Star Trek: Countdown

Star Trek: Countdown é uma minissérie em quadrinhos, composta por quatro capítulos e publicada pela IDW nos meses anteriores a esse filme novo. Ela ajuda a entender o que aconteceu na linha de tempo “normal” antes dos acontecimentos do filme. Ou seja: que história foi aquela de supernova, de matéria vermelha, de Spock ajudando os romulanos etc. É uma espécie de prequel do filme, exceto que é ambientada no século 24. Atenção: seguem spoilers do filme e dos quadrinhos. Prossiga por sua própria conta e risco.

As 4 capas. A figura está centralizada porque a m*rda do WordPress não me deixa colocá-la no início do texto nem alinhada pela esquerda sem f*der toda a formatação. Filhos da p*ta.

As 4 capas. A figura está centralizada porque a m*rda do WordPress não me deixa colocá-la no início do texto nem alinhada pela esquerda sem f*der toda a formatação.

Peraí, pára para tudo. Deixeu descomplicar. O filme Star Trek lançado em 2009, apelidado “Star Trek XI” e que ainda está levando nos cinemas, é ambientado no século 23 e mostra o início da carreira do Capetão Kirk e do Orelha. Exceto que ele não está mostrando o passado dos personagens como você os conhece. Conforme o próprio filme explica, o que acontece é que, no século 24, Spock — òbviamente bem mais velho — envolveu-se com os romulanos e com um acidente cósmico de proporções, bem, cósmicas, e a consequência (agora sem trema) foi uma viagem de Spock e de alguns romulanos no tempo, ao século 23. O surgimento de Spock e de uma nave romulana no século 23 é a causa de uma nova linha de tempo, uma realidade alternativa, divergente daquela que os demais filmes e séries mostravam. Nesta linha de tempo alternativa, muita coisa passa a ser diferente por causa da chegada de Spock e da nave romulana. E é nessa realidade alternativa que se desenrola o filme.

Bem, mas que acontecimentos foram esses, no século 24, que causaram a viagem de Spock de volta no tempo? O filme explica, até mostra resumidamente, mas o foco dele não é essa passagem. Ela só entra como uma justificativa histórica, fazendo a ponte entre a linha de tempo tradicional e a nova. Para quem está interessado nos porquês e desdobramentos, fica uma lacuna.

Então, Countdown supriu essa lacuna, contando justamente esses detalhes, e mais: foi lançada antes do filme. Isso faz todo o sentido, primeiro porque você, ao assistir, já vai com a explicação na cabeça. Segundo porque, seguindo a lógica das viagens no tempo e apesar de tudo, a história passada no século 24 realmente vem antes da história do filme. Realmente é antecessora, realmente o filme é sequência (também sem trema) dela. É como se fossem duas metades de uma história só, embora bastante separadas uma da outra.

Outro dia, li Countdown inteira (bom, mais ou menos… aos saltos. Vendo as figuras, aliás bonitas, e lendo os diálogos na diagonal). É uma minissérie da Nova Geração, tendo o Embaixador Spock como protagonista, e se passa alguns anos após os acontecimentos de Nemesis — que, incidentalmente, é, IMHO, o pior, mais fraco e mais sem sentido dos filmes de Jornada. Mas, voltando à minissérie, nela vemos onde foram parar alguns personagens da NG. Data é o capitão da Enterprise-E, tendo sido ressuscitado a partir das memórias que deixara em B4 no filme anterior (óbvio óbvio óbvio. Alguém tinha dúvida de que era isso mesmo que ia acontecer?). Não reparei no que LaForge está fazendo, mas ele também aparece, assim como o Embaixador Picard — que, assim, acabou materializando aquilo que havia sido prenunciado no episódo “Future Imperfect”. Já Worf é general entre os Glunkons, o que não faz muito sentido em face do destino que teve no final de Deep Space Nine (não vou contar, que também é spoiler. Google: “What You Leave Behind”). E mataram Worf???!!!

Em síntese, gostei bastante. Juntando com o que se lê aqui, imagino que ainda seja possível fazer boas histórias no século 24 da linha de tempo tradicional.

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Star Trek redux

Tornei-me trekker em 1991, fã da série Clássica de Jornada nas Estrelas, ávido leitor, interpretador e cultuador de seu cânone. Assim como todos os outros iguais a mim, eu estava muito apreensivo com este novo filme que estreou anteontem. Minha expectativa era a seguinte: mais um filme de ação que vai ser apenas divertido sem conteúdo nenhum. Mas fôra anunciado como um reboot total, de modo que não tinha nenhum compromisso em respeitar o cânone ou a cronologia. Então, quanto a isso, eu estava tranquilo: na minha expectativa, o filme não ia respeitar nada do que tinha vindo antes, mas estava autorizado a esse desrespeito.

Ontem tive uma surpresa maravilhosa: O FILME É ÓTIMO!!! Depois de um filme ruim (Generations), um mais ou menos, de ação e suspense mas não de Jornada (First Contact), duas merdas rematadas (Insurrection e Nemesis), uma das quais sempre esqueço que sequer existiu, e uma série esquecível e desanimadora (Enterprise), talvez minha expectativa estivesse tão baixa que eu aceitasse qualquer coisa no filme de 2009, mas ELE É MARAVILHOSO.

Jornada nas Estrelas sempre foi sobre personagens, não sobre naves e batalhas. Em particular, a série Clássica era Kirk e Spock, seu caráter, seus temperamentos, sua amizade, sua interação. ISSO É EXATAMENTE A ESSÊNCIA DO NOVO FILME. Chris Pine está ótimo como James Kirk. Zachary Quinto (“Sylar de Vulcano”) está surpreendentemente bom como Spock. Karl Urban está excelente como McCoy. As essências dos três estão todas lá, junto com várias referências e maneirismos. E O FILME É SOBRE ELES, não sobre a nave, que é exatamente o que a série Clássica sempre foi.

Apesar de romper com a cronologia e mexer em várias coisas, o filme remete diretamente à série Clássica (embora seja de ação, não de exploração pacífica). Para meu espanto, respeita a história acumulada de Star Trek em muito mais lugares do que teria sido necessário, incorporando informação dos livros que nunca havia sido usada nos filmes.

A cereja no bolo é que, como bem observou o Maron (e era inevitável), todas as velhas frases estão lá. “Dammit, I’m a doctor, not a physicist!”, “Fascinating.”, “I have been, and always shall be, your friend.”, “… Green-blooded hobgoblin”…

Então, aqui você encontra alguns detalhes menores para reparar, que estou listando para quem ainda não viu o filme. Tenho que ser superficial e frívolo, falando só de detalhezinhos, senão estragarei seu prazer. Agora, se você já viu o filme (ou se não se importa em saber de tudo antecipadamente), esta resenha, mais completa, comenta a história, seus personagens e seus detalhes. Aliás, ela mesma já ganhou comentários, que só podem ser lidos a partir de lá.

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