos gases resultantes da queima. O volume do combustor é limitado, de modo que o ar aquecido fica sob alta pressão; e, não podendo sair pela frente (pois é dali que está vindo o escoamento), ele vai direcionar-se para trás, para a saída de gases. Assim, é da queima do combustível que vem a energia para a propulsão funcionar.

Esquema simplificado de um motor turbojato

Esquema simplificado de um motor turbojato

A energia contida no combustível converte-se em energia mecânica, que se manifesta como uma enorme pressão do ar aquecido contra a parede dianteira da câmara de combustão e contra o compressor. É isso que empurra o avião adiante.

Naturalmente, como em TUDO no universo onde há forças atuando, aplica-se a Terceira Lei de Newton. Então, outra forma de se apreciar o que acontece é ver que, assim como os gases se deslocam para trás a determinada velocidade, da mesma forma o avião se desloca para a frente com outra determinada velocidade, de acordo com as proporções aplicáveis. É o que se chama de Lei da Ação e Reação. Essa lei é sempre verdadeira, e aplica-se perfeitamente, mas, a meu juízo, a propulsão a jato não é o melhor dos exemplos para se tentar enxergá-la. Isso porque o sistema “avião + gases” não está no vácuo, mas na atmosfera, onde outras forças estão influindo; e também porque o avião não empurra os gases para trás no sentido comumente imaginado. É certo que, se os gases vão para trás, é que o avião os empurra, mas isso não é imediatamente visível no fenômeno que ocorre dentro da câmara de combustão. É mais fácil simplesmente perceber a lei da conservação da quantidade de movimento (que é outra forma de se interpretar a lei da ação e reação, mas que se apresenta sob uma equação diferente e se enxerga de modo diferente).

De todo modo, como se costuma pretender visualizar a lei da ação e reação no avião a jato, em Portugal ele costuma ser chamado de “avião a reacção”, e o motor é dito “reactor” ou “turborreactor”.

Observe que o ar e os gases da queima saem por trás do motor a alta temperatura e alta pressão. Isso é a própria propulsão, e é assim que se está usando a energia do combustível. Enquanto isso, lá na frente do motor, o compressor deve continuar girando para jogar o ar para dentro, e alguma coisa deve mantê-lo a girar. Em um dos primeiros aviões a jato construídos, o Caproni-Campini N.1, de 1940, o compressor era acionado por um motor a pistão convencional, movido a gasolina. Entretanto, essa é uma solução pesada, custosa e complexa. Exceção feita a algumas aeronaves experimentais da mesma época, todos os aviões a jato funcionam de um modo que é mais elegante e mais eficiente: antes que os gases saiam por trás do motor, eles devem atravessar uma turbina. Ao fazer girar a turbina, os gases perdem parte de sua energia e efetivamente estão agindo contra a propulsão da aeronave. Forçada a girar, a turbina está subtraindo energia dos gases e transmitindo-a ao compressor mediante um eixo. Daí se conclui, não apenas que não é da turbina que vem a propulsão, mas, também, que a turbina atua CONTRA a propulsão.

Possìvelmente, a falsa noção de que “a propulsão venha da turbina” nasceu de outros tipos de situação, onde efetivamente uma turbina aproveita a energia de alguma fonte e a transforma em energia útil. Os melhores exemplos são as usinas hidroelétricas e termoelétricas, onde a água (no caso das hidroelétricas) ou o vapor (no caso das termoelétricas) faz girar uma turbina e daí se gera eletricidade. O mesmo acontece nos navios movidos por turbina a vapor, onde a turbina faz girar um eixo para propulsão. Observe, porém, que há uma diferença fundamental. Nas usinas, nós não estamos interessados na água ou no vapor que já passou pela turbina, nem eles dão qualquer propulsão direta. Ao contrário, estamos interessados é na energia que a turbina subtrai do escoamento, e queremos que seja a maior proporção possível da energia disponível, para que o máximo se transmita pelo eixo. Já no avião a jato, é o contrário; queremos subtrair o mínimo possível para manter o compressor funcionando, para que o escoamento principal conserve sua energia, que é onde está seu principal uso.

Conforme se vê, em um avião a jato, a turbina é apenas um componente do motor e não fornece NENHUMA propulsão.

Além de tudo isso, caberia observar que essa foi uma explicação supersimplificada. Eu poderia esclarecer que, hoje em dia, cada vez menos se usam motores do tipo turbojato, que foi o tipo que descrevi aí em cima; e que, cada vez mais e mais e mais, o que se vê são motores do tipo turbofan, onde um grande ventilador é posto à frente do compressor, admitindo ar mas jogando-o para trás sem que esse ar realmente entre no motor pròpriamente dito, o que aumenta em muito a eficiência e, dessa forma, economiza combustível. Eu poderia observar que os motores do tipo turboélice também são classificados como motores a jato, mas, diferente do que acontece nos outros motores a jato, eles, sim, destinam-se essencialmente a mover uma turbina, que aproveita o máximo possível da energia dos gases para movimentar a hélice — e, no entanto, neste único caso de avião realmente movido a turbina, ninguém chama assim. Eu poderia lembrar o caso da grande maioria dos helicópteros modernos, que são movidos por turboeixos — essencialmente, motores turboélice onde, em vez de uma hélice, o eixo movimenta o enorme rotor acima da fuselagem. Eu poderia comentar que a maioria dos aviões supersônicos precisa, para o regime supersônico, fazer uso de um componente que só eles têm, que é o pós-combustor (o tão querido afterburner dos nerds). Eu poderia explicar que uma antiga técnica para aumentar a potência dos motores a jato, especialmente na decolagem, era injetar água no ar comprimido antes da combustão, o que aumentava a massa de vapor e reduzia a temperatura, embora gerasse aquelas gigantescas nuvens de fumaça. Eu poderia, finalmente, discriminar que, hoje em dia, a maioria dos motores a jato tem não um, mas dois compressores em sequência (o de baixa e o de alta pressão) e não uma, e sim duas ou até três turbinas, sendo uma para levar rotação ao compressor de baixa pressão e a(s) demais para levar rotação ao compressor de alta.

Poderia, mas não vou. Prefiro deixar todas essas indicações para meu querido Leitor pesquisar por conta própria, o que é sempre muito mais divertido e mais recompensador para ambas as partes.

De tudo, o que deve ficar é o que peço a meu querido Leitor que porventura tenha tido a paciência de chegar aqui: por favor, pare de usar a palavra “turbina” para se referir ao MOTOR de um avião a jato. NUNCA está certo usar “turbina”. Não importa o que diga a repórter da televisão, SEMPRE está errado dizer “turbina”. O certo é MOTOR.

Obrigado.

A Serra Gaúcha e o limite de número de garrafas

Em 2007, entrou em vigor uma norma internacional que limita o transporte de líquidos na bagagem de mão: somente embalagens de até 100 ml, dentro de um saco plástico de até um litro. Segundo a formulação original, essa norma só se aplica a voos internacionais, mas já a vi aplicada a voos domésticos no Brasil, o que não sei se é legal mas vou presumir que seja.

Pois bem. Atente a isto: para voos domésticos partindo do aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, neste ano de 2012, você não pode incluir bebidas na bagagem despachada, e sua bagagem de mão só pode conter até cinco garrafas de até um litro cada uma. Essa segunda regra faz sentido em razão do limite de 5 kg da ANAC para a bagagem de mão, mas a primeira é uma completa novidade para mim, e não encontrei orientação sobre ela no saite da ANAC.

Não adianta espernear, e é melhor conhecer as regras de antemão. Não sei se a proibição quanto à bagagem despachada é sòmente para garrafas de vidro, mas sei o que vi: a moça do checkin perguntou se eu tinha bebidas nessa bagagem; e a moça do raio X viu que havia duas garrafas na bagagem de mão e pediu para vê-las em detalhe. Vendo-as, deteve-se no volume relatado pelos rótulos.

Aparentemente, a regra que limita a bagagem despachada é da Infraero. Não a vi sendo praticada em Curitiba nem no Rio, de modo que presumo que seja específica de Porto Alegre. Não vi divulgação em nenhum lugar; você só fica sabendo dela no ato do checkin. Vi pessoas com caixas de seis garrafas de vinho; não sei como fizeram para embarcarem, já que tampouco poderiam levá-las na mão.

As razões podem ser várias, mas só nos cabe especular. Uma possibilidade é que os carregadores de bagagem, com a gentileza que lhes é peculiar, tenham arremessado algu’a mala e inevitàvelmente quebrado as garrafas que estavam soltas ali dentro. Certamente o proprietário da mala não deve ter tomado nenhum cuidado de acolchoar e isolar o conteúdo, recebeu um monte de cacos e manchas de vinho na esteira ao fim da viagem e entrou com ação em face da Infraero, que deve ter sido condenada. A empresa deve ter imposto a regra a fim de evitar novos danos: “ah, é, eu sou responsável? Então, se sou responsável, ninguém mais pode levar garrafa nenhuma na bagagem, pronto” — no que não estaria de todo errada. Se alguém é responsável por alguma coisa, a esse alguém deve ser reconhecido o poder de impedir essa coisa.

Junte-se a isso o limite de 5 kg na bagagem de mão. Como o vinho tem densidade pràticamente igual à da água, quem levar cinco garrafas de um litro estará certamente violando o limite de peso (não se esqueça do peso do vidro). Daí a implicação mais refinada da regra da bagagem despachada: você tem pouca alternativa.

Não deve ser coincidência com o fato de que os brasileiros viajam cada vez mais de avião e cada vez mais vão à Serra Gaúcha, de lá trazendo bonsdrink. Ora, o vinho é o produto mais famoso daquela região e um dos que mais motivam o turismo por lá. Assim, a nova norma aeroportuária é uma boa forma de coibir o comércio de vinhos do Rio Grande do Sul para turistas, induzindo às vendas por atacado, que seguem por caminhão. Isso vai ser particularmente interessante por ocasião do Natal: em Gramado, essa temporada é tão importante quanto o inverno, e aumentam as vendas no comércio local.

A consequência prática é que ninguém pode trazer mais do que cinco garrafas de vinho da Serra Gaúcha se pretende voltar para casa de avião. Faz TODO o sentido, especialmente se só se avisarem os compradores sobre a bagagem despachada quando estiverem fazendo checkin.

Pelo menos, é o que eu faria, porque assim é muito mais divertido.

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