Citações, 26/11/2016

ECO, Umberto. O nome da rosa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1983. Trad. por Aurora F. Bernardini e Homero F. Andrade.

Página 66:
“‘Guilherme!’ exclamou. ‘Meu irmão querido!’ Levantou-se com esforço e veio ao encontro de meu mestre, abraçando-o e beijando-o na boca. ‘Guilherme!’ repetiu, e os olhos se lhe umedeceram de pranto. ‘Quanto tempo! Mas eu te reconheço ainda! Quanto tempo, quantas vicissitudes! Quantas provas o Senhor nos tem imposto!’ Chorou. Guilherme retribuiu o abraço, evidentemente comovido.”

P. 83:
“‘Nada que seja pretextuoso é santo, Guilherme, sabes que te quero bem. Sabes que confio muito em ti. Castiga a tua inteligência, aprende a chorar sobre as chagas do Senhor, joga fora os teus livros.’
“‘Guardarei apenas o teu’, sorriu Guilherme. Ubertino sorriu também e ameaçou-o com o dedo: ‘Inglês tonto. E não caçoes muito dos teus semelhantes. Ou melhor, os que não podes amar, teme-os. E cuidado com a abadia. Este lugar não me agrada.’
“‘Quero justamente conhecê-lo melhor’, disse Guilherme despedindo-se. ‘Vamos, Adso.’
‘Eu estou te dizendo que não é bom, e tu dizes que queres conhecê-lo. Ah!’, disse Ubertino sacudindo a cabeça.

P. 84:
“‘(…) Não construas um castelo de suspeitas sobre uma palavra.’
“’Nunca o farei’, respondeu Guilherme. “(…) Porém gosto de ouvir também as palavras, e depois fico pensando nelas.’”

P. 158:
“‘(…) Quem ri não acredita naquilo de que está rindo, mas tampouco o odeia. E portanto rir do mal significa não estar disposto a combatê-lo e rir do bem significa desconhecer a força com a qual o bem se difunde a si próprio. (…)’”

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Trago quatro trechos alheios

… de obras diferentes.

O primeiro é de Umberto Eco, em O nome da rosa, conforme tradução de Aurora F. Bernardini e Homero F. Andrade, editora Nova Fronteira, 1983, p. 45.

” ‘Compreendo’, disse Guilherme. Eu já tivera meios de notar que, quando se exprimia daquele modo tão solícito e educado, de costume calava, de maneira honesta, o seu dissenso ou sua perplexidade.”

Conheço quem me deu o mesmo exemplo. Atento, procuro praticar; ainda falho miseràvelmente, mas insisto.

O segundo é do artigo Supersônicos: a primeira turma no F-103 no Brasil, de Reinaldo Peixe Lima, publicado na Revista força aérea no. 41 (dez.2005 – fev. 2006), p. 31-35. Na página 34,

“(…) o AT-26 Xavante, com a sua camuflagem verde, voando sobre os verdes mares cearenses, era praticamente invisível, (…)”

“Eu vi o que você fez”, disse Castro Alves.

O terceiro é do artigo Mistral I: o dia em que a FAB armou a arapuca…, de Carlos Lorch, da mesma edição da RFA acima, p. 36-41. Na página 36, o Autor relata um evento de 1997, quando a Armée de l’Air trouxe seus Mirages 2000 para treinarem em Natal, em exercícios de combate simulado com os Mirages III (“F-103”) do Esquadrão Jaguar da FAB.

“(…) bem, na verdade não dava para esperar muito dos nossos Mirage. Eram aeronaves de outra geração, o esquadrão estava treinado para conduzir interceptações vetoradas. Sabe como é …coisa de outra época. Nada que não fosse varrido pela fantástica relação peso/potência, pelos radares RDI e mísseis Super R.530 e Magic II dos Mirage 2000 da nova geração. Estava quase me perguntando se não teria sido melhor deixar os F-103 lá em Anápolis…

“Mas o que eu imaginava não foi bem o que ocorreu. Logo no início da Operação, enquanto fazia fotografias no pátio de estacionamento das aeronaves, comecei a notar um estranho padrão de comportamento nas tripulações que retornavam do vôo. Principalmente nas francesas. Ao descerem de seus Mirage 2000, os pilotos começaram a agir de forma estranha. Coçavam a cabeça, discutiam com seus alas já ali, na rampa. Gesticulavam e partiam rápido para o debriefing com cara de poucos amigos. Esse padrão se repetiu no dia seguinte e já então permeava no ar uma sensação esquisita. Os pilotos e os mecânicos de nossos Mirage, por sua vez, mal conseguiam esconder uma satisfação coletiva que de pronto tomou conta da base. Não dava para saber exatamente o que estava acontecendo, mas era algo fora do comum. De algu’a maneira, os Jaguares, com seus aviões de outros tempos, estavam dando uma escovada em nossos incrédulos visitantes. Havia rumores e explanações desencontradas. Muita vibração de um lado, e um misto de surpresa e indignação do outro.

“Eu não sabia o que havia acontecido. Só sabia que os havíamos superado, e isso já era o bastante…”

O quarto trecho vem da mesma reportagem de C. Lorch. Na página 37, as palavras são do Major-Aviador José Eduardo Portella Almeida:

“… os franceses nos ofereceram voar na nacele [eu tinha pra mim que o nome certo fosse ‘carlinga’] traseira dos dois M2000 biplaces que haviam trazido, o que foi disputado por todos os pilotos brasileiros. Nós também tínhamos trazido dois MIII biplaces e nenhum francês tinha pedido para voar de ‘saco’. O exercício durou uma semana. Lá pela quinta-feira, começamos a fase operacional, os vôos em que aplicaríamos a tática. O posicionamento tático era o seguinte: dois MIII simulariam estar defendendo Natal e dois M2000, vindos do oceano, tentariam romper a patrulha (…). Na quinta-feira, se não me engano, ganhamos todos os combates. Em um deles, contra o Comandante dos franceses (…), os dois M2000 foram abatidos nos dois engajamentos. No debriefing, o Comandante gritava, em francês, com seu ala, inconformado com a ‘derrota’ a que ele tinha sido submetido, a seu ver por causa de falhas do ala. Ele fez questão de assistir ao filme em que ele manobrava na frente do MIII, lançando flares, em vão. Naquele dia, os franceses se trancaram na sala de briefing reservada a eles e ficaram até altas horas, fazendo não sabemos o que (todos os dias nós ficávamos fazendo nossa reunião do pôr-do-sol e eles saíam para a cidade logo após o último vôo. Na quinta-feira, nós saímos antes). No dia seguinte (sexta), havia dois franceses na porta da nossa sala de briefing pedindo para voar conosco, na nacele traseira do MIII…”

É como diziam no Exército: “treinamento difícil, guerra fácil”.

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Traduzi isto hoje

Obrigado
Original por Ken Block, Jeff Beres, Andrew Copeland, Ryan Carter Newell, Mark E. Trojanowski; cantado por Dido Armstrong, publicado no album No Angel
Tradução por João Paulo Cursino

Meu chá esfriou, e eu me pergunto por que sequer me levantei da cama
A chuva matinal enevoa minha janela, e não consigo ver nada
E mesmo que eu conseguisse, estaria tudo cinza, mas seu retrato na minha parede
Ele me lembra que não é tão ruim, não é tão ruim

Bebi muito a noite passada, tenho contas pra pagar, só sinto dor de cabeça
Perdi o ônibus e vai ser uma cobrança danada hoje, estou atrasado pro trabalho de novo
E mesmo quando eu estiver lá, vão todos ficar mandando indiretas de que eu não passo de hoje
E aí você me liga e não é tão ruim, não é tão ruim e

Quero te agradecer por me dar o melhor dia da minha vida
Oh, só ficar com você é ter o melhor dia da minha vida

Empurro a porta, finalmente estou em casa e estou completamente ensopado
Aí você me estendeu uma toalha e tudo que vejo é você
E mesmo que a minha casa desabasse agora, eu nem perceberia
Porque você está perto de mim e

Quero te agradecer por me dar o melhor dia da minha vida
Oh, só ficar com você é ter o melhor dia da minha vida

Vendo a velocidade da luz

Não é “vendo”, presente do indicativo de “vender”, mas “vendo”, gerúndio de “ver”.

Este vídeo está correndo a Web feito fogo na palha, e merecidamente.

Mas todos os rápidos (e ingênuos) textos que já vi têm um defeito em comum: passam a ideia errada de que você “vê a luz se deslocando”, igual àqueles raios laser de filmes de scifi. Não é isso que você vê. A explicação do cientista-engenheiro está correta (ÓBVIO), mas está em inglês. Então, abaixo ofereço meu próprio texto sobre o que acontece.

Ninguém filmou “a luz se propagando”. É assim: primeiro, um raio de luz avança e bate num grão de poeira, ou numa molécula de plástico, ou no que for. Aí, esse raio reflete, vai noutra direção, e acerta (por exemplo) a câmera, que está ali do lado. Nesse momento, a câmera vê a luz pela primeira e única vez; a luz marca o filme; a câmera registra uma centelha. Para a câmera, tudo se passa como se o raio tivesse vindo originalmente daquele grão de poeira que havia no meio do caminho, porque veio mesmo. Para a câmera, o que aconteceu foi uma centelha, ali onde está o grão de poeira, vindo na direção da câmera. Mas sabemos que essa centelha é um raio que veio ali do grão de poeira, que estava se intrometendo no começo do percurso original do raio. Fim.

Agora, junto àquele primeiro raio, havia outro, paralelo, emitido ao mesmo tempo. Esse outro fez um percurso mais longo do que o primeiro sem ser perturbado. Até que, cerca de 0,00000000003 segundo depois, também encontrou um grão de poeira. Como seu percurso durou 0,00000000003 segundo a mais, esse encontro aconteceu 1 cm adiante do encontro anterior. Mas também esse raio foi forçado a refletir noutra direção. E encontrou a câmera, e fez a câmera “acreditar” que estava vindo do segundo grão de poeira, tendo saído dali 0,00000000003 segundo depois e 1 cm adiante do primeiro raio. Então, a câmera registra uma centelha em um ponto que fica 1 cm adiante da primeira centelha.

E assim sucessivamente. São milhares, milhões de raios. À medida que avançam, vão trombando na poeira, refletindo, e alguns atingem a câmera. O que a câmera vai registrando são sucessivas colisões entre luz e poeira; somente aquelas cujas consequências são raios apontados para a câmera. Naturalmente, essa sucessão de colisões vai acontecendo ao longo do caminho que os raios tentam percorrer desde o começo. Então, vemos os impactos acontecendo, um depois do outro, ao longo do caminho que a luz está percorrendo.

Claro que, enquanto um raio de luz está avançando pela garrafa sem colidir com nada, ele é invisível: você só o veria se ele batesse na câmera, mas ele está lá, percorrendo a garrafa, sem bater em nada. Até que ele colide com a poeira. Nesse momento, pronto: aquele raio de luz não está mais fazendo o percurso; ele está colidindo com a poeira e refletindo, e sofrendo o fenômeno que acabei de descrever. Então, de certo modo, o que você vê não é o “percurso” da luz. Ao contrário: é uma sucessão de colisões onde a luz foi impedida de fazer seu percurso. São sucessivas interrupções ao percurso. Cada raio que colide (e assim se torna visível) é menos um raio que está fazendo o percurso, e com isso há cada vez menos raios fazendo a corrida. Os raios que chegam à tampa da garrafa estão em menor quantidade do que os que partiram do emissor.

São diferentes grãos de poeira, espalhados ao longo do caminho, e cada um gera sua centelhinha. Por isso, cada ponto de impacto é diferente do outro. Mas a sucessão de impactos dá a impressão de ser um ponto só que avança. Essa impressão-de-avanço vai andando à medida em que novos impactos surgem. E com que velocidade a impressão-de-avanço vai avançar? Com a mesma velocidade com que os raios vão avançando, sem serem detidos, até afinal serem detidos pela poeira: a velocidade da luz.

E é isso que vemos no vídeo.

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2011 in review

The WordPress.com stats helper monkeys prepared a 2011 annual report for this blog.

 

Here’s an excerpt:

A New York City subway train holds 1,200 people. This blog was viewed about 4,500 times in 2011. If it were a NYC subway train, it would take about 4 trips to carry that many people.

Click here to see the complete report.

Presidente Dilma ou Presidenta Dilma? A falsa dúvida

Joguei isto agora há pouco como comentário ao belogue http://www.tradutorprofissional.com e repito aqui.

Ó Danilo, eu sempre achei que "presidente" fosse particípio presente de "presidir". “Estrela cadente", porque cai; "tenente", porque tem (tem um lugar, detém um lugar, lieu-tenant) etc. Daí que "presidente" se torna comum de dois gêneros e admite artigo masculino ou feminino, sem se queixar. "A PresidentE Fulana".

Engraçado que, quando foi a Violeta Chamorro na Nicarágua ou aquelas outras moças no Chile e na Colômbia (era Colômbia ou Venezuela?), ninguém questionou; a imprensa só dizia "presidentE Fulana". Agora que é Dilma, surgiu uma enorme novidade! Óóóóóh!

Hipócritas todos.

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Receita de milkshake

Esta é a receita de milkshake que aperfeiçoei nos últimos meses através de experimentação. É bastante empírica, de modo que nunca fica igual; mas sempre fica excelente, quase sempre perfeita.

Tudo começou como minha tentativa de imitar, em casa, a receita de mateshake de cappuccino do Rei do Mate. O original ainda é deles, mas acho que gosto mais dos resultados a que cheguei.

A receita é dimensionada para dois copos que devem ter uns 500 ml. Primeiro, vai leite semi-desnatado até cerca de 40 % do volume dos copos. Depois, cinco generosas colheres de sopa de pó de cappuccino. Três Corações é a melhor marca, mas também é a mais cara. Depois, uma colher de sopa, rasa, de Matte Leão em pó. Depois, uma quantidade de sorvete de creme Kibon que supere tudo isso em volume, mas só até o ponto de você pensar se o copo do mixer não vai transbordar (nosso mixer pouco passa de 1 litro). Por último, um cálice generoso de conhaque barato (temos usado Nautilus, mas serve Dreher, Presidente… você pegou a ideia). Da última vez, substituí o conhaque por uma dose generosa de Amarula e ficou excelente.

Bata bem. O sorvete diminui bastante de volume, de modo que mal dá para encher os dois copos. Bem, na verdade depende das circunstâncias, porque às vezes ultrapassa. A consistência é perfeitamente cremosa e quase não faz espuma. É um litro de felicidade gelada, companhia ideal para assistir a episódios de sua série de TV favorita.

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Seguindo a tendência enigmática de questões que já coloquei aqui, e valendo outro prêmio por enquanto indefinido, lanço o desafio: em quais versos Carly Simon previu e resolveu as dificuldades postas por Eyjafjallajökull? A dica joguei no Twitter. Respostas na caixa de comentários.

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